música do exílio

Pouco antes de partir para Lisboa, onde vou passar alguns meses, tive que enfrentar o duro desafio de escolher aqueles poucos CDs para levar. Os outros ficariam de castigo, à espera do meu regresso, a empoeirar em silêncio.
Sabendo que qualquer erro poderá ter graves consequências quando, na solidão do exílio, desejar ardentemente aquele disco que ficou em cima da secretária, a uns quantos milhares de quilómetros de distância, é difícil definir os critérios para esta decisão: será que arrumo na mala aqueles que me têm acompanhado ao longo dos tempos, aturado os meus amuos e partilhado alegrias incontidas? Os que me fazem sentar no sofá melancólico, saboreando os sons, ou aqueles que levam alguém introvertido como eu a executar danças contorcionistas?
Trata-se, aliás, de um dilema histórico. Quem não conhece aquela famosa história de Álvaro Cunhal, pouco antes de apanhar o Intercidades das 16h43 para Moscovo, indeciso entre o “Fun in Acapulco” do Elvis e o “Best of” do Grupo Coral de Santiago do Cacém. Valeu-lhe na altura o conselho decidido de Clarinda, sua camarada de lutas e edredões, a lembrar-lhe que o melhor era mesmo levar o disco duplo da Nana Mouskouri, até porque tinha sido uma prenda de anos do Leonid.
Eu, sem Clarindas que me valham, decidi ser corajoso e, pressionado pelo momento da partida, apenas levei os últimos CDs que comprei. São estes os discos que no meu diário serão lembrados como a minha música do exílio:
- The Flaming Lips (The Soft Bulletin)
- Yo La Tengo (Prisoners of love, ...1983-2003)
- Mogwai (Government Commissions - BBC Sessions)
- Tocotronic (Pure Vernunft darf niemals siegen)
- Ben Folds Five (Whatever and Ever Amen)
- Wedding Present (Take Fountain)
- Arcade Fire (Funeral)
À chegada, encontrar-se-ão com os CDs menosprezados, aqueles que nunca tiveram o privilégio de voar para Colónia, envelhecendo amargos e a rogarem-me pragas. Mas esses merecem outro post. REC
12 Comments:
Sejas bem regressado, Richard! Abraço, Nuno Ps - Todos nós temos a obrigação de escrever uma grande postalhada sobre os Arcade Fire.
Erro, Erro!
Tens SEMPRE que levar um clássico da tua vida (principalmente no estrangeiro)! Só novos sabem a pouco.
Há sempre AQUELE momento em que vais querer ouvir o passado...
Bem, pedes emprestado aos amigos!
Boa viagem!
cara sushi lover,
tive esse receio, mas optei pela filosofia do recomeço. Como se trata de um re-regresso, mais do que uma partida, espero não sentir a falta de músicas que me façam sentir em casa. Boa estadia toquiana (na companhia dos clássicos)
Nuno,
já iniciei os textos do blog "vamos.lá.malta.maluka.toca.a.venerar.os.amigos.Arcade Fire. blogspot.com". Estás convidado.
Eh! Eh! Vamos a isso. Neste momento estou a postar no odisquitodosgobetweensnãoedesedeitarfora.blogspot.com
Acho q também marchava o dos Modest Mouse!
acho q tb vou postar no n.faco.ideia.quem.seja.os.arcade.fire.mas.estou.a.gostar.blogspot.com!
domo arigato gozaimasu!
sayonara
caro el mono,
por acaso já andava com uma música dos Modest Mouse a ocupar uma parte do meu ouvido, mas até agora ainda não encontrei o disco. Acho que se chama qualquer coisa como "good music for good people", não é?
"Good News For People Who Love Bad News" Bom blog. Abraço
obrigado pela informação. Parece que me me estatelei ao comprido, com a mania das declamações espontâneas.
um abraço
Toda a gente tem o direito a errar :) principalmente no mundo musical, ainda nem tive tempo para ouvir os Arcade Fire em condições e ja tenho o disco ha montes de tempo, devido à quantidade de albums que tenho em fila para ouvir.
Esclarecimento
O Grupo Coral de Santiago do Cacém nunca chegou a publicar o seu "Best Of".
Um leitor de Santiago do Cacém
obrigado pelo esclarecimento. O disco que tenho lá em casa deve então ser uma gravação pirata. Vou já avisar a malta
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