quinta-feira, julho 29, 2004

reverendo Ice



Soube hoje que há um frei que faz passar a sua mensagem através do rap. Espera-se agora a retribuição da comunidade. Proponho Ice-T para celebrar a homilia na igreja dos Anjos. NCS

quarta-feira, julho 28, 2004

Bons rapazes

Smiths. Jam. Blur. Oscar Wilde. Will Self. Stephen Street. Clash. Specials. Camisas Ben Sherman. Polos Fred Perry. Casacos Harrington. Fatos escuros. Rickenbackers. Telecasters. A Inglaterra satirizada. Punk. Soul. Mods. Nunca os ouvi. Já os adoro. Depois não digam que não avisei. 

 

FMS



O Lado Bom das Más Notícias

Há vantagens e desvantagens no disco novo dos «The Cure».
Desvantagens, porque o disco serve para mostrar ainda não acabaram. Vantagens: a reacção normal de «todo o homem moderno» é correr a ouvir os antigos e perceber que ainda são muito bons.
CG

As Boas Notícias

Para um Verão descansado, aqui ficam as notícias que interessam: Está previsto para seis de Setembro o lançamento, pela Lo-Max Records, das reedições dos últimos três discos dos Go-Betweens, fase 1978-1991.
Para quem não saiba, ou esteja só a armar-se em parvo, são o "Liberty Belle and The Black Diamond Express", "Tallulah" e o"16 Lovers Lane" e constituem elementos imprescindíveis para todos que desejem compreender, e relacionar, tanto o mundo como o umbigo.
À semelhança do que aconteceu com as reedições anteriores, também estas vêm munidas de discos suplementares, com farta quantidade de singles, vídeos e raridades.
Agora podem voltar para a toalha, e esperar descansados. Só uma nota: reparem bem na data de lançamento e imaginem a promoção. Pois é, cuidado com os aviões.
Mais informações em :
http://www.jturner.dircon.co.uk/news.htm
CG

Os Cinco Melhores Falsetes da História* - porque o calor dilata a garganta e a cerveja amacia a goela

1. Beck - "Debra"
2. Neil Hannon  (The Divine Comedy) - "Charge"
3. Tim Burgess (The Charlatans) - "Judas"
4. Prince - "Kiss"
5. João Vieira (X-Wife) - "Action Plan"

*Com desdém propositado pelas acrobacias vocais dos manos Gibb.

FMS



Rammstein da Câmara Pereira

Há uns meses, em deambulação pela FNAC, encontrei dois DVD’s lado a lado, bem aconchegadinhos e ao mesmo preço (19.95 euros): “Rammstein - Live Aus Berlin” e “Nuno da Câmara Pereira ao Vivo no Coliseu”. Não resisti a trazê-los para os meus aposentos. Feita a análise comparativa que se impunha, aqui ficam duas notas. Primeira conclusão: O DVD dos Rammstein traz uma entrevista aos membros da banda em que estes surgem surpreendentemente calmos a falar sobre a vida, o amor e os passarinhos. Sim, a música deles é aterradora, mas eles são anjinhos nas entrevistas. Já Nuno da Câmara Pereira parece um cordeiro em palco (às vezes, no sentido literal), mas é, como sabemos, um verdadeiro Rammstein das entrevistas. Segunda conclusão: ao contrário do que se poderia pensar, a música de Nuno da Câmara Pereira incita muito mais à violência do que a música dos Rammstein. NCS

segunda-feira, julho 26, 2004

20 de Outubro de 2004. Aula Magna. Lisboa.

Obrigado, Deus.



via Intermitente.

FMS

sexta-feira, julho 23, 2004

No palco, outra vez



Pois, Cristóvão. Mas o homem, ou o que resta dele, ainda se arrasta para as tábuas. E, o que é mais difícil, sem dentes. FMS

No Metro, Outra Vez.

