quinta-feira, junho 30, 2005

Twice the humbling sun

Por estes dias, a Old Estefânia está geminada com a Old Jerusalem. NCS

quarta-feira, junho 29, 2005

Ainda a Escócia no centro do mundo


Dão-se alvíssaras a quem identificar o fotografado (ou uma cerveja grátis na Festa do Quase Famosos). PAS

do entrismo

Queria só chamar a vossa atenção para o facto singelo do Billy "Red" Bragg estar a tocar desde ontem no Acidental. Ainda os vamos ver a vociferar "CGTP-in, unidade sindical".PAS

terça-feira, junho 28, 2005

Só para dizer

que conheço um gajo que já esteve em palco com os Belle & Sebastian.

FMS

Uma grandessíssima banda



«O cantor deles é um tipo que escreve letras muito apuradas, corrosivas sem nunca cair no cinismo, histórias e situações encenadas com grande inteligência – o que ultimamente é muito raro em Inglaterra. Tenho imensa inveja desse sentido inato da melodia que têm os Belle and Sebastian, ou que tinham os Monkees, essa maneira fenomenal de encadear as notas de tal forma que nunca conseguimos dissociá-las», Mark Eitzel

(citação roubada a um artigo antigo do Cristóvão Gomes - da altura em que ele ainda escrevia sobre música; lembram-se? - sobre If You’re Feeling Sinister)


Há aí uns tipos que dizem que os Belle and Sebastian são um grupo para assexuados - a puxar assim para o mariconço. Mais: há aí uma malta a gritar ao mundo a sua virilidade musical, afirmando que os Belle and Sebastian são musiquinha para gente que acha que sexo é ler um poema de Keats debaixo de uma árvore afeminada (habitada por uma colectividade de pássaros travestis).
Há aí uns artistas a sublinhar que os Belle and Sebastian são uma fraude. Que, em termos musicais, não valem um caracol (neste caso, um caracol gay). Pois bem, eu acho que tudo isso é verdade. E até digo mais: é por isso que gosto tanto deles. (E é por isso também que a minha mulher e o meu filho estão aqui ao pé do computador a olhar para mim com um ar algo angustiado).
(Calma, já vou retirar algumas das palavras que escrevi acima. Só queria ter o prazer de começar a crónica desta maneira. Antes de mais, vou retirar a palavra ‘malta’; já não se usa e, afinal de contas, isto não é uma recensão sobre o último concerto do Janita).
Depois do capricho, sejamos, então, directos - e científicos – nisto. Sejamos até um bocadinho violentos (faz falta de vez em quando uma certa rudeza melómana). Os Belle and Sebastian são uma grandessíssima banda. Ou foram uma das melhores bandas que andaram por aí (os últimos álbuns são francamente uma desilusão).
O argumento para defender a tese é tão somente este: não é qualquer bandeca que é capaz de compor um tema tão sublime e eterno como A Century of Fakers, incluído em Push Barman to Open Old Wounds - a recém-saída compilação de EP’s do grupo. Desprezar uma canção como A Century of Fakers – reduzi-la a nada – é inclusive da ordem da tolice. Estou tão seguro disto que até vou mais longe: não entender que Century of Fakers é uma cançoneta do caraças (em qualquer investida pela História dos territórios indie) é não perceber uma lesma (uma lesma hetero, ok) de música.
Não me fico por aqui. E Lazy Line Painter Jane? E The State I Am In? E Belle and Sebastian? E – talvez sobretudo – Put the Book Back on the Shelf?(só para falar no primeiro disco da compilação). Admito que se possa não gostar da estética frágil-literária-campestre (e que se queira partir a cara aos meninos por causa disso). Mas esse impulso inteiramente legítimo não devia - entre gente musicalmente instruída - ser transformado numa espécie de desatenção militantemente totó à qualidade melódica (e de letras) superior da coisa.
Do segundo disco destacam-se (como verdadeiras papoilas saltitantes) Slow Graffiti, Winter Wooskie e Take Your Carriage clock and Shove It. Mas prefiro passar a tarde a ouvir - em loop - um clássico (quase todos os temas são clássicos, mas há uns mais apurados do que outros) chamado This is Just a Modern Rock Song. Um tratado sobre a arte de escrever canções. Canções simples. Quanto mais simples, melhor. Sem qualquer tipo de heroísmos pelo meio, por favor. NCS
(texto publicado no jornal A Capital)

Reacção à reacção


Sem saber ler nem escrever, fui, sem consulta prévia, colateralmente envolvido nas actividades da reacção. Protesto e resisto.PAS

(...)Then raise the scarlet standard high
Beneath its folds we'll live and die
Though cowards flinch and traitors sneer
We'll keep the red flag flying here
(...)

