sexta-feira, Junho 23, 2006

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band


it was 20 years ago today...

quinta-feira, Junho 08, 2006

está resolvido o mistério


Após extensas investigações por parte do Francisco, descobrimos o motivo da vinda de Pete Doherty ao nosso país. O NME conta o seguinte:

"Pete Doherty has entered a rehab clinic in Portugal.

Unlike the singer previous - and abortive - attempts to clean up, the decision to undergo rehab was Doherty's own and that he organised and funded the trip without any outside pressure.

The singer's previous stints in rehab have ended in failure - however, he recently stated his desire to curtail his drug taking.

"For a little while things were too dark to even begin to get my head around," he told The Word magazine last month. "Spending all my time dropping my trousers to the police. Sat in cells. What I want is a little bit of self-control. But plans are the last thing you want."

REC

véspera de entrega soundtrack

(título com direitos de autora)

Näher Zu Dir [Tocotronic]

Wo wir stehen kann jeder sehen
Es ist allgemein bekannt
Daß wir zwei uns gut verstehen
Wenn wir Champagner trinken gehen
Und wir geben uns die Hand
Durchsichtige Dinge
Die uns zwei durchdringen
Bestimmen uns von Anfang an
Durchdringen uns ein Leben lang

Auf dem Weg näher zu Dir
Gehe ich durch eine Tür
Die den Umriß von uns beiden hat
Und alles was ich denken kann
Liegt fern von jenem Ort und dann
Wird alles seltsam glatt
Hinter der Oberfläche
Dieser Spiegelfläche
Sehn wir uns da wo wir nicht sind
Im Augenblick
Kehren wir dorthin zurück
Wo unser Schicksal uns bestimmt
In die Situation die uns gefangen nimmt

Auf dem Weg näher zu Dir
Gehe ich durch eine Tür
Die den Umriß von uns beiden hat
Und alles was ich denken kann
Liegt fern von jenem Ort und dann
Wird alles seltsam glatt

saudades deste sábado....

REC

quarta-feira, Junho 07, 2006

yoshimi battles the pink ronalds


"não hesites - é como uma festa do Ronald McDonald sob o efeito de LSD..."

extracto de um mail a contar-me como foi o concerto dos Flaming Lips em Colónia. Tenho saudades dos concertos todas as semanas. REC

terça-feira, Junho 06, 2006

informação de última hora

(ou: o Quase Famosos transformado na Hola da cena musical alternativa)

Acabei de me cruzar com Pete Doherty no aeroporto de Lisboa. Após vários encontros com Michael Hutchence num café em Essaouira, a partilha de um elevador com Bruce Springsteen e uma conversa sobre a famosa t-shirt com David Gedge, dos Wedding Present, mais uma celebridade para adicionar à minha lista. Pete tomava um café e veio passar os feriados ao Algarve. Diz-se. REC

(apesar de não ser minimanente interessante, isto é verdade)

segunda-feira, Junho 05, 2006

as minhas noites americanas são mais belas que os vossos dias

Quando saio tarde do escritório do Quase Famosos, por vezes ainda passo pelo departamento da Noite Americana, onde uns quantos cinéfilos organizam noites de cinema na Cinemateca. Ainda ontem lá estava o Bénard, a jogar à canasta e beber leite magro.

La Nuit Américaine, de François Truffaut, será o primeiro filme a passar na esplanada, em data a anunciar nos próximos dias. Mas já se sabe que será em Julho.

uma espécie de auto-plágio consciente

"Personality Crisis", clássico dos Teenage Fanclub, a sair das poderosas colunas do descapotável de um homem de meia idade.

"Utopia", Goldfrapp, como música final no encerramento de um Congresso do PP.

