sexta-feira, novembro 26, 2004

Foi para isto?

Os Gift conseguem a proeza de me fazer repensar todos os dogmas sobre a bondade intrínseca da invenção da pop. Tudo neles são lugares comuns das bandas de merda. Os Gift nunca têm um novo disco, mas sim "um novo trabalho", falam caro e pomposamente, tratam as inutilidades que tocam como os executivos tratam o produto que vendem, apontam as datas das digressões em agendas profissionais, passam concertos inteiros sem suar, obcecados com o cenário, a postura dos músicos e, no entanto, raramente se ouviram canções tão insípidas, tão agoniantemente desinteressantes, tão pretensiosas, tão certinhas. Eu, aliás, nunca me deixei levar pela conversa do DIY. Porque o grande esforço está na distribuição e não na produção, e aquela nunca foram os Gift que a fizeram. Foi sempre uma multinacional. E porque o DIY era bonito era noutros tempos. Hoje, com as facilidades tecnológicas, serve não só o talento musical escondido mas também o talento empresarial visível. Dizem-me que os Gift gerem o barzinho lá em Alcobaça como também os New Order geriram o Haçienda. Certo. Mas, pelo menos, o Haçienda foi à falência.

FMS

9 Comments:

Blogger JC said...

Eu cá gosto...

http://desabafosdeummedico.blogspot.com/

3:25 da manhã  
Blogger The great white leader said...

Finalmente alguém me dá razão! Eu sempre disse que os The Gift eram uns seguidores de modas electrónicas sem talento, ajudados pelos paizinhos,provavelmente criadores abastados da mítica maçã de Alcobaça. O Nuno Gonçalves adorava falar que o Howie B tinha ido colaborar no segundo albúm. Quando lhe terão pago?
No que diz respeito ao último album, tive a oportunidade (não a sorte...) de ouvir duas faixas, e a conclusão é a seguinte: se a tendência actualmente é o electro, então Sónia "vox camionistis" Tavares e seus pares tambem tocam electro...

12:56 da tarde  
Blogger Luis Gaspar said...

Finalmente. Sentia-me abandonado por não gostar de gift. Eu odeio gift. Odeio, sim, a postura, a falta de talento, a obsessão em serem alternativos, a obsessão dos alternativos em serem seus fãs, a obsessão da crítica em ter dEUS em versão portuguesa e acabarem com quim barreiros versão unplugged e luzidia. Se há produção moderna portuguesa que melhor represente a mediocridade do que uma geração inteira gostava de ser e como não consegue copia é os gift. Melhor ser mau assumido que andar a fingir.

9:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

completamente de acordo na crítica à musiquinha dos the gift, embora não tenha ainda ouvido o último cd. mais irritante que a música deles só mesmo o discurso que é do mais pretencioso que já ouvi. quanto ao diy tenho mais dúvidas que o francisco. E não é verdade que os the gift nunca tenham feito inicialmente a sua própria distribuição. A distribuição da primeira edição do disco de estreia foi feita por eles.
nuno teles

10:19 da manhã  
Blogger jorge said...

amigo francisco:
totalmente de acordo!
a menina é tonta e pretenciosa e o guito é que interessa! legitimo! a questão é o discurso ser outro...
abraço.

1:20 da manhã  
Blogger jMAC said...

http://hardblog.blogspot.com/2004/11/guerras-santas.html

9:42 da manhã  
Blogger Pedro Robalo said...

Acabaste de desfazer o mito «Alcobaça-e-tudo-à-volta-a-nova-Bristol» que por meados da passada década alguns ignaros quiseram fazer passar. Mas não espalhem por favor, vamos deixá-los entretidos.

6:00 da manhã  
Blogger joe_disco said...

Concordo plenamente com o teor do texto salvo quanto à questão do DIY. Para todos os efeitos, os Gift, para entrar na cena musical, contraíram um empréstimo relativamente avultado para a compra de toda a maquinaria e parafernália inerente à música que tocam. E isso revela bastante coragem que deve ser minimamente reconhecida, dadas as dificuldades de se viver da música em Portugal. Sucede que com tanta máquina o resultado saiu desvirtuado... irrita-me solenemente a sua postura clean que provavelmente vai descambar, mais cedo ou mais tarde, na edição de um álbum de música tocada exclusivamente por tubas, todos eles vestidos de branco e a beber água quente... e, por favor, se algum dia alguém vos referir o termo "Madbaça", por favor feel fry to try your worst against that person...

3:35 da tarde  
Anonymous Cláudia said...

Tu és mas é 1 gajo sem cultura musical nenhuma pá! Ñ sabes apreciar boa música nem dar valor a kem realmente merece! Mm ontem tive na festa do lux e adorei. Ñ abras a boca pa falar do k ñ sabes! THE GIFT SEMPRE!!!

10:33 da manhã  

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