Billy Bragg, The Red Flag

segunda-feira, junho 27, 2005

Suor sem sangue e lágrimas



Não sei o que é que vocês andam a ouvir, mas eu escolhi "Jump Leads", dos Fila Brazillia (que belo disquito este, saído em 2002), para me fazer companhia na operação de mudar de t-shirt umas 24 vezes por dia. NCS

sexta-feira, junho 24, 2005

O Quase Famosos pede ajuda aos leitores

A pedido de muitas famílias, o Quase Famosos começou a organizar a sequela da festa que há uns meses ocorreu na discoteca Europa, ao Cais do Sodré.

No entanto, estes que assinam têm-se debatido com graves dificuldades quanto ao local da farra. O velhinho Europa, depois do sucesso da primeira festa QF, tornou-se um ponto de passagem incontornável da movida noctívaga lisboeta e vive hoje dias pouco consentâneos com o ambiente generalizado de crise.

Entretanto, o QF dirigiu-se a outras casas de respeito para apresentar a sua proposta, sendo que de todas teve como resposta qualquer coisa entre o "Sabemos que da última não passaram Chico Buarque, por isso esqueçam", "Vão mas é trabalhar, malandros!" e "Já temos os fins-de-semana todos cheios com as noites folk-progressivas do Nuno Rogeiro".

Posto isto, vem o Quase Famosos solicitar a amável ajuda os seus leitores e amigos que conheçam locais indicados para o evento e, se possível, os respectivos contactos.

A coisa é para decorrer durante um fim-se-semana de Julho, em Lisboa.

As sugestões deverão ser deixadas na caixa de comentários imediatamente abaixo ou no endereço quasefamosos@hotmail.com.

As ajudas serão devidamente recompensadas.


Os Quase Famosos

Cubos estranhamente religiosos



Aqui vai a minha contribuição, Pedro. Um abraço. NCS


"Deus", The Sugarcubes

Björk
Deus does not exit.
But if he does, he lives in the sky above me,
In the fattest largest cloud up there.
He's whiter than white and cleaner then clean.
He wants to reach me.

Deus does not exist.
But if he does I always notice him.
Getting ready in his airy room.
He's picking his gloves so gently off.
He wants to touch me.

I'm walking humbly down a tiny street
Pulling my collar it gets bigger, woooh

Einar
I once met him,
It really surprised me,
He put me in a bath tub,
Made me squeeky clean,
Really clean.

Björk
To create a universe
You must taste
The forbidden fruit.

Einar
He said hi. I said hi,
I was still clean.

Björk
Deus does not exist,
But if he does he'd want to get down from that cloud,
First marzipan fingers then marble hands,
More silent than silence and slower than slow,
Diving towards me.

My collar is huge room for two hands,
They start at the chest and move slowly down.

Einar
I thought I had seen everything,
He wasn't white and fluffy,
He just had side burns,
He just had side burns,
And a quiff,
He said hi.
I said hi. I was still clean,
I was squeeky clean.
I was surprised.
Just as you would be.

Einar & Björk
Deus, Deus, Deus, Deus
Björk
He does not exist

( Repeat 'til the end )

Art Brut (que não conhecia e que passei a querer conhecer ao pormenor)

O Miguel anda a rodar muito boa música. Ora, ouçam o temazinho que ele tem desta vez na secção "Play it, Sam". NCS

quinta-feira, junho 23, 2005

De facto, o meu clube é outro



O que querem que faça? Nasci com esta inelutável fraqueza hooligan. E para mim o futebol é para ser jogado rasgadinho e a alta velocidade.

Mas a música brasileira também me é simpática. É assim tipo o Belenenses.

FMS

Super-Heróis


Just for the record. 5/6 dos quase famosos cruzaram-se hoje, em plena Avenida da Liberdade, depois de almoço, com este senhor. A tendência Gallagher revelou-se relativamente indiferente. O costume. Uma tristeza. Não tarda há cisão no blog. PAS

quarta-feira, junho 22, 2005

Interlúdio

Só para registar o agrado com que reparo que o João Pedro Sousa começa a ser presença habitual nos comments do QF. O João Pedro é um ex-colega dos tempos da Universidade, um fellow britpopper que me trata, muito civilizadamente, por mate e, principalmente, co-autor do melhor programa de rádio de Portugal. Só para quem habita a região de Coimbra.