"Take me out", dos Franz Ferdinand, durante o "recreio", na rádio da prisão. LFB

No blogue ao lado, mesmo ao fundo do corredor, existem uns tipos atormentados pelo desejo de casar que tocam música com ironia, sentados a beber whisky na esplanada da nostalgia e da amizade. REC

domingo, Maio 21, 2006

Os amigos de Alex

O que é que um melómano criado entre quilos e quilos da melhor prosa pop cínica pode dizer do concerto dos Arctic Monkeys? Muito laconicamente - para que não se atravesse a linha do foleiro -, que há algo de verdadeiramente emocionante na circunstância dos quatro lads de Sheffield. Com a idade em que os outros ponderam se querem mesmo ser advogados, contabilistas e maquinistas da CP, Alex e os amigos viajam pelo mundo ainda meio apalermados com o que lhes aconteceu, enchendo salas, debitando algumas das melhores canções dos últimos anos, feitas de guitarradas adolescentes e letras insolitamente maduras de ritmo e observação. A inveja poder-me-ia ter dado para o ressentimento. Afinal de contas, ainda estes imberbes andavam de cueiros iguais aos do Telmo Correia e já eu tinha a colecção inteira do Ray Davies. Mas felizmente deu-me para o paternalismo. Os Arctic Monkeys são um tesouro a guardar. Do que se viu no Garage, há toda uma geração disposta a ser salva do resgate a que as inanidades dos Morangos Com Açúcar e dos D'ZRT a querem subjugar. Criançada com quinze e dessasseis anos, orgulhosa das suas t-shirts dos Strokes e dos Jam, dedicada ao mosh e ao crowd-surfing como se não houvesse amanhã. Os Arctic Monkeys é que ainda sofrem de acne mas, como se viu na Sexta, os Radiohead é que andam há dez anos a tocar punhetas. O rock é isto. Como cantavam os Public Enemy, não acreditem no hype. É muito, muito melhor.

FMS

sábado, Maio 20, 2006

mais uma razão para ir a paredes de coura


Broken Social Scene confirmados. Com um cartaz destes, não parece que se concretizem os rumores que sussuravam uma eventual visita dos Bloc Party, que devem rumar à Zambujeira. REC

quinta-feira, Maio 18, 2006

hoje há arctic monkeys em lisboa


(depois conta como foi, Francisco "British bands are the best" da Silva)

Mas outros concertos andam aí pelo país fora a encantar os nossos ouvidos:

- Festival Where’s The Love na Zé dos Bois (18, 19 e 20 de Maio)
- Yann Tiersen (19 de Maio, Portalegre; 20 de Maio, Famalicão, Casa das Artes)
- Dresden Dolls (23 de Maio, Famalicão, Casa das Artes)
- Kronos Quartet (24 de Maio, Porto, Casa da Música)
- Legendary Tiger Man (25 de Maio, Coimbra, Teatro Académico de Gil Vicente)
- Stuart Staples (3 de Junho, Lisboa, Santiago Alquimista)
- Ed Harcourt (11 de Junho, Lisboa, Santiago Alquimista; 12 de Junho, Porto, Cinema Batalha)

e depois ainda temos os festivais, mas isso é outra conversa. REC

quarta-feira, Maio 17, 2006

está combinado, shoplifter

conforme prometido nos comentários do post abaixo citado, o Senhor shoplifter (com quem ainda não travei conhecimento) promete usar uma t-shirt dos Wedding Present em Paredes de Coura. O que nos dá a oportunidade de iniciar um movimento das pessoas que usam t-shirts dessas no dia do concerto do Morrissey. Não pode ser é esta:



Porque é a minha e já me deu uma grande alegria. E permitiu-me iniciar conversas com pessoas desconhecidas (especialmente no metro), que acreditavam mesmo que

a) a t-shirt tinha sido a minha prenda de casamento (o que seria algo triste)

b) que eu tinha sido a prenda de casamento (como se eu ficasse bem a a saltar de um bolo e, pensando bem, a ideia de oferecer pessoas pelo casamento é perversa).

REC

terça-feira, Maio 16, 2006

lista de compras

coladas na porta do frigorífico, as minhas necessidades para o dia-a-dia que se avizinha:


Scott Walker - The Drift

Final Fantasy - He Poos Clouds

Espero que a minha empregada não se esqueça. REC

sexta-feira, Maio 12, 2006

mais uma razão para ser feliz


No ano passado, pudemos ver os Arcade Fire. Este ano, a principal razão para peregrinarmos a Paredes de Coura chama-se Stephen Patrick Morrissey, nascido a 22 de Maio de 1959 em Manchester. O mesmo que assustou o Senhor Rodrigues, famosos barbeiro da Estrela, quando aos 14 anos apareci com uma fotografia a pedir um penteado igual.

