quinta-feira, março 31, 2005

Bandas britânicas dos anos 90 subvalorizadas

(Rubrica inspirada em Lord Charles McGuffin)

#2 The Bluetones



As guitarras de Marr como se tocadas por Squire em grandes melodias mais taulitáveis que dançáveis, directamente saídas de Hounslow, esse recôndito subúrbio londrino povoado por plane spotters, bolseiros da LSE, caixas do Tesco para ajudar nas despesas e demais working class heros das músicas dos Pulp.

FMS

terça-feira, março 29, 2005

Smiths*, Belle & Sebastian, enough is enough

And now for something completely different



*(o grupo mais sobrevalorizado de sempre)
ENP

segunda-feira, março 28, 2005

os gajos são assim tão bons?



Uma pergunta sem ofensa: alguém pode contar como é o álbum dos Kasabian? Vários cidadãos experimentados asseguram-me que é a melhor coisa que ouviram desde o primeiro disco de Marante. Gostava de saber mais. Façam comentários, mandem emails ou cheques. Preciso de decidir se vou ou não às compras esta semana. NCS

Discalhada vária


No outro dia, o meu filho de sete meses chegou a casa com os seus dois primeiros discos debaixo do braço (também trouxe a Marineide, uma namorada brasileira, mas isso fica para outra vez). À partida, não achei mal. Disse-lhe apenas para ter cuidadinho se não iria acabar como o pai – submerso em centenas de CD’s à deriva, órfãos das respectivas caixas. Ou seja: agarrado à música. Incapaz de pintar as unhas, fazer sapateado ou assistir ao Spa’s da Marisa sem ter a aparelhagem ligada. Nem que seja a tocar o Best Of do Paulo Gonzo.
Mas o pior é que os discos eram estes: On the Beach, de Chris Rea, e uma coisa chamada Cristopher Cross. Passei-me. A mãe da criança ainda me tentou acalmar explicando que o rapaz havia recebido os CD’s no 9.º Passeio Avós e Netos (sim, o meu sogro levou o petiz às costas), integrado na meia-maratona de Lisboa. Esta é para a organização do evento: não andem a fazer mal ao meu filho! Antes tivessem oferecido, sei lá, o Morangos com Açúcar (Série 2). Antes ouvir o “Descobrir Horizontes”, de um Ménito Ramos, ou o “Ainda Acredito”, de uma Patrícia Candoso, do que esta discografia nocturna de rádio de província (é claro que escrevo isto com todo o respeito para com a rouquidão patológica do senhor Rea; recomendo-lhe as antiguinhas pastilhas Bimil, que em tempos curaram o vocalista dos Deacon Blue).
Feito o aviso, avancemos. Chegados a este ponto da nossa relação, é altura de vos contar toda a verdade: hoje vamos ter um programa diferente. Aqui ficam as notas pascais sobre alguma da tralha sonora que tenho em cima da mesa do computador:
1 - Nunca saberemos se Rufus chegou a pedir a Tom Chaplin (a carinha dos Keane) para ter uma noite louca e diferente no Ibis do Saldanha, mas a verdade é que Want Two é um álbum satisfeito e apaziguado. E cheio de belíssimas cançonetas. Como “The One You Love” – uma homenagem inconsciente aos Auteurs - e “Gay Messiah”, um slow que podia muito bem encerrar as noite do Trumps.
2 – Os Daft Punk em Human After All estão muito, muito chatos. Façam um favor aos rapazes. Desliguem-nos das máquinas por uns tempos.
3- Depois de uma primeira audição, pode dizer-se que o último álbum de Moby não se devia chamar Hotel, mas sim Pensão Dafundo (ou coisa do género). Safam-se a energia de “Lift me Up” – sem o piroso “oh, lá, lá, lá, lá” final – e sobretudo a suave (e absorvente) versão de “Temptation” dos New Order.
4 - O que é que querem?, o génio do trimeste que se esconde atrás do nome Bright Eyes ainda não me convenceu. Sim, o talento e a tremura na voz estão lá. Mas nota-se que lhe falta alguma vida - e não apenas sexual.
5 – Lamento informar, mas quem ainda não ouviu a música de um grupo chamado The Arcade Fire não merece continuar entre os vivos. (Adeus, dona Lurdes e cão Juca, do 2.º andar). O álbum justamente chamado Funeral é a melhor coisa que se tem ouvido por aí. Uma reunião de condóminos improvável com os Pulp e os Apartments presentes. Descobri há dias que eles são do Quebec. O que é mais ou menos como descobrir que os Joy Division afinal eram de Alverca.
NCS (texto publicado em A Capital no domingo)

