segunda-feira, setembro 06, 2004

The Likely Lads



Não se pode dizer que estejamos habituados a isto. Uma banda em plena ascenção e no pico absoluto da sua criatividade vir a Portugal para que a possamos ver nesse momento decisivo - pelo qual todas passam - em que se define se permanecem na posteridade ou se simplesmente nos ficam como a brisa esporádica que um dia soprou, agradou e desapareceu. Não tivemos essa possibilidade com os Strokes ou com os White Stripes, mas tivemo-la já este Verão com os Franz Ferdinand. E agora (Sexta 10, Lisboa, Paradise Garage, 21h) com os Libertines, o capítulo mais recente da tradição da pop aristocrática britânica, feita de guitarras em carne viva, melodias amargo-doces, pronúncias desavergonhadamente cockney, troncos nus, letras sobre a decadência e, música à parte, desentendimentos vários entre as duas prima donnas do bando, que envolvem drogas, assaltos e detenções. Imaginemos Sade, Wilde e Beaudelaire, todos no mesmo combo. Não será, obviamente, para toda a gente. Quem preferir, poderá escutar na mesma noite Pedro Abrunhosa no Casino do Estoril, que eu não me importo. Mas eu também não faço a mínima ideia do que seja isso das prisões sobrelotadas.

FMS