Além disso, os Yeah Yeah Yeahs, cujo último disco (Show Your Bones) não tem parado de encantar os meus vizinhos. E ainda Bauhaus (noto uma certa antiguidade nos seus discos, mas a minha amiga Rosa gosta), Fischerspooner, !!!, Shout Out Louds e os White Rose Movement (a nova coqueluche de uma certa elite musical, mas ainda não me convenceram).

Encontramo-nos por lá entre os dias 14 e 17 de Agosto (eu sou aquele com uma t-shirt dos Wedding Present). REC

p.s. as fotografias antigas comprovam que o barbeiro não tinha jeito nenhum para penteados morrissianos

vamos lá iniciar uma polémica interna (atrasada)


Uma simples frase do Cristóvão levou vários belle e sebastianos mais convictos a abandonar os salões de chá e brandir palavras enérgicas contra a heresia cometida. Também eu franzi o sobrolho ao ouvir as primeiras músicas que o Francisco (o nosso fornecedor oficial) tinha distribuído pela malta. Comprei “The Life Pursuit” com algum receio, mas assim que me habituei a uma certa californização dos antigos nevoeiros sonoros escoceses recostei-me na cadeira e sorri. No dia 17 de Julho serei feliz a cantarolar “funny little frog”, “another sunny day”, “the blues are still blue” e, sobretudo, “mornington crescent”. Ah pois serei. REC

(muito obrigado a quem me acordou com a notícia)

segunda-feira, Maio 08, 2006

The waste memory-wastes


Grant Mclennan (12 de Fevereiro de 1958 – 6 de Maio 2006)

CATTLE AND CANE

“I recall a schoolboy coming home
Through fields of cane
To a house of tin and timber
And in the sky a rain of falling cinders.
From time to time
The waste memory-wastes
(...)
I recall a bigger brighter world
A world of books
And silent times in thought
And then the railroad
The railroad takes him home
Through fields of cattle
Through fields of cane
From time to time
The waste memory-wastes
Further, longer, higher, older.”

When People Are Dead

Dive for your memory

sexta-feira, Maio 05, 2006

O Estado Em que Estão


Dia 17 de Julho no Coliseu dos Recreios, os Belle and Sebastian compensam o povo português pelo péssimo serviço prestado com « The Life Pursuit».

terça-feira, Abril 25, 2006

6ª, 28 de Abril, todos ao Frágil


Entre 25 de Abril e 1 de Maio calha sempre bem uma festa. Uma festarola onde o povo trabalhador e oprimido faz uma pausa na jornada de luta para fazer sapateado ao som dos êxitos da revolução.
Os Quase Famosos, essa trupe de DJ’s demagógicos, providenciam o momento de relaxo e recreio.
É já na sexta, 28 de Abril, na danceteria Frágil.

sábado, Abril 22, 2006

God Save Art Brut




O fim-de-semana não estava para isto. Gente séria e estabelecida, com mulheres, maridos e filhos, empacotava os trapos e rumava a Lisboa para fazer a festa da música barroca no CCB. Os suplementos culturais não falavam de outra coisa e optar por ir ver os Art Brut a uma discoteca recôndita num subúrbio industrial de Leiria faria muito pouco pela reputação intelectual de quem quer que fosse.

Ainda assim, Sua Majestade fazia oitenta anos e havia que os comemorar com dignidade. A Quinta Essência da Velha Albion esforçara-se por vir a Portugal. O mínimo que se podia fazer era pegar no carro e ir um pouco mais para Sul ao seu encontro. E assim foi. Dois yuppies da província, parcamente jantados mas livres da gravata, desafiaram o piso molhado da IP3 e da A1 para assistir a um espectáculo em que cinco rufias maltratam os respectivos instrumentos musicais.

O Sítio. Boa escolha, este Sushi Dance Club, com espaço suficiente, bares largos e acessíveis, e todo o aspecto de ser paragem noctívaga das elites culturais e sociais locais. A pedir outras iniciativas do género (pensarei em nomes e tratarei de meter a cunha a quem de direito).

A Fauna. Variada. Muita Converse All-Star, muita Adidas retro, ex-colegas de Coimbra, conterrâneos com exame de entrada da carreira diplomática daí a meia-dúzia de horas em Lisboa, leitores e frequentadores das festas do Quase Famosos, britpoppers com a cartilha estética toda, rock snobs para quem os Art Brut são bons é agora e não quando encherem Wembley e a subterrânea comunidade gótica de Leiria, que, pelos vistos, tem dedo na gerência do espaço e na organização do FadeIn (muito boa ideia, a do triunvirato feminino da bilheteira – a avaliar por posições do passado, do agrado de um certo animador deste blog).

