terça-feira, julho 12, 2005

eu, o malkmus e a fase adulta


Na mesma noite em que descobri que Javier Marías revela uma obsessão por médicos nocturnos (ler “Quando fui mortal”), soube que Stephen Malkmus estava a tornar-se adulto.
“face the truth” foi, dos discos que comprei ultimamente, aquele cujo celofane rasguei com mais sofreguidão enquanto me sentava junto a um casal ucraniano no metro. Não fiquei desiludido, mas também não me fez telefonar exultante a amigos, se calhar devido às grande expectativas. Malkmus afasta-se definitivamente dos ensaios pavementianos sobre devaneios guitarristas, que se encontravam ainda nos seus dois primeiros discos a solo, suaviza o seu som, a sua voz (o início de “Loud Cloud Crowd” faz mesmo lembrar Simon&Garfunkel) e opta por cenários mais melódicos, transportando um doce aroma das vastas planícies americanas para uma noite lisboeta num apartamento no Príncipe Real.
Mas as guitarras não se afastaram, tornaram-se, porém, também elas mais adultas, tiveram filhos, saíram da cidade. Não é o seu melhor disco, mas adequa-se perfeitamente a noites que se despedem quando se chega do trabalho. Acho que isto também significa crescer e Stephen Malkmus é um dos poucos músicos a quem podemos conceder a honra de se afastar dos sons que marcaram a nossa juventude. REC

4 Comments:

Blogger Gabriel said...

Fase adulta??? Um músico que já nasceu maduro e nunca fez nada senão discos de supina inteligência? Se Malkmus só agora entra na fase adulta os outros estão todos no ventre da mamã.

5:38 da tarde  
Blogger jd said...

Por acaso comecei a ouvir este albúm há bocado e neste momento estou com os phones postos a ouvir Loud Cloud Crowd... pensei que o iTunes estava no shuffle e tinha ido parar a uma música do paul simon... confirma-se!
Mas estou a curtir o som.
Confesso que fiquei um bocado céptica quando o Malkmus lançou o primeiro a solo.. nem quis ouvir pq o primeiro contacto com ele foi um choque.
Acho que estou a fazer as pazes com ele neste albúm.. e talvez a amadurecer.

5:48 da tarde  
Blogger johny said...

cada vez que ouço o pig lib (pertencente ao meu topten), há uma nova música a brilhar... tou a sentir isso com este novo álbum e acho que daqui a um ano esta ideia vai-se manter!
após os pavement pensei que algo fraco surgisse a solo mas estava enganadamente redondo...para mim nunca deixará de ser uma referência...cresci com ele!

6:11 da tarde  
Anonymous maria said...

O meu celofane é mais a braçadeira que envolve capa e contracapa e aponta o número de edição, um prémio, booker, nobel, nada. Depois friso a lombada. Sigo para a contracapa onde às vezes há uma foto do autor, um pequeno trecho de prefácio, um código de barras. Sinto se é áspera ou macia. De trás para a frente, o indíce, dar ar às páginas, e a citação que o autor elege para abrir hostilidades. Ceder à tentação de espreitar uma palavra, uma frase inteira no final do livro, clandestinamente... Arrancar o talão de reposição, que há-de servir de marcador até ao final, se o não perder. Enfiar o nariz no livro e ignorar o passageiro da frente. Seguir viagem.

Sem nada para dizer sobre malkmus e afinal apenas para indicar onde mora o meu umbigo. E entretanto mudar de ideias. Mas gosto de ler-te. Era isso.

1:39 da manhã  

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