quarta-feira, dezembro 28, 2005

Inês, fui eu que tirei daí de casa o Unplugged

Penso poder dizer com alguma segurança que o meu anti-americanismo 1993/4-2000 está definitivamente ultrapassado. Voltei a ouvir os Nirvana com prazer, depois de um longo e lento processo de reaproximação, no qual teve um papel essencial a horda de imitações embaraçosas que foram surgindo. Quanto mais os Bush apareciam na TV, com aquela espécie de Jim Morrison versão Michael Hutchence à frente, mais eu achava que, na volta, talvez os Nirvana merecessem algum respeito. E, de facto, olhando desta perspectiva de dez anos passados, estão ali algumas das melhores canções pop da época. Mas também, aproveitando esse mesmo tempo que entretanto decorreu, convém colocá-las no seu devido lugar. São apenas boas melodias. Nem mais, nem menos. Porque, quanto às letras, o mínimo que se pode dizer é que foram responsáveis pelo último suspiro do lirismo da pop dos anos 80. O facto de cantar sobre drogas, ressacas, solidão e depressão não faz de Kurt Cobain um poeta dos anais. Aliás, a sua própria história, vista objectivamente e sem a bajulação do último - miserável - Gus Van Sant, faz dele apenas um dos maiores paspalhos da história da música popular.


FMS

3 Comments:

Blogger IMS said...

Por mim tudo bem.
Devolve-mo daqui a 20 anos p.f., talvez me apeteça ouvi-lo.

Inês

5:54 da tarde  
Blogger Joana said...

Inês, tá mal encontar-te assim, sem avisos, pela blogosfera... Para quando um blog ´teu??

Beijokas e (se não nos virmos hoje) um bom ano..

J

10:37 da manhã  
Blogger ZP said...

"um dos maiores paspalhos da historia do rock and roll" - lindo...
suspeito que tens razão.
ha muito exagero no culto kurt cobain. o last days parece confirmar o vazio.
também acho que os nirvana sao acima de tudo boas melodias e tb gosto de os ouvir, mas o grunge foi uma seca!

4:11 da tarde  

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