segunda-feira, setembro 06, 2004

Erros de casting



Num mundo perfeito, todo o jornalismo musical seria como aqui o QF: feito com e por amor. Se há domínio onde a objectividade não só não é bem vinda como se suspeita nunca conseguirá entrar é o da música pop. Daí o ridículo, por exemplo, de enviar para determinado concerto um determinado jornalista sem a mínima relação com o artista objecto da sua crónica (ou, quanto muito, com uma relação profissional de conhecimento - aaarrgghhh!!!!!). No último Sudoeste, os Dandy Warhols foram especialmente vergastados por alguns dessas criaturas deslocadas, que não puderam senão ver o concerto dos ditos como se estivessem perante a Banda do Exército. O resultado foi o esperado, deplorando-se essencialmente a presença em palco, amplamente desdenhosa da audiência que se amontoava à frente do palco. Pelos vistos, ficaram mais incomodados os jornalistas lá longe, no alto do seu varandim, do que a audiência, que sabe que um dandy não olha para baixo e é relativamente feliz se não for importunado enquanto se dedica à sua arte. Mas claro que, quando falamos de pop, sabemos que estes excessos de confiança têm um aditivo. E muita gente ainda não percebeu que heroin is so passé.

FMS