sexta-feira, março 25, 2005

em 1992 nascia o rock´n´roll



Mais de dez anos depois, redescubro "Automatic For The People", escondido entre os Razorlight e o Lou Reed. Devo dizer que nunca fui um grande seguidor dos R.E.M. Tenho uma cassete com o "Green", que deve andar solitária por casa dos meus pais, e não cantarolei apaixonadamente o "Loosing My Religion" quando tinha idade para o fazer. Aliás, a minha música preferida de "Out of Time" era "Shiny Happy People", com a cantora dos B-52´s, pretexto para danças imberbes com muitos saltos alegres, e que mais tarde vim a saber que era renegada pelos puristas.

Mas "Automatic for the People" conquistou-me na altura e voltou a fazê-lo agora. É um disco perfeito, harmonioso, equilibrado. Em que os R.E.M. tiveram a coragem de abandonar a fórmula do disco anterior, que lhes trouxe o sucesso comercial, e investir em canções mais íntimas, mais escuras. E criaram canções como "Drive", a trágico-cómica "Man On The Moon", a melancólica "Nightswimming" ou "Everybody Hurts", que tem o poder de puxar a lágrima ao mais duro operário da construção civil (ou ao mais frio explorador capitalista, consoante a tendência política) e obrigá-lo a levantar o braço com o isqueiro acesso.

"Automatic for the People", vou atrever-me a dizê-lo, é um álbum sem falhas (com excepção dos curtos, mas irritantes, "ihihihis" no início de "The Sidewinder Sleeps Tonite") e consegue agradar a todos. O que neste caso não é criticável. Aliás, sempre me surpreendeu a coerência dos R.E.M., que conseguem encher estádios sem perderem uma certa aura independente. Enquanto vão reinventando o rock, pois a ternura com que Michael Stipe sussura "Hey, kids, rock´n´roll" impede-nos de o contradizer. REC