terça-feira, agosto 03, 2004

canções para ninguém

Devo ter sido das poucas pessoas que conheço a ter gostado da incursão de Perry Blake por terras californianas. Sim, achei que “California” era a opção inteligente e criativa de quem esgotara o registo de poeta soturno passeando entre estátuas partidas. Mas, confesso, este último “Songs for Someone” foi uma desilusão. Blake volta ao registo de um Black (aquele rapaz da “Wonderful Life”) não tão encantado com a existência e com arranjos que não nos impelem ao suicídio. O sonho californiano deu lugar à depressão irlandesa (gravada, como não podia deixar de ser, num estúdio francês). Dá a ideia que Blake foi atacado pelo vírus dos últimos Tindersticks – chato, repetitivo, sem ideias -, do qual devia livrar-se rapidamente. NCS