Continuando a epopeia Música no Metro, ontem ouvi o Fiesta dos Pogues na estação do Campo Pequeno. Fiquei mais descansado. Depois de anos sem saber do Shane MacGowan, descobri que nunca saiu de casa.
CG







quarta-feira, julho 21, 2004

Diz que o Shaun Ryder vai ser candidato à liderança do PS



Ontem, na mesma estação de metro onde reencontrei os B-52’ (o Rato), ouvi o “Step On” dos Happy Mondays. NCS

o primo Baltimora

Todos nós passámos por isso. Houve uma altura da minha vida em que achava que devia haver uma cela em Vale de Judeus só para os tipos que assumissem ter gostado dos Joy (sem a Division) e dos Century quando eram novos. Hoje acho que deviam ser condecorados pelo presidente da República. Passo a explicar aquilo que o Miguel Esteves Cardoso disse num artigo recente para o Blitz: as pessoas, em termos musicais (como, já agora, em termos conceptuais e sexuais) tendem a falar apenas daquilo que fica bem falar e não querem que se saiba que gostaram ou gostam de bandas, digamos, menos recomendáveis. Ou seja: quando, nos salões de chá da música alternativa, citamos os Felt e os Cranes, queremos, a todo o custo, que ninguém saiba que o nosso passado foi feito com gente chamada Baltimora ou Heart (sim, houve uma banda com este nome). O Baltimora e os Heart são os nossos primos ranhosos que nós não queremos que apareçam aos convidados. Nos salões de chá da música alternativa, queremos também ocultar que, hoje, gostamos de Robbie Williams (fica aqui dito) e que somos capazes de fazer uma coreografia em frente ao espelho ao som da Kylie Minogue (era giro, mas não é verdade). Tudo isto tem de acabar. Só não admitimos que alguém goste da “Melancholic Ballad”, dos Fingertips (continua a merecer a tortura do sono). De resto, queremos saber qual é o vosso cadastro musical. NCS

terça-feira, julho 20, 2004

O Fósforo e o Cansaço

Quando ouvi os Strokes pela primeira vez achei que estava ali a salvação. Todas as causas para os nossos efeitos.
Depois comprei o álbum e passei a dividir o mundo em dois, os que gostavam e os que não gostavam. Passei a respeitar só os primeiros. Perdi amigos, amores e cargos de gestão em empresas públicas, mas valeu a pena, há coisas que não admitem compromissos.
E a vida ia muito bem assim, até que, apareceu um disco novo. Ora, é coisa sabida que o segundo disco é sempre uma prova de fogo, isso é tão válido para os Strokes como para os Excesso e que, por isso, nunca devem gastar-se todos os superlativos antes desse teste ser superado. Mas, que diabo, neste caso o que eu queria era ouvir o disco, por isso estava disposto a abrir uma excepção, a única condição era que viesse mais do mesmo.
E veio mesmo. É igualzinho ao primeiro, mas sem metade da piada, parece uma imitação, e uma má imitação, do outro.
Vem isto tudo a propósito de uma notícia, não sei boa ou má, que dá os Strokes como fechados num estúdio caseiro, daqueles construídos à medida, durante uma série de meses, com o propósito de gravar um terceiro disco. É verdade que pode acontecer a redenção, a história está cheia de exemplos desses, de cinzas que ganham vida.
Mas, no caso de não ser, não posso deixar de pensar nas consequências que uma pequena catástrofe desse género traria à vida dos que se abandonaram à sorte do grupo.
Por isso, proponho uma reflexão; não será tempo dos admiradores tomarem nas mãos o destino dos seus ídolos? Decidir da vida e da morte, do vigor e do cansaço.
Já imaginaram, quanto ganhava a iconoclastia pop se acontecesse um acidente menor, uma pequena desgraça, suficiente para levar os Strokes a homenagearem o nome com uma morte prematura.
Guardaríamos deles a memória de artistas geniais que desafiaram as leis da morte, e que, enquanto isso, foram legando ao mundo uma imorredoira obra de arte, que nem o tempo nem o vento apagarão, etc. e tal.
Vale a pena, não vale a pena ...
Pensem bem nisso. É que está à distância de um fósforo.
C.G.

O Verão


 
Ignoro porque razão algumas pessoas menos bem formadas detestam o Verão. A mim sempre me pareceu inconcebível a existência de alguém com o coração suficientemente irrigado que não se derretesse perante as bochechas roliças do Verão e o seu olhar de criança perdida. É certo que o Verão andou trinta anos em crise psicológica, mas isso não é razão para não gostarmos dele. Hoje em dia, o Verão anda sempre comigo. E canta bem, o raio do miúdo. FMS 

Sonho de um disco de Verão


 
God only knows what I'd be without you.
 
FMS

segunda-feira, julho 19, 2004

Mon ami

Será que Mário Soares foi a Vilar de Mouros ver o Bob Dilã?
 