E porque não começar pela blogosfera portuguesa?



Académicos vão discutir impacto social dos The Smiths

A influência do quarteto de Manchester The Smiths a nível social vai ser alvo de uma discussão académica num simpósio na Universidade Metropolitana de Manchester a 8 e 9 de Abril.

A banda de Morrissey e Johnny Marr é o mote para o simpósio «Why Pamper Life`s Complexities», que vai analisar o impacto social, cultural, político e musical dos The Smiths.

Apesar da curta carreira – 1983 a 1987 – os The Smiths foram um fenómeno na cena indie britânica na década de 80.

No centro das atenções dos oradores estarão as letras de Morrissey, que abordavam questões como a sexualidade e onde avultavam as referências literárias.

Em declarações à BBC, Justin O`Connor, um perito na música e cena cultural de Manchester, refere que os The Smiths tiveram um «impacto único» na cultura popular. «Eles não se pareciam com ninguém e soavam como algo completamente diferente, e a sua música tinha uma profundidade emocional que nenhuma banda conseguiu reproduzir», acrescenta.

FMS

i´m a pop star

Em homenagem a todos os testes que têm vindo a ser regularmente difundidos pela blogosfera, aproveito para comunicar que se fosse uma estrela pop seria...



Feargal Sharkey

(quem não dançou romanticamente ao som de "And a good heart these days is hard to find /A good heart - True love, the lasting kind / A good heart these days is hard to find / So please be gentle with this heart of mine"?) REC

Bandas britânicas dos anos 90 subvalorizadas - rubrica inspirada em Lord Charles MacGuffin

#1 Supergrass



Feições símias. Patilhas frondosas. A terceira exportação pop relevante de Ox4 nos anos 90, depois dos Ride e dos Radiohead. The Stooges meets XTC meets The Monkees. Foram convidados por Spielberg para protagonizar uma remake da série que nos anos 60 celebrizou os os rapazes de "I'm a Believer". Recusaram. Deles disse um dia a namorada do escriba serem a mais feia banda de sempre. Continuam por aí.

FMS

domingo, março 27, 2005

dúvida pertinente

Bem sei que num blogue destes deveria ser eu a dar respostas musicais, mas arrisco o epíteto de ignorante e exponho uma dúvida que me vem perseguindo há muito tempo: será que alguém me consegue explicar o que é o "famoso" Wall of Sound do Phil Spector? REC

sexta-feira, março 25, 2005

em 1992 nascia o rock´n´roll



Mais de dez anos depois, redescubro "Automatic For The People", escondido entre os Razorlight e o Lou Reed. Devo dizer que nunca fui um grande seguidor dos R.E.M. Tenho uma cassete com o "Green", que deve andar solitária por casa dos meus pais, e não cantarolei apaixonadamente o "Loosing My Religion" quando tinha idade para o fazer. Aliás, a minha música preferida de "Out of Time" era "Shiny Happy People", com a cantora dos B-52´s, pretexto para danças imberbes com muitos saltos alegres, e que mais tarde vim a saber que era renegada pelos puristas.

Mas "Automatic for the People" conquistou-me na altura e voltou a fazê-lo agora. É um disco perfeito, harmonioso, equilibrado. Em que os R.E.M. tiveram a coragem de abandonar a fórmula do disco anterior, que lhes trouxe o sucesso comercial, e investir em canções mais íntimas, mais escuras. E criaram canções como "Drive", a trágico-cómica "Man On The Moon", a melancólica "Nightswimming" ou "Everybody Hurts", que tem o poder de puxar a lágrima ao mais duro operário da construção civil (ou ao mais frio explorador capitalista, consoante a tendência política) e obrigá-lo a levantar o braço com o isqueiro acesso.

