segunda-feira, março 27, 2006

Os Macacos Que Vieram do Frio

(Publicado na Atlântico de Fevereiro)

Existe um preconceito célebre sobre a imprensa musical inglesa, segundo o qual esta é particularmente dada à malvadez de ciclicamente empolar as jovens bandas do circuito musical para mais tarde lhes destruir a reputação com igual veemência e afinco. Dizer que é malvadez é errar na perspectiva. Como qualquer meritocrata poderá atestar, trata-se tão só de dar a todos uma oportunidade, “a” oportunidade. Lançam-se os meninos às feras e depois logo se vê quais de entre eles têm afinal o talento apregoado.

Os Arctic Monkeys são os media darlings deste início de ano. Vêm de Sheffield mas podiam vir de qualquer cintura industrial do centro ou norte de Inglaterra. Basta olhar para eles. Quatro imberbes púberes a viver ao mais glamoroso estilo suburbano. Fazem música como quem bebe no pub da esquina, frequentam os palcos como quem frequenta a arquibancada do estádio da terra, vestem os polos Fred Perry e os anoraques Adidas que são o uniforme dos hooligans e ostentam aquelas faces redondas e rosadinhas de bife em férias no Algarve que um dia ficará para a posteridade como “The Wayne Rooney Look”. Estão a ver o Frank Skinner dos The Streets? Lembram-se dos Oasis em 1994? É mais ou menos isso.

Às primeiras audições, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, o álbum de estreia da pandilha, parece confirmar o hype. É rock orelhudo, com algumas concessões ao funk, muitos espasmos de guitarras vigorosas (como é prato do dia) e letras sobre os temas sacramentais da vidinha: miúdas, romances adolescentes e ténis Reebok. Pensem nos Supergrass de I Should Coco e não andarão assim tão longe. Estamos a falar de música a morder os calcanhares. I Bet That You Look Good On The Dancefloor, Fake Tales Of San Francisco ou When The Sun Goes Down são canções pop irrepreensíveis e irresistíveis que farão nas pistas de dança os mesmos estragos que os Franz Ferdinand têm também provocado.

2004 foi o ano destes últimos. 2005 o dos Bloc Party. 2006 será o ano dos Arctic Monkeys. Macacos me mordam se não é verdade.

[A 18 de Maio no Paradise Garage. O meu bilhetinho já cá canta.]

FMS

15 Comments:

Blogger Kaiser said...

Fiquei sem perceber se vais a pandilha por serem media darlings, ou porque pura e simplesmente gostas do som que sai dos seus amplificadores e tarolas e etc..

7:41 da tarde  
Blogger o autor said...

o meu também.
gosto acima de tudo das fred p.
e de como uma strato branca pode soar tão bem...

4:02 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Eu vou, e, com a mesma impaciência com que fui assistir ao concerto dos Libertines (outra "next big thing" da imprensa musical britânica).
Tanto pela música, de que gosto muito e que me dá vontade dançar descontroladamente, como por sentir que se trata de "estar no sítio certo, no momento certo".

Ao menos podiam fazer melhor o trabalho de casa. O puto por detrás do projecto The Streets chama-se Mike (e não, Frank) Skinner.

10:54 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Eu vou, e, com a mesma impaciência com que fui assistir ao concerto dos Libertines (outra "next big thing" da imprensa musical britânica).
Tanto pela música, de que gosto muito e que me dá vontade dançar descontroladamente, como por sentir que se trata de "estar no sítio certo, no momento certo".

Ao menos podiam fazer melhor o trabalho de casa. O puto por detrás do projecto The Streets chama-se Mike (e não, Frank) Skinner.

10:59 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Opsssss...

Desculpem a repetição.

10:59 da tarde  
Blogger Francisco said...

Não foi falta de trabalho de casa, foi lapso. Eu sei que o puto se chama Mike, mas troquei-o pelo Frank Skinner, aquele que com o Baddiel e os Lightning Seeds fez o hino da selecção inglesa no Euro 96. As minhas desculpas.

12:02 da tarde  
Blogger AR said...

os macacos morderam!
:)

1:42 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Foi um lapso, não são necessárias desculpas. Da minha parte, também houve alguma precipitação...

5:02 da tarde  
Blogger Hugo said...

Os franz ferdinand, especialmente no 1º album, e os bloc party convenceram-me. Os artic monkeys ainda não. Estamos em março... ainda há 2006 até dezembro, mas não vejo que os artic monkeys estejam ao nível dos franz ferdinand e dos bloc party.
Eu espero é que o álbum dos bloc party previsto para o verão seja bom.

12:52 da manhã  
Anonymous holden said...

Este Francisco Silva tem um claro problema de inserção social. Os seus comentários musicais têm sempre termos como piroso, suburbano, anoraques,snob, ténis,glamour,
cintura social,porche, burguês, fato de treino. O seu fito é simular um certo snobismo que, no fundo, sente(e com razão) que lhe está vedado. Não conheço a família nem a história do Silva em causa mas percebo que para entrar nas graças da direita moderninha/conservadora portuguesa um tipo tenha que se contorcer todo e dar a volta ao facto de não ser um seu filho legítimo. Mas faz impressão e é quase pungente o esforço de emancipação do bom Francisco (M. da) Silva. É um esforço pouco musical, eu diria.

1:00 da tarde  
Blogger Francisco said...

Parabéns, caro holden. Na mouche.

5:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Caro Holden, não perca mais tempo a ler os textos FMS.
Convido-o a ir ao AKI, está com preços acessíveis e óptimas soluções para Bricolage.

8:42 da tarde  
Anonymous shoplifter said...

Caro Hugo, eu, para lhe ser sincero, e apesar de gostar bastante de ambos, acho o segundo disco dos Franz um nadinha melhor que o primeiro. Menos imediato, é certo, mas melhor. Mas isto é só a minha opinião. Quanto aos Bloc Party (de que também gosto), acho que fizeram um dico 'engraçado', que de forma alguma é comparável ao grande disco do Monkeys. Daqui a 10 ou 20 anos a gente confirma, vai ver.

11:01 da tarde  
Blogger Captain Hawk said...

"2004 foi o ano destes últimos (Franz Ferdinand). 2005 o dos Bloc Party. 2006 será o ano dos Arctic Monkeys. Macacos me mordam se não é verdade."


Que monotonia...

7:44 da tarde  
Blogger Sweet Caroline said...

O Wayne Rooney look nunca vai ficar para a posteridade pela simples razão que nunca vai morrer.

Nice blog. :)

11:28 da manhã  

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