terça-feira, julho 20, 2004

O Fósforo e o Cansaço

Quando ouvi os Strokes pela primeira vez achei que estava ali a salvação. Todas as causas para os nossos efeitos.
Depois comprei o álbum e passei a dividir o mundo em dois, os que gostavam e os que não gostavam. Passei a respeitar só os primeiros. Perdi amigos, amores e cargos de gestão em empresas públicas, mas valeu a pena, há coisas que não admitem compromissos.
E a vida ia muito bem assim, até que, apareceu um disco novo. Ora, é coisa sabida que o segundo disco é sempre uma prova de fogo, isso é tão válido para os Strokes como para os Excesso e que, por isso, nunca devem gastar-se todos os superlativos antes desse teste ser superado. Mas, que diabo, neste caso o que eu queria era ouvir o disco, por isso estava disposto a abrir uma excepção, a única condição era que viesse mais do mesmo.
E veio mesmo. É igualzinho ao primeiro, mas sem metade da piada, parece uma imitação, e uma má imitação, do outro.
Vem isto tudo a propósito de uma notícia, não sei boa ou má, que dá os Strokes como fechados num estúdio caseiro, daqueles construídos à medida, durante uma série de meses, com o propósito de gravar um terceiro disco. É verdade que pode acontecer a redenção, a história está cheia de exemplos desses, de cinzas que ganham vida.
Mas, no caso de não ser, não posso deixar de pensar nas consequências que uma pequena catástrofe desse género traria à vida dos que se abandonaram à sorte do grupo.
Por isso, proponho uma reflexão; não será tempo dos admiradores tomarem nas mãos o destino dos seus ídolos? Decidir da vida e da morte, do vigor e do cansaço.
Já imaginaram, quanto ganhava a iconoclastia pop se acontecesse um acidente menor, uma pequena desgraça, suficiente para levar os Strokes a homenagearem o nome com uma morte prematura.
Guardaríamos deles a memória de artistas geniais que desafiaram as leis da morte, e que, enquanto isso, foram legando ao mundo uma imorredoira obra de arte, que nem o tempo nem o vento apagarão, etc. e tal.
Vale a pena, não vale a pena ...
Pensem bem nisso. É que está à distância de um fósforo.
C.G.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O problema é que a lei da via dita, de forma indelével, que são os ídolos quem toma em mãos o destino dos seus admiradores e os molda a seu bel-prazer.
Ídolos, atingido esse patamar, sê-lo-ão sempre; mesmo que os ídolos se atrevessem a lançar um cd de puro silêncio (César Monteiro? Branca de Neve? Onde é que já vi isto...) sempre haveria um admirador que lograria vislumbrar nessa brincadeira um rasgo de genialidade, pois a ilusão do ídolo perfeito tem facetas de eternidade no duplo plano do consciente e sub-consciente do admirador.
A indústria da discografia não sobreviveria, afinal, sem os seus Rantanplans, vulgos... ADMIRADORES!

ASS: Fidelis

11:48 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Aprendi muito

7:06 da tarde  

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