"Automatic for the People", vou atrever-me a dizê-lo, é um álbum sem falhas (com excepção dos curtos, mas irritantes, "ihihihis" no início de "The Sidewinder Sleeps Tonite") e consegue agradar a todos. O que neste caso não é criticável. Aliás, sempre me surpreendeu a coerência dos R.E.M., que conseguem encher estádios sem perderem uma certa aura independente. Enquanto vão reinventando o rock, pois a ternura com que Michael Stipe sussura "Hey, kids, rock´n´roll" impede-nos de o contradizer. REC

quinta-feira, março 24, 2005

Communication breakdown

O que poderá ser pior do que sermos mal entendidos e sermos acusados de sermos aquilo que deploramos? Muito pouco, parece-me. Caríssimo Mac, a coisa era, de facto, para parecer irritantemente purista. Porém, ironicamente purista. Eu, se fosse como me pintaste, não acharia - como acho - os Oasis a mais subvalorizada banda de sempre.

Abraço. Vai então marcando lá a mesa no Fialho.

FMS

quarta-feira, março 23, 2005

Comentários anyone?



Comentários anyone?! Bem, a mim apenas me ocorre dizer que V. Exas. gostam tanto dos Pulp como o Jarvis do Michael Jackson, não valendo sequer a pena lembrar essa lendária cena dos Brit Awards '96. Quem gosta verdadeiramente não escolhe. E não escolhe porque não consegue. Eu, que gosto tanto dos Pulp como o Jarvis de blazers de veludo lilás, sei lá se a Babies é melhor do que a Common People. Sei apenas que ambas passaram na festa do do QF no Europa e que não houve divergência doutrinária que se manifestasse.

FMS

finais de tarde presunçosos

.

Acabado de chegar a casa, sabe bem apreciar o final da tarde, deitado no jardim a ouvir este disco.

(Ou seja, este post apenas serviu para comunicar a todos que o meu prédio tem um pequeno jardim nas traseiras. Estou portanto a esforçar-me por ser presunçoso. Sem ser bem sucedido. E se calhar até estou a mentir. No fundo, apenas queria escrever algo que lembrasse vagamente o título do disco. REC)

A música do silêncio



Música e silêncio, termos contraditórios que cinco ingleses introvertidos conseguem interpretar na perfeição - os Savoy Grand ao vivo em Colónia, a celebrarem a melancolia, a fragilidade, a subtileza, numa pequena sala, com pouco mais de cem pessoas. Fui para o concerto sem saber o que me esperava, sem conhecer qualquer das músicas. Abandonei a sala como missionário, ansioso por distribuir os sons pela cidade.
Pelo que ouvi, os momentos de pureza de "People And What They Want", o seu terceiro disco, evocam os dias de Outono. Numa altura em que o sol decidiu voltar à Alemanha e não falta muito até que surja a dança que vai marcar este Verão, a música dos Savoy Grand aparece, assim, algo desenquadrada. É um disco que se bebe com chá e se esconde da luz do dia. É um disco para aqueles raros momentos em que nos podemos perder no tempo. E que exige tempo, com músicas que demoram a expor-se e chegam a ultrapassar os 8 minutos. Mas não se reduz à mera contemplação. Os Savoy Grand não se acomodam às doces cantigas da introspecção. Por vezes, combinam as emoções com batidas electrónicas, integram trompetas e até xilofones e fazem lembrar os Mogwai, com guitarras apoteóticas finais. Merecem portanto que, entre um e outro ensaio para as despreocupadas noites de Verão, nos sentemos no sofá, não atendamos o telefone e nos deixemos embalar por estes ensaios sobre a lentidão. REC