Eu só não lhe dou trela aos comentários porque já sei o virá na resposta: "Olha lá, ó Francisco, quando é que me devolves a minha edição especial do Different Class?"

Pois. Provavelmente no dia 5 de Agosto, na primeira fila do Sudoeste. Mad for it!

FMS

Sorry I'm late



É costume dizer-se que sem os Velvet Underground nunca os Modern Lovers teriam existido (os Modern Lovers e mais um exército de milhões de bandas de imberbes inadaptados - em todo o caso, como dizia Confúcio, isso agora não interessa nada). Mas também é possível que os Velvets só se tenham juntado e gravado a discalhada que gravaram para que um dia pudéssemos ter os Modern Lovers. Aí, ainda que desvirtuando a ordem cronológica das coisas, a conclusão seria a contrária: sem Jonathan Richman e restantes gentlemen, não teria havido a pandilha de Lou Reed.

Isto para dizer o quê? Pouca coisa: que só hoje, vinte e cinco anos desde o seu nascimento, se dignou este que assina a comprar o disco cuja capa se reproduz acima. Conhecia a maioria dos temas, de compilações e audições avulsas, mas desconhecia "Astral Plane", um manifesto pastiche dos Doors e, portanto, uma incontestável excrecência. Não havia necessidade. Já foi devidamente afastada do iPod.

FMS

Cristinas Pristinas



Os Hefner deram mau nome ao Cristianismo, alardeando interpretações erradas do mesmo. «Christian Girls should be kept pristine and totally devoid of pain»? Not bloody likely, mate.

Ainda assim, vai para a lista.

4. Hefner, «Christian Girls», Boxing Hefner (2000)

Now I believe an angel crossed my path and realised,
That the hair on my head will be pass my chin when I’ve earnt this type of
prize.
The scent that she brings makes me feel alright like the pleasure of sleeping safe tonight,
But I won’t sleep tight ‘til I know she’s been cleaned from her
toes to the top of her head.

Christian Girls should be kept pristine and totally devoid of pain,
I can’t hold back the rain, the dirty, dirty rain.
Gloria’s freckles just titter and tease, but they’re no bloody use to
me,
No bloody use to me.

Too much telly and too many books and so many films to keep me hooked,
But the idea of sex seems so bleeding stale when her heart is as big as a house.
And the red, red lips just keep reminding me of Sarah Brown,
And the cool, cool breeze makes me feel like settling down.

Christian Girls should be kept pristine and totally devoid of pain,
I can’t hold back the rain , the dirty, dirty rain.
Gloria’s freckles just titter and tease, but they’re no bloody use to
me,
No bloody use to me.

It’s a shame that she feels this way, to my hearts dismay I want to kiss all
her fingers.


FMS

Tempo para tudo



Em 1965, os Byrds já faziam música divina, com o jingle-jangle das Rickenbackers e a electrificação (avant la lettre) do Dylan. Ainda assim, um dia resolveram juntar-lhe o capítulo III do Livro de Eclesiastes.

Mais uma para a tua lista, Pedro.

3. The Byrds, «Turn! Turn! Turn! (To Everything There Is a Season)», Turn! Turn! Turn! (1965)

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven

A time to be born, a time to die
A time to plant, a time to reap
A time to kill, a time to heal
A time to laugh, a time to weep

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven

A time to build up,a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones, a time to gather stones together

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven

A time of love, a time of hate
A time of war, a time of peace
A time you may embrace, a time to refrain from embracing

To everything (turn, turn, turn)
There is a season (turn, turn, turn)
And a time for every purpose, under heaven

A time to gain, a time to lose
A time to rend, a time to sew
A time to love, a time to hate
A time for peace, I swear it’s not too late


FMS

New FADs


A percussão e a baixada dos LCD deram-me vontade de voltar a ouvir estes ilustres manchesterianos quase desconhecidos (quem quiser e não tiver tanto calor assim, que partilhe comigo lágrimas e histórias sobre os New FADs; obrigados). NCS

Quatro notas gratuitas sobre o concerto de ontem




- Gostei.
- Cuidado, ó LCD Soundsystem. Vocês também têm a vossa Yoko Ono.
- Pelo crescendo da percussão, estava à espera que, a qualquer momento, aparecessem em palco os Tocá Rufar.
- As pessoas que estavam lá em cima, nas laterais, devem, segundo um amigo, ter recebido aqueles convites das empresas. Pareciam mesmo, pela sua solene rigidez (cá em baixo, havia saltos e gritos e fins de namoros), funcionários de uma seguradora. NCS

“I was there”


