quarta-feira, outubro 06, 2004

Dublin, California



Evitem, por favor, os acessos histéricos de purismo, porque é óbvio que na pop a aparência é importante. Aliás, a aparência está para a pop assim como a heráldica está para a... para o... pronto, isso. Olhemos os Thrills como eu os olhei da primeira vez, naquela página do NME. E, logo de seguida, coloquemos sem vergonha a questão que se insinua: podem os Thrills fazer outra música que não a de Burt Bacharach tocada pelos Beach Boys e cantada por Julian Casablancas? Em bom rigor podem. Podem fazer a música dos Beach Boys tocada por Burt Bacharach e cantada por Wayne Coyle. Ou a dos The Mamas & the Papas tocada por Gram Parsons e cantada por Jonathan Donahue. E, na verdade, é isso mesmo que fazem. Descontando a rouquidão da voz deliciosa e levemente desafinada, que é, a bem dizer, um elemento ininteligível sem a audição dos discos, basta ver a indumentária com que se apresentam e os ambientes em que se deixam fotografar para perceber tudo. Basta ver o sol de fim de tarde que lhes bate nas costas, as brisas salgadas que lhes afastam os cabelos dos olhos e aquela luminosidade retro das fotografias para entender o que aí vem. Dizem que são de Dublin. Mas ninguém acredita.

FMS

1 Comments:

Blogger Saleiro said...

Sim, na pop a aparência é importante. Mas em qual pop? Desliguem um bocado desta era frenética da imagem e da informação e verão que a música dos The Trhills seria a mesma.

5:39 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home