terça-feira, abril 25, 2006

6ª, 28 de Abril, todos ao Frágil


Entre 25 de Abril e 1 de Maio calha sempre bem uma festa. Uma festarola onde o povo trabalhador e oprimido faz uma pausa na jornada de luta para fazer sapateado ao som dos êxitos da revolução.
Os Quase Famosos, essa trupe de DJ’s demagógicos, providenciam o momento de relaxo e recreio.
É já na sexta, 28 de Abril, na danceteria Frágil.

sábado, abril 22, 2006

God Save Art Brut




O fim-de-semana não estava para isto. Gente séria e estabelecida, com mulheres, maridos e filhos, empacotava os trapos e rumava a Lisboa para fazer a festa da música barroca no CCB. Os suplementos culturais não falavam de outra coisa e optar por ir ver os Art Brut a uma discoteca recôndita num subúrbio industrial de Leiria faria muito pouco pela reputação intelectual de quem quer que fosse.

Ainda assim, Sua Majestade fazia oitenta anos e havia que os comemorar com dignidade. A Quinta Essência da Velha Albion esforçara-se por vir a Portugal. O mínimo que se podia fazer era pegar no carro e ir um pouco mais para Sul ao seu encontro. E assim foi. Dois yuppies da província, parcamente jantados mas livres da gravata, desafiaram o piso molhado da IP3 e da A1 para assistir a um espectáculo em que cinco rufias maltratam os respectivos instrumentos musicais.

O Sítio. Boa escolha, este Sushi Dance Club, com espaço suficiente, bares largos e acessíveis, e todo o aspecto de ser paragem noctívaga das elites culturais e sociais locais. A pedir outras iniciativas do género (pensarei em nomes e tratarei de meter a cunha a quem de direito).

A Fauna. Variada. Muita Converse All-Star, muita Adidas retro, ex-colegas de Coimbra, conterrâneos com exame de entrada da carreira diplomática daí a meia-dúzia de horas em Lisboa, leitores e frequentadores das festas do Quase Famosos, britpoppers com a cartilha estética toda, rock snobs para quem os Art Brut são bons é agora e não quando encherem Wembley e a subterrânea comunidade gótica de Leiria, que, pelos vistos, tem dedo na gerência do espaço e na organização do FadeIn (muito boa ideia, a do triunvirato feminino da bilheteira – a avaliar por posições do passado, do agrado de um certo animador deste blog).

E depois houve também a menina inglesa da tez imaculada que ainda guardava no rosto os vestígios das sardas que lhe atormentaram a puberdade inicial. Podia ser a Emily Kane da canção, mas a portuguesa que a acompanhava chamava-a de Alice. Alice destoava. O top preto às bolinhas brancas comprovava a sua fashion awareness e pela pose não parecia frequentadora de concertos rock. Lembram-se como o Mexia falou de uma das manas Stilwell?

“Muito loura e elegante, com toda uma beleza de classe que encanta certas almas reaccionárias. Uma frieza de berço que cria uma distância desafiante. Uma seriedade feita para adivinharmos cabriolices. As maçãs do rosto comandando toda uma geometria de movimentos. Uma simpatia que nunca se dá mais do que a boa educação permite. Sempre uma atitude inexpugnável, quase rochosa, mas grácil e movente. Karl Marx disse coisas pioneiras sobre as classes, e coisas definitivas também. Mas esqueceu-se de explicar a sexualidade da luta de classes, ou da distinção classista.”

Alice não era Emily Kane. Mas talvez tenha havido gente com vontade de sair de lá a cantar, como se cantou no palco, “Got myself a brand new girlfriend”.

O concerto. Se esquecermos a primeira parte dos Born a Lion, hard-rockers da Marinha Grande com baterista que é igualmente vocalista e brasileiro e cuja fisionomia é uma mistura entre Gabriel O Pensador e o gajo dos System Of A Down, foi fos melhores a que assisti. Lembrou, pelo espaço, pelos artistas e pelo seu momento (se bem que para melhor), o dos Libertines no Garage e – ainda que menos caótico - o dos Parkinsons no Le Son em Coimbra. Basicamente, foi o que o disco permite supor. Muito suor, muito movimento, muito espasmo, gente aos saltos e aos gritos, conversa constante entre o palco e a plateia.