Surfar todos os dias cansa


Todos nós temos um amigo surfista. Até o Ramalho Eanes deve ter um amigo surfista. Mais: até a Maria Gabriela Llansol deve ter um amigo surfista. Nem que seja o Rodrigo Herédia – que, segundo as revistas, é amigo de meio mundo. Eu tenho vários amigos surfistas – alguns dos quais vêm do tempo da adolescência. Surfistas que passavam a vida a ler Kierkegaard e Yeats, mas ainda assim surfistas (é claro que faço estas referências cultas só para não alienar todo o meu prestígio já no primeiro parágrafo).
E quem é amigo de surfista durante a adolescência sabe que mais cedo ou mais tarde vai fazer o papel de namorada de surfista. Sim, mais cedo ou mais tarde o amigo de surfista vai ficar durante horas dentro do carro e em intermináveis passeatas no meio dos rochedos à espera que o surfista acabe de subir e descer ondas. Há quem dê em louco. Há quem dê em maricas. E há quem dê em poeta, como é o meu caso (que, segundo o que se diz por aí, é uma mistura dos dois primeiros).
E o que é que faz um amigo de surfista quando entra na casa dos 30? Começa a ouvir música de surfista. Ora, um dos mais renomados representantes da chamada música de surfista é um tipo chamado Jack Johnson – também ele surfista, nascido no Havai. Johnson vem ao Coliseu, no próximo dia 21 de Maio. Escusam de ir tentar comprar bilhetes nos sítios normais porque esgotou. Quem quiser estar durante horas rodeado de rapariguinhas loiras (as verdadeiras namoradas de surfistas) tem de ir à candonga. Não se preocupem com a possibilidade de levarem uma sova por ciúme. A surfística rapaziada estará toda a adorar o homem que faz para milhares de pessoas aquilo que um surfista engatatão (passe o pleonasmo) costuma fazer ao fim da tarde na praia: tocar músicas para conquistar miúdas.
Johnson gravou três álbuns. O último, In Between Dreams, acaba de sair. Confesso: não convence tanto como os primeiros, Brushfire Fairytales e On and On. Ainda ontem, um amigo (talvez o único que não é surfista) disse que se não conhecessemos os primeiros e só ouvíssemos In Between Dreams, provavelmente o disco passar-nos-ia ao lado. Perante afirmação tão certeira, não quis ficar atrás e comentei - enquanto erguia a bica e o rissol - que este podia ser um primeiro álbum de Jack Johnson, anterior a Brushfire. Parece que o talentoso havaiano resolveu voltar a surfar umas ondas antigas quando já estava quase a chegar à praia.
O registo é mais ou menos o mesmo: músicas suaves, entre o blues, o funk e o hip hop de fim de tarde, com a solarenga voz de Johnson por cima. Mas, para irmos directamente ao assunto, os dois primeiros álbuns têm melhores músicas. Quem ouve «Inaudible Melodies» (do primeiro) não se esquece da canção – e é capaz de passar o dia a repeti-la (no meu caso, dada a minha falta de voz, levando à letra o título). O mesmo se passa, por exemplo, com «Times like these», «Traffic in the sky» e «Wasting Time», de On and On. Em «In Between Dreams» é tudo mais fácil, às vezes quase banal.
As melhores música talvez sejam «Breakdown» e as duas últimas, «Do You Remember» e «Constellations». Também há pelo meio uma música de engate: a curtinha Belle, cuja letra é «Oi lienda/ Bella che fa?/ Bonita, bonita que tal/ But belle/ Je ne comprends pas francais/ So you’ll have to speak to me/ Some other way». Não, não sabia que Jack, um exímio letrista, tinha convidado Zezé Camarinha para escrever umas coisas. NCS (Texto publicado no Domingo em A Capital)

Hallelujah!



Os momentos altos podem ter ficado perdidos no tempo, nas noites decadentes do Haçienda, nas contas pereclitantes da Factory, nas digressões alucinadas dos Happy Mondays. Mas o verdadeiro reconhecimento histórico da Madchester é póstumo: Bez venceu o Big Brother dos Famosos.

