terça-feira, junho 07, 2005

A Bola



No regresso aos relvados os Go-Betweens apresentam novidades. Depois de uns últimos jogos mais fracos, o clube viu-se obrigado a ir ao mercado e apresentar reforços. As novidades vieram para as pontas.

E em boa hora, o jogo empastelado e demasiado preso no centro do terreno, passou a ter extremos velozes capazes de cruzar com precisão para a área.
Em campo, da gloriosa equipa que foi campeã imbatida entre 1978 e 1990, já só restam o guarda-redes – o gordo – e o ponta-de-lança – o magricelas.
Logo no início, uma jogada de perigo, mas o remate saí à barra. Um belo pontapé em arco, mas estrondosamente colocado no sítio errado.
O jogo prossegue em toada mais lenta, com muita troca de bola no circulo central. O trinco trinca, o líbero libera, mas não se vislumbra a necessária eficácia no último terço.
Até que, aos 10 minutos, aparece o primeiro golo. Uma jogada simples, toda ao primeiro toque, quase ingénua na sua beleza técnico-tática, finalizada com o calcanhar. O autor do golo – Robert Forster – dedica o tento à família e roga autorização para beber um gin tónico. O àrbitro recusa e mostra-lhe o cartão amarelo.
Com a vantagem, o ritmo decresce, os GB passam a controlar o jogo, claramente à espera do intervalo quase sofrem um golo, que de tão permitido ofereceria várias razões para um balneário choroso.
Mas o intervalo faz bem à equipa da Oceânia, volta moralizada e decidida a acabar com a questão do título logo nos primeiros minutos. Mais uma bela jogada, com McLennan a repor a bola em jogo directamente para o ataque, mas uma bonita estirada do guardião adversário, impede o golo nocturno.
Golo que não tarda. Alíás, é logo na jogada seguinte que Forster volta a facturar com um pontapé de tandem. Nas comemorações, perdido no meio da multidão, distribui frascos de perfume pelo público. Original e higiénico. O perfume cheira estranhamente a passado. Será por ser alfazema?
O público sente a proximidade do título que lhes escapa há tantos anos e começa a fazer a festa. Até ao fim registe-se mais uma bela defesa do guarda-redes adversário, que parecia uma estátua perante o forte remate do australiano; e um túnel efectuado por McLennan ao atacante adversário, já em período de descontos, que apesar de pôr em causa a defesa das suas redes, acabou por não ter consequências de maior.
No fim, a multidão perfumada e feliz, foi contemplada com uma gravação dos melhores jogos da equipa de 1978-90. Serviu para perceber que o título conquistado este ano não tem aquela marca de glória da célebre equipa que encantou a Europa.

Mas o futebol é assim mesmo ... a bola é redonda e quem não marca arrisca-se a sofrer.

CG

1 Comments:

Anonymous Francisco said...

ok, já percebemos do que é que vocês gostam! e porque não um bocadinho de críticas ácidas a bandas-ódio de estimação? sempre provocava algum reboliço nas caixas de comentários

8:13 da tarde  

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