Desconheço a história recente dos Art Brut, mas parece que o guitarrista careca que aparece em muitas fotografias foi substituído por uma espécie de Jarvis Cocker a quem puseram a cabeça do Crispian Mills dos saudosos Kula Shaker (conferir a foto acima) e que se bamboleia com aquela graça proverbial das estrelas pop inglesas. O mesmo não se pode dizer do vocalista, o verdadeiro mestre de cerimónias, que, sendo também uma versão do Jarvis Cocker, é-o porém numa versão Cantinflas com barriga de cerveja (conferir de novo a foto acima e lembrar o genial verso de Moving to LA: “I’m drinking Hennessey with Morrissey / On a beach outta reach somewhere very far away”). O rapaz move-se a electricidade, de certeza. Como se não bastasse não parar em palco, ainda aproveitou para – com ou sem microfone – se passear por toda a plateia, dançando e cantando com os únicos portugueses (mais a Alice) que não foram à Festa da Música.

E que bem que se portaram esses portugueses. Praticamente em uníssono, lá foram debitando as letras dos Art Brut, reconhecidamente das melhores da actualidade, durante Formed a Band, My Little Brother, Modern Art e todas as outras conhecidas (ok, faltaram Stand Down e Fight e escutaram-se três inéditos e um lado-b) até ao culminar inexplicável com Good Weekend, apresentado como “Our greatest hit, Number One in Japan, in Australia, in America, in Disneyland, in Narnia!”, turba descontrolada, cover do You Really Got Me dos Kinks pelo meio, guitarristas a escalarem as colunas de som, o Jarvis versão Crispian Mills a estatelar-se no chão sem perder a compostura e toda a gente, à medida que a música se ia esbatendo, a gritar “Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops! Art Brut Top Of The Pops!”

No fim do concerto, com aquela gentlemaship de que nos fala o Prof. Espada nas suas prelecções semanais, os artistas misturaram-se com a plebe e conversaram e beberam e distribuiram autógrafos.

Neste mundo sem certezas, saí de Leiria com pelo menos duas: uma, que I just discovered rock’n’roll, there’s a noise in my head and I’m outta control; outra, que os Art Brut são a melhor banda do mundo.

Deus, se não estiveres muito ocupado a guardar a Rainha, fica de olho neles, tá?

FMS

sexta-feira, abril 21, 2006

olha o indie

Alguns já devem ter reparado que ontem começou o IndieLisboa. Outros saberão que também por lá anda uma secção dedicada à música. Para aqueles que não compraram o Público, aqui fica a lista de documentários musicais que ensombrarão as vossas noites.

THE FEARLESS FREAKS
(hoje às 23h30; 2.ª, dia 24, às 23h35 –Londres)

Wayne Coyne e os seus Flaming Lips a fazerem das suas.

THE DEVIL AND DANIEL JOHNSTON
(hoje, às 23h45 –Londres)

Como não conheço, transcrevo: “daniel johnston ... personagem complexa e dificilmente catalogável. ....a doença bipolar de que sofre ... atribulado trajecto de vida ... revelar o músico admirado por Kurt Cobain ou David Bowie”.

NEIL YOUNG: HEART OF GOLD
(hoje, às 24h; sábado, dia 22, às 00h30 – King)

uma pitada de gravação de um concerto e outra a retratar o senhor “confrontado com a sua mortalidade – tinha sobrevivido pouco antes a um aneurisma cerebral ...”

SCREAMING MASTERPIECE
(hoje, às 00h30; 2.ª, dia 24, às 00h30 – King)

A cena musical islandesa a passear pelo ecrã – Björk, Mum e Sigur Rós, concertos e geysers. Também serão abordadas outros temas, como a pintura islandesa naturalista, o cinema islandês e os prazeres da literatura islandesa

RADIOHEAD TELEVISION: THE MOST GIGANTIC LYING MOUTH OF ALL TIME
(sábado, dia 22, às 18h15; 6.ª, dia 28, às 00h15 – King)

Acho que é sobre os Radiohead.

IS IT REALLY SO STRANGE?
(sábado, dia 22, às 23h30 - Londres; 5.ª, dia 27, às 18h30 – Fórum Lisboa)

Morrissey idolatrado por uma forte cena hispânica em Los Angeles.