Em jeito de homenagem, da próxima festa QF constará um Bez Dance Routine Impersonator Contest. As maracas são por conta da casa.

FMS

terça-feira, março 22, 2005

Mojo risin'

Segundo reza a história, New Orleans é a terra onde nasceu o Jazz. Mas, New Orleans, é também a terra do mais famoso Mardis Gras, onde as miúdas erguem a camisola para mostrarem as mamas em troca de um colar de contas, a terra do Voodoo, e, last but not least, a terra onde foi gravado um dos mais fantásticos discos de sempre.

(Gris-gris, Dr. John, 1968)
ENP

segunda-feira, março 21, 2005

o fim dos dias sem chuva


Happy when it rains - Jesus and the Mary Chain


Step back and watch the sweet thing
breaking everything she sees
she can take my darkest feeling
tear it up till i'm on me knees
plug into her electric cool
where things bend and break
and shake to the rule
talking fast couldn't tell me something
i would shed my skin for you
talking fast on the edge of nothing
i would break my back for you
don't know why, don't know why
things vaporise and rise to the sky
and we tried so hard
and we looked so good
and we lived our lives in black
but something about you felt like pain
you were my sunny day rain
you were the clouds in the sky
you were the darkest sky
but your lips spoke gold and honey
that's why i'm happy when it rains
i'm happy when it pours
looking at me enjoying something
that feels like feels like pain
to my brain
and if i tell you something
you take me back to nothing
i'm on the edge of something
you take me back
and i'm happy when it rains

PAS

quinta-feira, março 17, 2005

Músicas simples


A recensão do DN-mais ao novo álbum, In Between Dreams, entre alguns tímidos elogios, terminava dizendo que "Jack Johnson continuava preocupado demais em transpor a sua prancha para as seis cordas". A coisa como defeito. Ou seja, aquilo que faz de Jack Johnson, Jack Johnson e o que o tornou entretanto um fenómeno de massas pode ser defeito.
In Between Dreams, é certo, não acrescenta nada por relação a Brushfires e On and On. Se calhar não é bem assim. Tem uns momentos ligeiramente menos acústicos e umas tentativas de fazer diferente - maxime até um tema quase bossa-nova, num arriscado português. Mas no essencial não acrescenta nada. E não acrescentar nada significa que tem as mesmas canções simples, directas, vindas do meio de uma enorme calmaria.
Podemos perdermo-nos em complexificações e gostarmos do que exige de nós atenção a outras linguagens. Mas há um prazer, que é invariavelmente nítido, pelo que é simples, no osso, sem delongas. As coisas como elas são. In Between Dreams é apenas isso. A descrição da matéria de que são feitas as coisas que fazem a vida simples. As memórias e o tempo arrastado que fica para os sonhos.
Ouça-se o disco, veja-se, por exemplo, como Breakdown, uma colaboração de Jack Johnson com os Handsome Boy Modelling School, surge aqui despida de sofisticação e de sobre-produção, para soar fácil. Depois, claro, tem músicas que antecipam os dias de Verão – Better together; No other way; Do you remember; Constellations. "Pedradas de calor" para nos lembrar que "somos crianças feitas para grandes férias". E claro, tudo aquilo soa a surf, cheira a surf, sabe a surf e isso faz, naturalmente, toda a diferença. Não é surf music, mas são 14 canções das antigas onde a prancha a deslizar nas ondas é feita música. Parece pouco. Mas não é. PAS

quarta-feira, março 16, 2005

Nas festas do Quase Famosos #2

Corre-se o risco de ouvir mais isto:

(Hate to Say I Told You So, The Hives)
ENP

Nas festas do Quase Famosos #1

Corre-se o risco de ouvir isto:

(The Message, Grandmaster Flash and the Furious Five)
ENP

Who ever she is



There's always something left inside here
I've really nothing much to lose
It seems so sentimental
Why should I care?

Somewhere the sound of distant living
Welcomed in high society
It seems so artificial
Why should I care?

Oh ho ho
Life can be cruel
Life in Tokyo
Oh ho ho
Life can be cruel
Life in Tokyo

Another vehicle heads for sunset
No other providence will do
They're only buildings and houses
Why should I care?

