segunda-feira, julho 12, 2004

Cockney Rebel



Não há ninguém a quem eu tenha secretamente imitado tanto como Graham Coxon, de quem invejei já tudo, dos jeitos aos trejeitos. A pose estática em palco, a figura esguia, de olhar fixado no chão, distante e alheio. Os óculos à Buddy Holly e a indumentária retro, programadamente gasta e coçada. A pronúncia deliciosamente cockney e a morada com Camden pelo meio. Mas, acima do estilo, acima mesmo da substância, o que mais invejo em Coxon é o ter já sido o que sempre quis ser: o melhor saxofonista da escola primária, fundador da melhor banda do mundo , com a qual conheceu e conquistou o mundo, e o melhor e mais original guitarrista da sua e de todas as gerações. Nunca uma Telecaster se contorceu tanto em espasmos de espanto e, quando menos se espera, contenção. Numa tarde de 1994, falando aos jornalistas na véspera do concerto dos Blur no Alexandra Palace (Ally Pally para os amigos), Graham ironizou quanto ao que lhe faltava fazer. Faltava-lhe fazer um disco de que ninguém gostasse. E até isso quase conseguiu, numa carreira a solo que começou com belíssimas odes declamadas a Nick Drake mas resvalou perigosamente para a escuridão do menos recomendável skate-hardcore dos anos 80, do qual se aproximou ainda durante (et pour cause?) a tristeza dos seus últimos anos nos Blur. No novo "Happiness in Magazines" redime-se, finalmente, das trevas e deixa a luz entrar na caverna. A luz de Stephen Street, o produtor mais sortudo de todos (trabalhou com os Blur e com os Smiths - need I say more?). O resultado são grandes canções pop, as melhores melodias do Verão, com sha-la-las em barda e - valha-nos Deus - solos de guitarra. Em "Bittersweet Bundle of Misery", Graham canta que "there´s no such thing as happily ever after". Felizmente, o contrário também é verdade. FMS

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Que dizes aos óculos do Jarvis Cocker?
:)

bis

11:03 da tarde  
Blogger rita said...

O Graham nunca devia ter abandonado os Blur.

11:52 da manhã  
Blogger Alex said...

Obrigado por existir...! É sempre tão bom conhecer alguém que aprecie boa música. Apetece dizer, naquele espírito meio adolescente, BLUR FOREVER!! E obrigado pela dica. Vou correr para encontrar esse novo disco de Graham Coxon.
Saudações bloguísticas.

10:04 da tarde  
Blogger Francisco said...

Anonymous: os óculos são como eu sempre quis ter. tenho uns ligeiram,ente parecidos comprados em Camden.

Rita: Já não sei se foi o Graham que abandonou os Blur, se foram os Blur que abandonaram o Graham.

Alex: eu também agradeço todos os dias o facto de existir e ter a oportunidade de ter conhecido os Blur.

7:29 da tarde  

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