THE LIFE AND HARD TIMES OF GUY TERRIFICO
(sábado, dia 22, às 24h; 6.ª, dia 28, às 24h – King)

músico country-rock que se eclipsou numa espiral de drogas e álcool.

LEONARD COHEN: I´M YOUR MAN
(6.ª, dia 28, às 18h30 – Fórum Lisboa)

ainda por lá aparecem o Jarvis Cocker, o Nick Cave e o Rufus Wainwright.

REC

quarta-feira, abril 19, 2006

também eu sou um groupie

Cat Power

domingo, abril 16, 2006

para uma páscoa instrumental

(ou pelo menos com cantorias reduzidas)















friends of dean martinez (lost horizon)

















savoy grand (people and what they want)

















mogwai (mr. beast)

REC

sábado, abril 15, 2006

acho que eles têm razão

"we are a little too free"

(últimas palavras de "The life pursuit" dos Belle and Sebastian)

sexta-feira, abril 14, 2006

a comer pão quente com o graham coxon


A música adequada para quem tenha acabado de acordar, após um jantar com um amigo de visita dos Açores, em que foram resolvidos os problemas da vida, discutidos os sonhos e recordadas as aventuras de veteranos, acabando por ir bater às portas das padarias e ver Lisboa a nascer do miradouro da Graça. Recriando os episódios da nossa adolescência, quando ainda vivíamos em casa dos pais, lá para os lados da Estrela. REC

quinta-feira, abril 13, 2006

medos existenciais

O facto de nomes que apimentaram a década passada, como J Mascis, Liz Phair, Stereolab ou mesmo os Flaming Lips, estarem a regressar à ribalta musical com novos discos poderá indiciar o prelúdio de um revivalismo dos anos 90? Trata-se de uma questão fulcral. Para uma geração inteira de jovens que trocavam discos dos Pixies no pátio da Escola Alemã significa que está na altura de enfrentar a vida adulta. REC

terça-feira, abril 11, 2006

music for your head / love is for your pain

Em “O desejo de ser inútil”, um livro de entrevistas e reflexões sobre a sua vida , Hugo Pratt recorda a história da chave da antiga casa do avô em Toledo, cidade da qual este tinha sido obrigado a fugir. Após a morte do avô, Pratt herda a chave, mas nunca conseguirá encontrar a fechadura correspondente. Apenas muito mais tarde, já a viver em Paris, descobre que a chave abria a porta do seu prédio. “Somos fatalmente levados a ver nisso algo de mágico: a fechadura que foi ter ao encontro da chave!”

“Sleeping on Roads” de Neil Halstead (2001), que comprei recentemente, foi o primeiro disco que veio ao meu encontro. Por estranho que pareça, ao ouvir os primeiros acordes de cada música, tive a sensação de já conhecer o disco completo. Mesmo tendo alguns trabalhos prévios do grupo de Halstead, os Mojave 3, era a primeira vez que ouvia as canções. Mas conhecia a capa, que ficou ligada a uma separação antiga. Quando o disco acompanhou, em cima da mesa da cozinha, uma última discussão azeda, acabado de comprar pela minha então namorada e quase separada. Nessa noite não o ouvi, nem nas manhãs seguintes, em que a casa ia ficando vazia de recordações e livros e eu me despedia de muitos discos.

Ao ler uma entrevista antiga de Neil Halstead, descobri que o disco começou a ser gravado pouco depois da separação da sua namorada e talvez por isso me reveja tanto na fragilidade e desejo de serenidade que o disco transmite. Nas suas histórias de desencontros e esperança, por vezes quase sussurradas. Na forma como descreve suavemente a evolução positiva desses sentimentos. Como se me tivesse acompanhado naquele período. REC

p.s. o Pedro escreveu sobre o mesmo disco no ondas – duas formas diferentes de se sentar frente à aparelhagem com a mesma capa na mão.

quarta-feira, abril 05, 2006

E não me avisaram?

Festa!

Amanhã, no Frágil, pelas 23h00, festa de encerramento d'O Acidental. A música estará a cargo da ala reaccionária do Quase Famosos (eu, o Nuno e o Eduardo), à qual se juntará, num saudável espírito de ecumenismo, misturado com vontade de estrelato e rambóia, o Ricardo. Apareçam.

FMS