O disco é daqueles que entusiasma ao início, mas que depois fica para um canto e não se ouve mais. Mas isso é o disco. Ao vivo a história é outra e nos concertos o que se passa é mesmo História. Ontem no Lux, condensado numa hora, assistiu-se a uma breve antologia de toda a música feita nas últimas décadas (pronto, quase toda) – o “I was there”, mesmo não se tendo estado, do “Loosing my edge”. É isso que os LCD fazem: juntam citações. E o estranho é que não soa a pastiche. Pelo contrário, a coisa entusiasma, a malta dança muito e, acima de tudo, fica com uma inveja do caraças. Eu, quando for novo, quero estar em cima de um palco a obrigar as pessoas a ouvirem as músicas de que gosto e que ouço em casa. Se, para além do mais, as conseguir juntar todas e rescrevê-las, melhor ainda. A vida pode ser do caraças: o James Murphy, que é um rapaz já entradote mas que se comporta, e bem, como um adolescente, que o diga. Esta noite, há mais no Lux. Mas a ideia que com que fiquei é que a esta hora, pelo menos o baterista ainda está a tocar, num ritmo estupidamente quadro e igualmente frenético que ainda soa na minha cabeça.
Todos os discos, todos os instrumentos e, ainda assim, ficamos sem saber o que queremos realmente. Tudo? PAS

(...)

But I'm losing my edge to better-looking people with better ideas and more talent.
And they're actually really, really nice.

I'm losing my edge.

I heard you have a compilation of every good song ever done by anybody. Every great song by the Beach Boys. All the underground hits. All the Modern Lovers tracks. I heard you have a vinyl of every Niagra record on German import. I heard that you have a white label of every seminal Detroit techno hit - 1985, '86, '87. I heard that you have a CD compilation of every good '60s cut and another box set from the '70s.

I hear you're buying a synthesizer and an arpeggiator and are throwing your computer out the window because you want to make something real. You want to make a Yaz record.

I hear that you and your band have sold your guitars and bought turntables.
I hear that you and your band have sold your turntables and bought guitars.

I hear everybody that you know is more relevant than everybody that I know.

But have you seen my records? This Heat, Pere Ubu, Outsiders, Nation of Ulysses, Mars, The Trojans, The Black Dice, Todd Terry, the Germs, Section 25, Althea and Donna, Sexual Harrassment, a-ha, Pere Ubu, Dorothy Ashby, PIL, the Fania All-Stars, the Bar-Kays, the Human League, the Normal, Lou Reed, Scott Walker, Monks, Niagra,

Joy Division, Lower 48, the Association, Sun Ra,
Scientists, Royal Trux, 10cc,

Eric B. and Rakim, Index, Basic Channel, Soulsonic Force ("just hit me"!), Juan Atkins, David Axelrod, Electric Prunes, Gil! Scott! Heron!, the Slits, Faust, Mantronix, Pharaoh Sanders and the Fire Engines, the Swans, the Soft Cell, the Sonics, the Sonics, the Sonics, the Sonics.

You don't know what you really want.

Coisas simples


ou de como uma coisa complicada, se torna simples. PAS

terça-feira, junho 21, 2005

LCD is playing at my house



um interlúdio na dinâmica religiosa que se tem tornado hegemónica, logo à noite e amanhã, no Lux. PAS

Jarvis Jesus Cocker Christ



Nunca as lower classes foram tão glamorosas como nas letras que Jarvis Cocker escreveu para os Pulp. Se calhar - e aqui fala um filho adoptivo da aristocracia - porque nunca foram, de facto, na vida real, assim tão glamorosas.

(Vê lá mas é se curas esse pedantismo)

Em todo o caso, é uma visão glamorosa das dificuldades quotidianas, das ânsias hedonistas de subúrbio, da fragilidade da condição e, ainda assim, da perenidade dessa mesma condição. Sempre com muita autobiografia pelo meio.

Como na letra transcrita, mais um contributo para a investigação proposta por Sua Excelência o pai desta merda toda a que chamamos "blogosfera portuguesa".

2. Pulp, «Dishes», This Is Hardcore (1998)

I am not Jesus though I have the same initials -
I am the man who stays home and does the dishes.
And how was your day?
Is that woman still trying to do your head in?
A man told me to beware of 33.
He said,
"It was not an easy time for me"
but I'll get through
even though I've got no miracles to show you.

I'd like to make this water wine
but it's impossible.
I've got to get these dishes dry.

I'll read a story if it helps you sleep at night.
I've got some matches if you ever need a light.
Oh I am just a man
but i'm doing what I can to help you.

