segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Os Virgens Suicidas



A primeira vontade que dá é a de ir até ao Coliseu dos Recreios no dia 10 de Março só para esbofetear a carinha pré-púbere do vocalista Tom Chaplin. Só para o interromper quando está a cantar de olhos fechados, com todo o sentimento do mundo, o Somewhere Only We Know (lá, lá, lá), e gritar-lhe ao ouvido: “Ó meu menino, deixa o leitinho e as angústias neo-românticas de trazer por casa e vem lá beber uma ginginha com o pessoal!”.
Essa é a primeira vontade. A segunda é a de lhe perguntar como é que ele, Tim Rice e Richard Hughes, os outros rapazes dos Keane, foram capazes de misturar o som dos Travis e dos Gene com arranjos e melodias à festival da canção (tipo canções do Chipre). A terceira é a de dizer aos cachopos que a ideia do voto de castidade é um erro que lhes vai custar caro pela vida fora. A quarta é a de acabar o sermão com um stage diving sobre a corja de adolescentes aí presente.
É sabido: os Keane são, ao lado dos escoceses Franz Ferdinand, a grande revelação pop britânica de 2004. Acabam de ganhar, imagine-se, dois Brit Awards na categoria “Melhor Revelação Britânica” e “Melhor Álbum Britânico”. Se quisermos ir por aí, os Keane são a versão assexuada dos Franz Ferdinand. Os Franz Ferdinand têm garra, atitude, criatividade. Os Keane têm pieguice. Os Franz Ferdinand têm uma, aliás, duas guitarras furibundas. Os Keane têm um piano lamechas. Os Franz Ferdinand são um grupo de artistas que ocupou uma mansão decadente em Palmela. Os Keane são um grupo de jovens com perfil de escuteiros que se junta nas noites de quinta-feira numa salinha da igreja de Arroios.
O nome do seu único álbum diz tudo sobre a idade real e emocional destes meninos de coro: Hopes and Fears. Traz 11 temas (ou faixas, se passarem numa rádio de província). 11 poeminhas sobre este mundo lixado em que vivemos, este mundo de sombras e luzes, em que um homem, sabem, às vezes sente-se só, perdido e abandonado. Tenham pena.
A questão que se coloca é tão simplesmente esta: todos nós já passámos por essa fase. A menos que tenhamos 16 anos e andemos a ler Keats e Shelley pelos bosques de Sintra. Os Keane fazem pop teen, com emoções teen, com uma pose teen - basta assistir à estética bucólica/lírica do videoclip da música que abre o álbum para perceber o imaginário. Pop teen para quem gosta de ler Eugénio de Andrade.
Sim, todos nós já quisemos ter uma banda com os amigos do liceu para mostrarmos o quão somos sensíveis e talentosos (e é de admitir que, aqui e ali, há bonitas cançonetas e melodias). Todos nós já quisemos cantar canções como This is the Last Time, todos nós já quisemos saltar na pradaria a repetir versos como «This is the last time/ That I will show my face/ One last tender lie/ And then I’m out of this place». Todos nós já fomos para os rochedos lamentarmo-nos pelo facto de toda a gente estar a mudar - menos nós. Mas depois, poças!, crescemos. Ou seja: passámos a fazer tudo isso às escondidas. NCS
(texto publicado no jornal A Capital do dia 13 de Fevereiro de 2005)

9 Comments:

Anonymous  said...

conhecem Moon Beams, The Bill Evans Trio? encontrei-o hoje na Dargil. também é adorável para o Rodrigo (http://caodeguarda.blogspot.com/2005_02_01_caodeguarda_archive.html#110840408450899164)

6:07 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Nuno, a prova que crescemos é que este ano, 2005, faz 20 (VINTE) anos que os Stone Roses compuseram I Wanna be Adored e This is the One.
20 Anos...foi em 1985.
Estamos a ficar velhos?
Nem o Paco Bandeira o diria melhor. Faz aí um opúsculo aos rapazes, e foi já há 10 que os vi na Brixton Academy!
Manchester in the Area...

Abraço
Bernardo

2:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Nuno,

Li já vários posts (só um não chegava para confirmar a tese).

Feist é música para ouvir em segundo plano? Mercury Rev podiam ser os Supertramp acidificados? Keane vs Franz Ferdinand? Até um provinciano "Poças" num texto...(não é só "faixas" meu amigo...)

As comparações podem ser úteis na compreensão de uma ideia..mas comparações sem sentido não elucidam nada nem ninguém...

Uma dica: A próxima vez que usares uma comparação...pensa bem...muito bem...para não meteres os pés pelas mãos

2:13 da tarde  
Blogger Nuno said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

2:44 da tarde  
Blogger Sumares said...

A comparação entre os Keane e os Franz ferdinand não é realmente das melhores...
Mas concordo com o que dizes sobre os Keane. E concordo com o que dizes sobre os FF.O tenebroso é que os Keane já venderam paletes de discos e os FF venderam cerca de 4000.Os Keane passam em todas as rádios. Os FF não tocam na "best" porque "é muito alternativo", não tocam na "mega" porque não sei,e não tocam na "Comercial" porque é "um produto muito jovem".

11:14 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Mas há alguém a ouvir essas rádios? Pelo menos no reino melómano achei que não...

Se queres ouvir os Franz Ferdinand - estes passam na "Radar" de dez em dez minutos...

11:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

es mesmo nojento em escreveres o k escreveste lolol

7:21 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Entao e assim... Os keane sao a melhor banda de sempre... So pessoas que nao sabem apreciar boa musica e que diz essas coisas... E meu dever dar a minha opniao e dizer tambem que tanto os keane como os franz sao exlentes grupos, mas com sonoridades diferentes...

2:09 da manhã  
Blogger Rui Ricardo said...

E a quinta vontade? Qual é? Esconder-te o teclado para deixares de escreveres parvoíces não é? Realmente se não consegues ver o talento dos rapazes, mesmo por mais lamechas que aches as músicas, é porque és um ceguinho que aí andas. Meninos de coro, é? Vê lá tu que,infelizmente, o Tom até já esteve internado para reabilitação de drogas e álcool. Os anos só vieram provar que não percebes nada disto. Comparar os Keane com os Franz Ferdinand? Qual é a próxima comparação bestial? Metallica com Tony Carreira? Cura-te rapaz, ou então vai um bocadinho mais longe do que o Tom foi quando era dependente de cocaína: MATA-TE! Sim, porque ele, felizmente, ficou só pela tentativa...

6:30 da tarde  

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