FMS 

sábado, julho 17, 2004

Agradecimentos

Pese embora aqui o QF não ter ainda lançado a ofensiva publicitária que o dará a conhecer à comunidade, fomos já recebendo algumas amáveis palmadinhas nas costas. Por terem tido conhecimento do projecto bem antes da sua concretização e pelas noites que passaram em claro ansiando pela nossa chegada à blogosfera, os meus particulares agradecimentos ao Diogo (companheiro de outra das minhas casas e um especialista em música para casamentos a quem a história desse estilo terá um dia muito que agradecer), ao Eduardo (que percebe melhor que ninguém o espírito do QF - já agora, Eduardo: para além do Tommy, do Sandinista! e do Blonde on Blonde, também sabemos que Scissor Sisters não é só uma posição sexual lésbica) e à Inês (que nos atribui a pesadíssima missão de iluminar os incautos quanto à genialidade em forma redonda e achatada que por aí vagueia na penumbra. É um pedido injusto e uma esperança infundada. É que aqui não se explicam opções. Aqui alimentam-se obsessões). FMS

A Arte imita a Arte


 
Oscar Wilde morreu em Paris em 1900 e, como é amplamente sabido, ressuscitou em Manchester, cerca de sessenta anos depois, com o nome de Stephen Patrick. Sob pena de ter eu que iniciar carreira literária, alguém deveria discorrer longamente e de cátedra sobre esta comprovada reencarnação. O Pedro Mexia ou o Miguel Esteves Cardoso, por exemplo. Não consta que sejam peritos em fenómenos paranormais mas, em todo o caso, percebem ambos tanto da obra do provocador irlandês como da da alma gentil dos Smiths. Morrissey mudou-se para Los Angeles no final dos anos 90, naquela que foi a mais dramática e inadvertida inversão de carreira desde a inapelável decisão de Michael Bolton de cortar os seus míticos e voluptuosos caracóis. Previu-se o pior. Não tanto o fim de carreira e mais a cedência ao sol californiano e à euforia de Hollywood. O último You Are The Quarry foi, quanto a isso, um alívio. Antes do reconhecimento artístico, antes do prazer oferecido pelo grande álbum que é, foi exactamente isso: um alívio. O Morrissey que conhecemos continua lá. Todinho. Do hedonismo ao decadentismo, da sexualidade indefinida à tristeza infinita, da auto-flagelação aos pequenos e encriptados ajustes de contas pessoais. Todinho. E, por esta via, continua devedor e seguidor de Wilde. Com a diferença de que desta vez a influência é particularmente ostensiva.  Poder-se-ia falar do escárnio de America Is Not The World, não fora o tom definitivamente unMorrissey, mais perto da vulgaridade do Fórum TSF do que da graciosidade e do wit de Lord Henry Wotton. Falemos antes de Irish Blood, English Heart (“I will die with both my hands untied”), que lembra o heroísmo suicida vestido de orgulho celta dos últimos dias de Wilde em liberdade. Ou de I Have Forgiven Jesus (“for all the desire He placed in me”), que remete para a religiosidade adquirida nos seus últimos dias de vida. Do ódio à banalidade (“The World Is Full of Crashing Bores”). Da relação conflituosa com a imprensa (“The whispering may hurt you, but the printed word may kill you” – e aqui Morrissey só pode estar a falar de Wilde). Da atracção latente pela languidez de corpos masculinos em bando e desocupados (“All the lazy dykes, they pity how you live, ‘just somebody’s wife’, you give, and you give, and you give, and you give…”), e pelo abismo, que se oferece como a solução inevitável para uma vida de contradições e frustrações, uma vida dedicada à decadência do excesso sentimental (“Jesus – do you hate me? Why did you stick me in self-deprecating bones and skin?”). Morrissey é interiormente o que os Duran Duran só conseguiram ser visualmente. E tendo, porém, o corpo junto ao Pacífico, a alma, essa, continua onde sempre esteve: “under slate-grey victorian sky”. FMS

Pedalemos, irmãos



Um dos momentos melhores do inesquecível (porque, ao contrário do que a pose estática dos «rapazes» poderia sugerir, caloroso) concerto dos Kraftwerk no Coliseu foi a altura em que passaram em revista alguns dos momentos do álbum «Tour de France» - que, nesta altura em que os ciclistas se fizeram à estrada, tenho andado a ouvir aqui no computador. Atrás dos cubos de gelo de Dusseldorf, passaram imagens de várias épocas da famosa Volta, numa montagem ágil que acompanhava o batimento cardíaco da música. Pelos vistos, os alemães gostaram de cá estar - segundo li, vão juntar-se aos obrigatórios Franz Ferdinand no Sudoeste deste ano. Pedalemos, pois. NCS