I'd like to make this water wine
but it's impossible.
I've got to get these dishes dry.

And I'm not worried that I will never touch the stars
cos stars belong up in heaven
and the earth is where we are.
Oh yeah.

And aren't you happy just to be alive?
Anything's possible.
You've got no Cross to bear tonight.
No not tonight.
No not tonight.
I am not Jesus though I have the same initials.


FMS

Godspel



1979. Enquanto Londres e Nova Iorque eram varridas pela (nova) vaga do pós-punk, no Alabama, Bob Dylan convertia-se ao cristianismo e gravava Slow Train Coming. As constantes referências bíblicas terão chocado alguns fãs menos exigentes. Mas, com o passar do tempo, também estes haveriam de perdoá-lo.

Deste disco (há muito no meu Dylan top five) sugiro-te duas: Man Gave Names to All the Animals e Gotta Serve Somebody.

ENP

Arrastão sonoro



Vamos aos factos. Há uns meses atrás, num conspurcado posto de escuta da FNAC, dei uma brevíssima ouvidela no disco dos rapazolas. Provavelmente estava com fome, frio, sono, rinite, comichão nas gengivas ou com medo de me cruzar com o Fernando Aguiar. Não, não apercebi da força e do talento que havia ali dentro. E, enquanto erguia a bica cheia, comentei isso lá no café do bairro. De dedo mindinho apontado às estrelas, pois.
Só no outro dia fui finalmente convocado pela mais cristalina das evidências. Recupero aqui o poético momento: estava a cruzar uma esquina, com a mão direita na algibeira, a mão esquerda a segurar o 24 Horas e o pensamento em Kierkegaard, quando fui abalroado pelo volumoso corpanzil da dona Lubélia. Logo que caí redondo na calçada, a dona enfiou-me uns headphones nos ouvidos. Foram três horas ali no chão a ouvir o disco. Que acabaram quando descolei o post-it que tinha colado na testa: «Toma lá cuidado antes de falares! Ass: Clube de Fãs dos Bloc Party da Junta de Freguesia da Pena». (Já não me acontecia uma destas desde que a minha casa foi alvo de uma destrutiva investida pelo Clube de Arrumadores Fanáticos da Björk).
Do que mais gosto em Silent Alarm é justamente daquilo de que não apercebi numa ligeira audição – uma energia rara. Uma energia vulcânica. Imprimida, antes de mais, pelo frenesi da bateria. Depois há o vocalista. A voz do vocalista negro (coisa rara neste tipo de bandas e de música), a fazer lembrar ora o primeiro Robert Smith ora o Damon Albarn na sua versão mais rockeira. Apesar disso, fulgurante e original.
Vamos lá a ser claros: os Bloc Party entram nas nossas melancólicas vidinhas e levam tudo consigo. Silent Alarm é, na verdade, um arrastão sonoro. Um tipo ouve aquilo e sente os órgãos todos a mexer. A serem levados. Arrisco: é o som que vai marcar as festas indie deste Verão – que terão lugar, como não pode deixar de ser, um pouco por todo o mundo, em lugares subterrâneos e urbano-depressivos. Com charros do Dubai a passar de mão e mão.
Há aqui uma generosa e despudorada dose de vertigem adolescente. O que pode tornar ainda mais viciante o disco para quem já se instalou na casa dos trinta e dos quarenta. Dá logo vontade de dançar. De fazer sapateado. Coreografias epilépticas. De ir para o meio da pista abanar o pâncreas. Enquanto a filharada toda se esconde, cheia de vergonha, atrás das colunas.
Desçamos ao concreto. A sequência inicial - Like Eating Glass; Helicopter; Positive Tension; Banquet – é poderosíssima (Banquet é a música que mais quero passar na próxima festarola que organizar com amigos; umas três vezes, no mínimo). É mesmo o melhor disto tudo. Uma nota mais: a sétima, This Modern Love, no início, faz lembrar imenso os Cure de A Forest. Mas depois transforma-se em Ride puro. Sobretudo nas vozinhas frágeis a fazer coro. Sinal de que esta malta andou a estudar algumas das mais sublimes guitarradas indie do início dos 90. «Ah meus lindos meninos», diz, lírica e enternecida, a dona Lubélia. NCS
(texto publicado em A Capital)

segunda-feira, junho 20, 2005

Oh Ya

Já que a coisa vai demorar, porque não começar pelo óbvio?

1. Marvin Gaye, «God Is Love», What's Going On (1971)

Oh don't go and talk about my father
God is my friend
Jesus is my friend
He made this world for us to live in, and gave us everything
And all he asks of us is we give each other love.

