segunda-feira, agosto 02, 2004

Das Teorias e de Como Sobreviver-lhes

Há um fascínio nas teorias da conspiração a que não é fácil resistir; é um encanto que reside no facto de nos convencermos que sabemos mais do que as outras pessoas, que somos dos poucos a conseguir ver para além da superfície.
Há outras razões, para o encanto, como o medo. Um temor que a vida não seja consequência do quotidiano, mas da decisão de meia-dúzia de inomináveis que se reúnem em castelos mediavos pela penumbra, com o propósito de decidir o que há de acontecer a todos e a cada um de nós.
Já deu boa literatura, este medo, como o «Money» do Martin Amis, que não é mais do que uma teoria da conspiração em versão esquizofrénica, relatada na primeira pessoa, que no caso até são duas.
A morte do Kennedy; a ida à Lua; o 11 de Setembro; a guerra do Iraque, a morte da princesa Diana; a relação do Morrissey com esta última morte; o fim dos dinossauros, a morte do Hitler, a .... o quê....???? o que é que o Morrissey tem a ver com a morte da Diana?
Pois é, entre todas as teorias, eis que aparece um senhor que garante que a morte da Lady Di está toda prevista no conjunto da obra do nosso amigo Stephen Patrick, sobretudo no «The Queen is Dead», que serve um bocadinho como crónica da morte anunciada.
Apresenta como provas as letras, as capas dos discos, as entrevistas, os vídeos, os actores que aparecem nas capas e nos vídeos, tudo escrutinado e devidamente relacionado.
A coisa é tão estapafúrdia, que apetece mesmo acreditar, mas há um problema que mesmo o mais crédulo tem dificuldade em ultrapassar, passo a apresentá-lo:
Caro senhor criador da teoria, vamos aceitar que uma nave alienígena dirigiu uma mensagem ao jovem Morrissey e que este, desde esse momento, se dedicou a cantá-la e espalhá-la pelo mundo. Porque raio é que essa mensagem havia de versar a morte da princesa? Que que acontecimento é esse? Haverá para aí uma civilização mais avançada do que a nossa, cuja noção de mensagem passa pela actividade de espiolhar e comentar a vida da realeza cor-de-rosa, uma espécie de «Caras» versão cósmica?
Aparentemente, a revelação não foi tão bem recebida como merecia e desilusão levou o senhor teórico a abandonar a tarefa de iluminar o mundo. Mas isso não é novidade nenhuma, como argumenta o nosso amigo, também esta recepção estava já prevista no trabalho de Morrissey, senão vejam : qual foi o disco que veio a seguir ao «The Queen is Dead», qual foi?
Foi o «The World Won´t Listen», pois foi.
Para quem queira conferir, imprimir e encadernar, fica aqui o sítio da melhor leitura do Verão.
http://home.cogeco.ca/~morrissey/
CG

1 Comments:

Blogger bode said...

antónio, o david alice is living in wonderland...
é a pior teoria da conspiração de que tenho conhecimento.
faz o entroncamento parecer mais glamorouso que roswell.

4:36 da tarde  

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