quinta-feira, julho 15, 2004

Se houvesse uma só canção na vida, qual é que gostavam que fosse?
Não vale usar truques como medleys ou uma conversão rápida ao Budismo. Uma vida, uma canção, no melhor espírito Bob Marley.
Pois a minha é de um grupo de que eu não gosto. Chama-se Hey Fever! e bastava-me por 78 anos.
Os Arab Strap, que criaram a coisa, são um grupo de escoceses carrancudos. Daqueles que passam uma vida inteira a ver chuva, neve e kilts o que, como se compreende, acaba por condená-los à busca da Beberrónia. Continente perdido, onde habitam os beberrões e o vinho é de consumo obrigatório. Por essas razões, mas também por outras, choram aquele pranto ébrio, o mesmo que antes já foi cantado tanto pelo Alfredo Marceneiro como pelo Tom Waits.
Sucede que, entre os soluços, também andam de autocarro. E foi no autocarro que se descobriram seguidos por um rapaz ruivo.
Indecisos entre ignorá-lo e sová-lo, decidiram convidá-lo para tocar qualquer coisa.
Ora, aqui começa a história. À depressão dos Arab Strap fazia falta uma pitada daquela alegria estúpida e infantil, própria de quem ri por tudo e por nada. E era isso que o rapaz ruivo se propunha emprestar.
O resultado foi Hey Fever! uma viagem entre a febre dos fenos e o Travolta.Imaginem um grupo Soul da América profunda, dentro de uma garrafa de Whisky a encher-se de bolos de arroz. É isso mesmo, impossível.
Resta explicar que a restante discografia dos Arab Strap é o exacto oposto da Coca-Cola do Pessoa : Primeiro entranha-se, depois estranha-se.
Começa por ser um exercício curioso de lentidão e fadiga. Depois passa a ser só cansativo, porque continua a ser lento e arrastado. Ao fim de um quarto de hora, o tom lento e arrastado ultrapassa a fronteira do tolerável.
Por isso, depois do Hey Fever! deixei-os na paz embriagada onde ainda repousam.
E o que é que aconteceu ao ruivo que conseguiu puxar os Arab Strap para o reino do amor e da cor, ainda que só durante três minutos?
Seguiu a sua vida, formou um grupo só seu e, pelo caminho, escreveu a canção que eu escolheria, se tivesse de escolher uma só canção para o resto da minha vida, chama-se The State That I Am In.
O grupo, já perceberam, são os Belle And Sebastian.

O dia em que o DJ do metro não passou Richard Clayderman


Simpática supresa. No princípio da tarde de ontem, a estação de metro do Rato passou uma música dos B-52’s. Gente conhecida, portanto. Apresentei-me aos B-52’s por volta dos 16 anos, altura em que uns amigos mais velhos abriram-me os olhos para “novos” géneros musicais. Eu estava metido nos Pixies, nos Pale Saints e nos My Bloody Valentine e eles mostraram-me, entre muitas outras coisas, o jazz de Miles Davis e dos Weather Report, o virtuosismo com alma de Prince, os estranhos sintetizadores dos Cabaret Voltaire e a música alienada de um grupo retirado de um filme de ficção científica dos anos 50. Pop, rock, punk, surf, new wave, rockabilly, funk – é, como sabemos, desta sarcástica misturada que se faz a festa dos B-52’s. Conheci sobretudo músicas dos álbuns "The B-52's" e "Bouncing Off The Satellites", mas, confesso, fui também seduzido pelo universo mais cantarolável de "Cosmic Thing". Para a História da música ficará o flirt entre as vozes abertas e claras de Kate Pierson e Cindy Wilson e a vozinha irresistivelmente irritante de Fred Schneider, uma espécie de Mark E. Smith sem problemas de classe. Bateu-se o pé no metro de Lisboa. O Quase Famosos agradece ao DJ de serviço. NCS

quarta-feira, julho 14, 2004

Discos Perdidos, vol. 1; cap. 1.