Oh ya
Don't go and talk about my father
Cause God is my friend
Jesus is my friend
He loves us whether or not we know it

Just loves us, oh ya
And He'll forgive all our sins
Forgive all our sins
And all He asks of us, is we give each other love.

Oh ya
Love your mother, she bore you
Love your father, he works for you
Love your sister, she's good to you
Love your brother, your brother

Don't go and talk about my father, He's good to us,
God is my friend
Jesus is my friend
For when we call in Him for mercy, Mercy Father
He'll be merciful, my friend
Oh, yes He will
All he asks of us, I know, is we give each other love,
Oh ya


FMS

sexta-feira, junho 17, 2005

Destes 'coerentes' eu gosto



ENP

quarta-feira, junho 15, 2005

A Internacional no elevador

Vale a pena escutar a versão d'"A Internacional" n'O Acidental, assim tipo Damon Albarn a solo na Islândia a fazer versões dos Beatles circa '67 com acompanhamento Casio dos Pizzicato Five e produção do Brian Eno.

FMS

Cool as fuck (IV)

Cliquem na imagem e leiam a crónica do Miguel Ângelo sobre o concerto dos Oasis em Madrid.



(fonte)

Se eu estiver a ser muito chato, avisem-me, que é para continuar.

FMS

Os Blog Party



Na próxima festa do blog (como é que é, vamos marcar isso?) vou passar esta rapaziada. Ai vou, vou. NCS

segunda-feira, junho 13, 2005

Dois bebés melómanos



Sim, continuo numa linha de DJ de autoestrada. Na última edição da croniqueta, falei-vos sobre isso de ouvir um disquito de rap tuga no descapotável de um amigo. Esta semana escrevo sobre isso de escolher música para consumir durante uma viagem familiar entre Lisboa e o Alentejo. (Para a semana provavelmente escreverei sobre isso de ser despedido da coluna musical de Domingo desta prestigiada publicação).
Ora, alinhemos sobre a página o cenário e os protagonistas. Sou eu que conduzo a carripana durante o périplo em direcção a umas mini férias em família na pousada de Marvão. Dentro do veículo, para além da minha melancólica carcaça, estão a minha mulher, a minha irmã, o meu avô e dois ouvintes exigentes: o meu filho (de 9 meses) e a minha sobrinha (de ano e meio).
Esqueçamos, por uns momentos, os primeiros personagens da história. Concentremo-nos nos bebés. Antes de mais, convém dizer que estamos na presença de dois melómanos incuráveis. De malta que deve ter mais informação musical do que o Augusto M. Seabra, o João Lisboa e o Nuno Rogeiro (a julgar pelas notas na Sábado) juntos. Ou seja: não vale a pena pôr a tocar uma daquelas compilações de música melosa para crianças que se vendem nos hipermercados. Levamos logo com uma data de fraldas usadas nas orelhas.
Comecei a viagem com Reveries, de Paulo Conte, sobre o qual ainda irei escrever um dia (quando tiver caparro emocional para isso). O pessoal não se manifestou verbalmente sobre a escolha. O único sinal em que reparei – quando, de forma discreta, olhei pelo espelho – foi no meu filho a meter a mão debaixo do queixo para pensar na vida. Isso preocupou-me bastante. Não quero poetas lá em casa.
Ainda tentei cortar o ambiente lírico-infantil, pondo a tocar os LCD Soundsystem, mas os dois começaram imediatamente a chorar baba e ranho (e outros materiais que só se podem conhecer nos artigos da Pais e Filhos). Acalmei o ambiente com o EP 3..6..9 Seconds of Light, dos Belle & Sebastian. Remédio santo. Os primos levantaram no ar as caixas de dodots e até cantarolaram juntos os refrões.
Logo a seguir, quiseram mostrar ao mundo dos adultos que não vão em modas e modernices. Lançaram-se numa gritaria medonha na altura em fiz uma sequência que envolvia os Bloc Party e os Kaiser Chiefs. “Já não bastava o teu pai ter aquela panca irritante dos Franz...“, comentou a minha sobrinha com o meu filho - enquanto eu, meio atrapalhado, tentava escolher o biberon musical que aquietasse as duas almas.
Não convinha arriscar. Fui logo a um clássico. Ou a um disco de um clássico. A Music of My Mind, de Stevie Wonder (numa reedição já deste século). “O homenzinho do 'Eu Só Te Mandei um SMS para Te Dizer que Te Amo?'”. Sim, os putos primeiro torceram o nariz. Ameaçaram sair do carro em andamento. Mais: ameaçaram fazer queixa às autoridades (no caso, a minha mulher e a minha irmã), mas depois, pouco a pouco, foram soltando sorrisinhos desdentados de satisfação.
Quando chegou a quinta musiqueta do álbum, Happier Than the Morning Sun, já estavam os dois em alegre ressono. Prova de que, dessa vez, o condutor/DJ tinha acertado na escolha. NCS