Oh ho ho
Life can be cruel
Life in Tokyo
Oh ho ho
Life can be cruel
Life in Tokyo


(Life in Tokyo, Japan/Giorgio Moroder, 1979)

Para a nossa leitora em Tóquio.


ENP

Lapso de agenda

Esqueci-me. Não avisei.
ENP

Agenda

Depois não digam que eu não avisei.
ENP

maravilhas do after-party

Como apontador de homens de fato e gravata, DJ de serviço na hora em que passou Billie Jean e, a espaços, zelador da mobília (e costumes) da casa Europa versão quando-o-Out-se-torna-In, sinto-me, de certa forma, implicado no delicioso bate-boca entre esta juventude.
Não se zanguem. Para a próxima será de casaca, haverá um palco com elevador tipo bombeiros e eu prometo pôr um slow para dançarem cheek to cheek.
ENP

terça-feira, março 15, 2005

Mar adentro



Na crítica de música é muito importante ser-se independente e imparcial. Sim, já estamos todos fartos de ler textos cheios de facciosismos baratos e preferências gratuitas. Agora que fiz este desabafo, posso finalmente mudar de tema e escrever que, para um ilhéu fanático como eu, um álbum que começa com uma música chamada My Home is the Sea – como acontece com Superwolf, de Matt Sweeney e Bonnie ‘Prince’ Billy - é um excelente álbum. Mesmo sem nunca o ter ouvido. Como é, aliás, o caso.
Vou mais longe. Se o novo álbum do Toy começasse com uma música com este título garantir-lhe-ia à partida uma recensão cheia de elogios, sei lá, na Rolling Stone. (Esperem um pouco; estou neste preciso momento a receber uma chamada do Toy a dizer que acaba de mudar o nome do seu novo disco; vai chamar-se O Mar é a Minha Casa e a Minha Paixão em vez de Duas Rapidinhas no Banco de Trás, como estava previsto; retiro, pois, imediatamente o que escrevi).
Mencionemos de novo este magnífico álbum do rapaz Billy. A minha família está aqui à volta a gritar-me para ouvir o CD antes de acabar este texto, senão, diz a tia Idalina, vou perder toda a credibilidade. Eu bem lhe digo que nunca a tive, mas nesta altura já me está a torturar com um saco de água a escaldar nas costas. Enfim, vai ter de ser. Ok, estou a ouvi-lo neste momento. Humm... nada mau. Bonito. Deixa cá passar para a frente. E esta última. Olha, bem esgalhada, sim senhor. Aprovado.
Posso, então, afirmar com um pouco mais conhecimento de causa – e já com uma dolorosa queimadura nas costas - que o talentoso rapaz do Kentucky não desilude nesta aventura de fim-de-semana com o guitarrista Matt Sweeney (dos Chavez e dos Zwan). O álbum recomenda-se. É belíssimo. E, como acontece normalmente com os discos de Will Oldham (conhecido também por Bonnie “Prince” Billy, Palace, Palace Songs e Palace Brothers) podia figurar no guia michelin dos álbuns tão tristes e angustiados que por pouco não conduzem ao suicídio do desprevenido ouvinte.
Na música que abre esta festa de deprimidos, a versão neoromântica do sport Billy diz que gostava de morrer na boca de um tubarão. Enfim, gostos. Eu preferia morrer em Acapulco a beber uma cervejola ou a assistir às manhãs da TVI. Mas o que interessa é que esta é uma das peças mais intensas que tenho ouvido sobre a ligação de um homem ao mar e ao seu imaginário ao mesmo tempo apaziguador e trágico (calma, apesar do entusiamo poético, prometo não transformar isto numa crónica radiofónica do Fernando Alves).
A outra excepção, para além desse tema mais barulhento (com uma guitarrada épica a partir dos 2 minutos e 33 seguntos), é Blood Embrace, périplo cinematográfico minimal ao qual não falta até uma sussurrada conversa sobre traição entre um uma mulher e um homem. De resto, o álbum segue uma navegação mais lenta e acústica. Neste registo, pelo menos duas músicas ficam no ouvido: Only Someone Running (com uma bonita assobiadela pelo meio) e, sem dúvida, Bed is For Sleeping (uma das maiores mentiras que tenho ouvido nos últimos tempos mas pronto). Agora, se me dão licença, vou fazer o curativo. NCS
(texto publicado no Domingo no jornal A Capital)

segunda-feira, março 14, 2005

Europa, 11 de Março de 2005

"If you dance, you'll understand the music better."
David Byrne, Mundo (circa 1983)