Meus senhores, minhas senhoras, restante comunidade indistinta, eis o primeiro exemplo daquilo que é um disco perdido. Atende o produto pela designação Coastal e fica a dever-se à maquinação engenhosa dos Field Mice.
E porque é que este é um bom modelo de disco perdido?
Bom, a questão é pertinente, podemos começar por apontar o facto de ninguém o conhecer, o que é desde logo um forte indício de disco perdido. Depois, há também a circunstância de dificilmente alguém puder apontar uma pessoa, que não esteja ligada aos autores por laços familiares ou afectivos, que tenha, de facto, gasto dinheiro com o disco.
Mas eu gastei, o que me confere a vantagem moral de poder estar aqui a pregá-lo, enfim continuemos.
Factos:
Ano de edição – desconhecido;
Ano de compra – 1993 (sim, sou um desses tarados);
Editora – Sarah Records;
Contribuição inestimável para a história da música – uma;
Qual – This Love is Not Wrong;
Pergunta - Mas essa canção não é, como é que posso dizer isto, ...um bocado gay.
Resposta – É, mas isso não interessa nada, para já porque nada me move contra a mariquice, depois porque é aqui que encontramos o mais inspirado baixo da história recente da pop. A boa música não tem género, nem musical nem sexual.
Pergunta: Mas, insisto, como é que o In The Navy e o Y.M.C.A. se tornam grandes hinos do movimento alegre, quando uma melodia tragicamente inspirada, ainda por cima acompanhada por um poema que faz realmente sentido, fica esquecida numa prateleira qualquer, na esperança de que a vinda de uma civilização inteligente a leve até aos bancos da escola, onde servirá para mostrar quais são e como soam os fundamentos da pop?
Resposta: Porque, seja quem for que determina a banda sonora que há-de conotar-se com a homossexualidade, padece de ignorância grave e de estupidez sem limites.
Pergunta - E, nesse disco, há mais para ouvir ?
Resposta – Pfff, isso é desconhecer a história da Sarah Records, havemos de voltar a ela noutra oportunidade. O disco tem 78 minutos e pode ouvir-se todo muito bem. O talento dos Field Mice não se esgotou naquela canção. Há até outros álbuns, que posso facultar a quem demonstre suficiente interesse e dinheiro.
Despedida - Então, até à próxima.
Réplica – boas-tardes, foi um prazer.
C.G.

canção de circo



«Nobody wants you when you’re/ A circus clown» Magnetic Fields

Não escrevo uma análise sobre o álbum, nem faço comparações injustas com "69 Love Songs". Digo apenas que a minha música do momento é “I Looked All Over Town”, do último "i". Tenho-a ouvido todas as noites, antes de dormir. Está lá tudo o que define os Magnetic Fields: uma melodia estupidamente simples, a voz melancólica e auto-irónica de Stephin Merritt, a poesia limada e rigorosa sobre a solidão dos homens. NCS

segunda-feira, julho 12, 2004

Cockney Rebel



Não há ninguém a quem eu tenha secretamente imitado tanto como Graham Coxon, de quem invejei já tudo, dos jeitos aos trejeitos. A pose estática em palco, a figura esguia, de olhar fixado no chão, distante e alheio. Os óculos à Buddy Holly e a indumentária retro, programadamente gasta e coçada. A pronúncia deliciosamente cockney e a morada com Camden pelo meio. Mas, acima do estilo, acima mesmo da substância, o que mais invejo em Coxon é o ter já sido o que sempre quis ser: o melhor saxofonista da escola primária, fundador da melhor banda do mundo , com a qual conheceu e conquistou o mundo, e o melhor e mais original guitarrista da sua e de todas as gerações. Nunca uma Telecaster se contorceu tanto em espasmos de espanto e, quando menos se espera, contenção. Numa tarde de 1994, falando aos jornalistas na véspera do concerto dos Blur no Alexandra Palace (Ally Pally para os amigos), Graham ironizou quanto ao que lhe faltava fazer. Faltava-lhe fazer um disco de que ninguém gostasse. E até isso quase conseguiu, numa carreira a solo que começou com belíssimas odes declamadas a Nick Drake mas resvalou perigosamente para a escuridão do menos recomendável skate-hardcore dos anos 80, do qual se aproximou ainda durante (et pour cause?) a tristeza dos seus últimos anos nos Blur. No novo "Happiness in Magazines" redime-se, finalmente, das trevas e deixa a luz entrar na caverna. A luz de Stephen Street, o produtor mais sortudo de todos (trabalhou com os Blur e com os Smiths - need I say more?). O resultado são grandes canções pop, as melhores melodias do Verão, com sha-la-las em barda e - valha-nos Deus - solos de guitarra. Em "Bittersweet Bundle of Misery", Graham canta que "there´s no such thing as happily ever after". Felizmente, o contrário também é verdade. FMS