(texto anteriormente publicado em A Capital)

Vão dar uma curva



Cada música tem o seu espaço próprio de audição. Beck é para ouvir no i-pod, enquanto se desce a Morais Soares. Robbie Williams é para ouvir no Holmes Place da avenida da Liberdade. Richard Clayderman é para ouvir nos lavabos de um centro comercial em Corroios.
Há música que se só deve ouvir no carro. Quer dizer, pode-se ouvir no duche, na cozinha ou numa sauna gay – mas não tem a mesma força, o mesmo efeito. O álbum Nação Hip-Hop 2005 é para ouvir no carro. De preferência, num descapotável.
É claro que, apesar de estar a generalizar que nem um intelectual cheio de certezas na pastinha, falo sobretudo por mim. O ponto é: eu ouvi-o num descapotável (o do meu amigo Borges) e gostei. Mesmo que o ouça em casa – e tem acontecido nestes últimos dois dias – imagino que estou a dar umas voltas no trânsito da cidade.
Por exemplo, agora que estou a ouvir Pela Arte, dos NBC, não estou em frente ao computador no quarto andar sem elevador de um prédio da Estefânia. Não. Fecho o olho direito e estou a atravessar a avenida do Aeroporto, em direcção ao Relógio, no carro do meu amigo. Abanamos a cachimónia. Os nosso cabelos estão um pouco menos discretos do que o cabelo da Wanda Stuart. E, apesar de parecermos gangsters (de trazer por casa, mas gangsters), ainda não fomos mandados parar pela polícia.
Queria dizer-vos, em jeito de nota explicativa introdutória, que a minha relação com o rap nasceu com gente como Ice-T, Public Enemy, De La Soul e – depois - MC Solar. E que considero que o rap português, por aquilo que tenho ouvido, está a safar-se muito bem; aliás, bastante melhor do que muitas das redundâncias no género que nos chegam lá das Américas.
Comecemos pelas críticas. Nem tudo é delicioso em Nação Hip-Hop 2005. Há alguns refrões chatinhos, algumas letras primárias e algumas vozes irritantes (as femininas de Talento Clandestino, de Dealema, por exemplo). Mas o saldo é positivíssimo. Pela quantidade de rapalhadas inspiradas aqui presentes: Conhecimento, de Xeg; Bazamos ou Ficamos?, dos Mind da Gap (óptima para a dança gingona); B.I., de Sam the Kid; Cor de Laranja, de ACE; ou Pela Arte, dos NBC.
O melhor momento do álbum está em Sente o Calor, de D-Mars c/ Melo D e Carla M. Pela originalidade. Pelo ambiente dark e underground que a atravessa. Pelo cruzamento feliz das vozes do vocalista dos Micro, do rapaz Melo e da Carlinha. É a música ideal para passar às 4h37 na festarola de uma cave qualquer.
Nota final para Fim da Ditadura, de Valete. Lembro-me da primeira vez que a ouvi. Foi na Antena 3, durante uma viagem de carro para Sintra. Não, não acreditava no que estava a ouvir. A letra é tão violenta – e tão visceralmente anti-americana – que impressiona até o Hulk que há em cada um de nós. Mas a verdade é que não se pode deixar de reconhecer que é um tema potente. Poderoso. E que isto do rap nada tem a ver com o verbo concordar.
Agora vão mas é dar uma curva – que o disco bem o merece. NCS

(texto anteriormente publicado em A Capital)

Antony & the Johnsons, gajos a roçar linguas, discos com borboletas na capa...

Para quando o link no Renas e Veados?

ENP

A vida para lá do déficit

Em contrapartida, Cristovão, este continua a ouvir-se tão bem como da primeira vez.

(melhor que Smiths)

ENP

quarta-feira, junho 08, 2005

Cool as fuck (III)

Medidas Avulsas de Combate ao Déficit





Não comprar este disco.

terça-feira, junho 07, 2005

Vai chamar rico a outro

Como é amplamente sabido, as caixas de comentários não são um lugar tão recomendável como, digamos, a primeira fila de um concerto de Enrique Iglesias. Mas convém que o humilde blogger lá passe de quando em vez, quanto mais não seja para tomar contacto com as mais profundas preocupações da sua base leitora.