E depois houve também a menina inglesa da tez imaculada que ainda guardava no rosto os vestígios das sardas que lhe atormentaram a puberdade inicial. Podia ser a Emily Kane da canção, mas a portuguesa que a acompanhava chamava-a de Alice. Alice destoava. O top preto às bolinhas brancas comprovava a sua fashion awareness e pela pose não parecia frequentadora de concertos rock. Lembram-se como o Mexia falou de uma das manas Stilwell?

“Muito loura e elegante, com toda uma beleza de classe que encanta certas almas reaccionárias. Uma frieza de berço que cria uma distância desafiante. Uma seriedade feita para adivinharmos cabriolices. As maçãs do rosto comandando toda uma geometria de movimentos. Uma simpatia que nunca se dá mais do que a boa educação permite. Sempre uma atitude inexpugnável, quase rochosa, mas grácil e movente. Karl Marx disse coisas pioneiras sobre as classes, e coisas definitivas também. Mas esqueceu-se de explicar a sexualidade da luta de classes, ou da distinção classista.”

Alice não era Emily Kane. Mas talvez tenha havido gente com vontade de sair de lá a cantar, como se cantou no palco, “Got myself a brand new girlfriend”.

O concerto. Se esquecermos a primeira parte dos Born a Lion, hard-rockers da Marinha Grande com baterista que é igualmente vocalista e brasileiro e cuja fisionomia é uma mistura entre Gabriel O Pensador e o gajo dos System Of A Down, foi fos melhores a que assisti. Lembrou, pelo espaço, pelos artistas e pelo seu momento (se bem que para melhor), o dos Libertines no Garage e – ainda que menos caótico - o dos Parkinsons no Le Son em Coimbra. Basicamente, foi o que o disco permite supor. Muito suor, muito movimento, muito espasmo, gente aos saltos e aos gritos, conversa constante entre o palco e a plateia.

Desconheço a história recente dos Art Brut, mas parece que o guitarrista careca que aparece em muitas fotografias foi substituído por uma espécie de Jarvis Cocker a quem puseram a cabeça do Crispian Mills dos saudosos Kula Shaker (conferir a foto acima) e que se bamboleia com aquela graça proverbial das estrelas pop inglesas. O mesmo não se pode dizer do vocalista, o verdadeiro mestre de cerimónias, que, sendo também uma versão do Jarvis Cocker, é-o porém numa versão Cantinflas com barriga de cerveja (conferir de novo a foto acima e lembrar o genial verso de Moving to LA: “I’m drinking Hennessey with Morrissey / On a beach outta reach somewhere very far away”). O rapaz move-se a electricidade, de certeza. Como se não bastasse não parar em palco, ainda aproveitou para – com ou sem microfone – se passear por toda a plateia, dançando e cantando com os únicos portugueses (mais a Alice) que não foram à Festa da Música.

E que bem que se portaram esses portugueses. Praticamente em uníssono, lá foram debitando as letras dos Art Brut, reconhecidamente das melhores da actualidade, durante Formed a Band, My Little Brother, Modern Art e todas as outras conhecidas (ok, faltaram Stand Down e Fight e escutaram-se três inéditos e um lado-b) até ao culminar inexplicável com Good Weekend, apresentado como “Our greatest hit, Number One in Japan, in Australia, in America, in Disneyland, in Narnia!”, turba descontrolada, cover do You Really Got Me dos Kinks pelo meio, guitarristas a escalarem as colunas de som, o Jarvis versão Crispian Mills a estatelar-se no chão sem perder a compostura e toda a gente, à medida que a música se ia esbatendo, a gritar “Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops!”

No fim do concerto, com aquela gentlemaship de que nos fala o Prof. Espada nas suas prelecções semanais, os artistas misturaram-se com a plebe e conversaram e beberam e distribuiram autógrafos.

Neste mundo sem certezas, saí de Leiria com pelo menos duas: uma, que I just discovered rock’n’roll, there’s a noise in my head and I’m outta control; outra, que os Art Brut são a melhor banda do mundo.

Deus, se não estiveres muito ocupado a guardar a Rainha, fica de olho neles, tá?

FMS