Discos emprestados

Não tenho uma relação de posse com os discos. Gosto que me levem a discalhada – já emprestei CD’s quase sem os ouvir – e gosto de chegar às prateleiras alheias e abusar nas escolhas. Fica já o aviso: nunca me emprestem coisas. Tenho o terrível vício de levar anos (às vezes décadas) a devolver o que me emprestam. (Esqueçam, não vos vou falar de uma namorada que, em 86, pedi emprestada a um tipo que estava a passar na rua). Na sequência de ser alvo de vasta chacota e de um conjunto de difamadores ter sugerido que entre mim e o Vale e Azevedo há uma leve semelhança, resolvi empilhar os discos – e os livros, as arcas frigoríficas e as perucas - que tenho de devolver à procedência.

Aqui estão alguns desses objectos «furtados»:

- «Mahogany Brown» , de Moodymann (sim, João, sou eu que o tenho; aliás, acabo de o ouvir e fico aliviado por saber que a tua vida não teria sido muito diferente se tivesses ficado com este inofensivo disco de Soft-House-Lux-Bar-Lá-de-Cima em casa).
- «The Evening Visits...», The Apartments (sim, Cristóvão, escusas de virar a casa do avesso e de chamares nomes à empregada; não é ela que está a ouvir esse fabuloso disco de uma das raras bandas australianas que conseguem fazer frente aos Go-Betweens - sim, ainda há os Triffids e os míticos Cangurus Atómicos).
- «Drift», The Apartments (sim, Cristóvão, se me devolveres os discos que te emprestei o ano passado e dos quais já não me lembro o nome, poderás voltar a ouvir este disquinho que - por acaso - ainda te pertence).
- «A Ópera Mágica do Cantor Maldito», de Fausto (como eu te percebo, Nuno, ao quereres ver-te livre desta chatice pegada que faz termos saudades dos melhores momentos de «Por Este Rio Acima»). NCS

sábado, julho 10, 2004

Fame, Fame, fatal Fame

Conheço três razões para escrever num Blog; duas que não interessam agora e a possibilidade de dar a conhecer os discos que nunca ninguém ouviu.
É só para isso que aqui estou, porque tenho dificuldade em compreender como é que certos discos passaram, pelo tempo e pelas pessoas, sem que ninguém lhes ligasse nenhuma.
Mais do que a guerra ou do que a fome, é este o tipo de injustiça que é preciso reparar. E esta é uma maneira de minorar as injustiças.
Se o Super-Homem tem a capa, o Hulk o mau feitio e aquelas calças elásticas que o salvam do embaraço, nós temos, a partir de agora, a possibilidade de escrevinhar meia-dúzia de palavras e achar que há alguém, algures, que nos liga alguma coisa. Bem vistas as coisas, podia ser pior...

sexta-feira, julho 09, 2004

O princípio


porque as primeiras coisas devem vir primeiro. PAS

quarta-feira, julho 07, 2004

Onde se responde à questão “por que raio estes gajos tiveram a ideia de criar mais um blog sobre música?”

Quando formos grandes (pronto, um bocadinho maiores), queremos ser venerandos críticos musicais. Ou seja: queremos que uma empregada moldava nos traga à poltrona os discos enviados pela editoras e depois fazer criativos copy/pastes de crónicas de revistas estrangeiras online. Por enquanto, vamos treinando neste blog.
Porquê este título? Porque soa bem. Ah, e também porque “Almost Famous”, de Cameron Crowe, diz alguma coisa a estas quatro melómanas criaturas (não, não é só a Kate Hudson). Atrás das carcaças de cada um dos elementos deste “gang of four”, há uma combinação entre William Miller, o sonhador rapaz que agarra a hipótese de escrever um artigo para a “Rolling Stone”, e Lester Bangs, o cínico crítico musical; entre um miúdo cheio de paixões musicais e um homem experimentado que, no meio das suas avalanches de vinis, aconselha William a não se deslumbrar com essa gente da música.
Quase famosos é também o estádio máximo atingido por algumas das bandas alternativas com que crescemos – os Smiths, por exemplo, a quem vamos roubar uma epígrafe onde está a base do nosso sentimento em relação à importância das canções nas nossas vidas (espaço para recordar todos os lugares comuns sobre a música e a existência; obrigado).
Tudo isto para dizer: editoras, podem começar a mandar-nos discos.

Os Quase Famosos

Cristóvão Gomes
Francisco Mendes da Silva
Nuno Costa Santos
Pedro Adão e Silva