Posto isto, venho esclarecer um amável comentador deste meu post que o facto de as capas que o ilustram virem acompanhadas dos preços dos respectivos discos não significa que eu os tenha comprado. Apenas fazem parte da imagem.

Deste modo, muito se engana o fiel leitor quando tece considerações sobre o meu alegado desafogo financeiro. Eu sou, confessadamente, um militante do download ilegal.

Quanto ao mais, também escusava de me acusar de não ser reaccionário.

FMS

A Bola



No regresso aos relvados os Go-Betweens apresentam novidades. Depois de uns últimos jogos mais fracos, o clube viu-se obrigado a ir ao mercado e apresentar reforços. As novidades vieram para as pontas.

E em boa hora, o jogo empastelado e demasiado preso no centro do terreno, passou a ter extremos velozes capazes de cruzar com precisão para a área.
Em campo, da gloriosa equipa que foi campeã imbatida entre 1978 e 1990, já só restam o guarda-redes – o gordo – e o ponta-de-lança – o magricelas.
Logo no início, uma jogada de perigo, mas o remate saí à barra. Um belo pontapé em arco, mas estrondosamente colocado no sítio errado.
O jogo prossegue em toada mais lenta, com muita troca de bola no circulo central. O trinco trinca, o líbero libera, mas não se vislumbra a necessária eficácia no último terço.
Até que, aos 10 minutos, aparece o primeiro golo. Uma jogada simples, toda ao primeiro toque, quase ingénua na sua beleza técnico-tática, finalizada com o calcanhar. O autor do golo – Robert Forster – dedica o tento à família e roga autorização para beber um gin tónico. O àrbitro recusa e mostra-lhe o cartão amarelo.
Com a vantagem, o ritmo decresce, os GB passam a controlar o jogo, claramente à espera do intervalo quase sofrem um golo, que de tão permitido ofereceria várias razões para um balneário choroso.
Mas o intervalo faz bem à equipa da Oceânia, volta moralizada e decidida a acabar com a questão do título logo nos primeiros minutos. Mais uma bela jogada, com McLennan a repor a bola em jogo directamente para o ataque, mas uma bonita estirada do guardião adversário, impede o golo nocturno.
Golo que não tarda. Alíás, é logo na jogada seguinte que Forster volta a facturar com um pontapé de tandem. Nas comemorações, perdido no meio da multidão, distribui frascos de perfume pelo público. Original e higiénico. O perfume cheira estranhamente a passado. Será por ser alfazema?
O público sente a proximidade do título que lhes escapa há tantos anos e começa a fazer a festa. Até ao fim registe-se mais uma bela defesa do guarda-redes adversário, que parecia uma estátua perante o forte remate do australiano; e um túnel efectuado por McLennan ao atacante adversário, já em período de descontos, que apesar de pôr em causa a defesa das suas redes, acabou por não ter consequências de maior.
No fim, a multidão perfumada e feliz, foi contemplada com uma gravação dos melhores jogos da equipa de 1978-90. Serviu para perceber que o título conquistado este ano não tem aquela marca de glória da célebre equipa que encantou a Europa.

Mas o futebol é assim mesmo ... a bola é redonda e quem não marca arrisca-se a sofrer.

CG

segunda-feira, junho 06, 2005

O iPod até dá pulos de alegria

























sexta-feira, junho 03, 2005

Disclaimer

Ao contrário do que possa parecer, este não é um blog reaccionário. O blog não.

FMS

quarta-feira, junho 01, 2005

O milagre da multiplicação

Hoje somos seis. Com especialistas destes, quem sabe se amanhã não seremos sete.

Rock snobs

"The Rock Snob is a confounding person in your life. On one hand, he brooks no ignorance of pop-music history, and will take violent umbrage at the fact that you’ve never heard of the noted rock arranger and soundtrack composer Jack Nitzsche, much less heard Nitzsche’s ambitious pop-classical album, St. Giles Cripplegate. On the other hand, he will not countenance the notion that you know more than he about a certain area of music. If, for example, you mention that Fun House is your favorite Stooges album, he will respond that it “lacks the visceral punch of ‘I Wanna Be Your Dog’ from a year earlier, but it’s got some superb howling from Iggy and coruscating riffage from Ron Asheton, though not on the level of James Williamson’s on Raw Power”—this indigestible clump of words acting as a cudgel with which the Rock Snob is trumping you and marking the turf as his."

(...)

Vejam o site, espreitem e comprem o livro.

Obrigado ao Dee Bee Ramone pelo link.

FMS