A festa, Europa (11/12 de Março de 2005)





quinta-feira, março 10, 2005

os dez melhores discos do mundo #3

Joy Division – Closer (1980)


Dos discos que ouvia muito quando tinha 15, 16 anos, este, juntamente com os dos The Smiths, é aquele que mais ouço. Ouço e não encontro nada de novo, nem nada que hoje desgoste. É um dos dez melhores discos do mundo. Nesta e em qualquer outra lista que eu leve a sério. Closer é também dos discos mais duros que conheço. A música que nele está não foi feita para passar o tempo ou para o prazer. Foi para a inquietação, para nos desassossegar. Um verdadeiro soco no estômago. Nitidez foi o que MEC encontrou nos Joy Division. O disco é disso mesmo que padece: excesso de nitidez. Desde a abertura, com Atrocity Exbhition, que tem aquele ritmo quase doentio, mas sem ponto de fuga, até ao fim com Decades, tudo é sempre nítido e claro. Não trata as coisas por metáforas ou com outros nomes. Diz-nos exactamente o que elas são e como são. No meio de todo o negrume, o que há são sinais de vitalidade, de relação com as coisas cruéis.
O disco, como lembra também o MEC, tem dois lados. O CD também. As primeiras cinco músicas servem para definir o modo, o lugar exacto. A segunda metade do disco, que começa com o Heart and Soul, já revela a banda em busca de algo mais, mais perto e ao mesmo tempo procurando ultrapassar a reverência ao absoluto. Como que numa legenda à capa de Peter Saville. O branco, que no vinil ocupava uma área mais adequada, e no meio a fotografia. Uma fotografia despojada, mas sobre a morte, a dor e a solidão. Clareza, luz e os opostos. Sem meias palavras. Ao mesmo tempo, todas as dúvidas condensadas em músicas. "Existence - well what does it matter?/I exist on the best terms I can/The past is now part of my future/The present is well out of hand --/ Heart and soul - one will burn --".
Claro que há também a música. A música em si, esquecendo a palavra. Closer, e os Joy Division, têm a lógica do Punk. Melhor, tem a parte boa do que, em 1980, sobrava do Punk: a raiva, a voz dos que estão de "fora" e a simplicidade de processos. Mas a isto acrescentam a densidade que ninguém no Punk ousou (ou foi capaz) e o cantar sofrido sobre uma estrutura incatalogável e idiossincrática. Aliás, em Closer já aparecem elementos que não apareciam antes (por ex. em Unknown Pleasures) e que reapareceriam em força nos New Order (maxime os teclados), mas a imagem de marca é, era, foi, será aquela secção rítmica que soa à Joy Division. E, sobre tudo isso, a voz do mais trágico dos ícones da pop, Ian Curtis. Um rapaz suburbano, que aparentava ter acabado de chegar dos meios intelectuais da Europa central dos anos 30 e que cantava cada palavra com toda a angústia e raiva do mundo.
Além do mais, os Joy Division são mais uma boa razão para se desconfiar da sociologia. Como é que é possível que quatro rapazes duma cidade desinteressante, perdida no norte de Inglaterra, na ressaca do Punk se tenham juntado para fazer esta banda e para fazer o que esta banda fez?. Mais estranho ainda é o que os três sobreviventes fizeram depois, ao formarem os New Order, na mais improvável das transformações de sucesso da história da música - pelo meio provando que a salvação deles e a felicidade de quem os ouvia, dependia do desaparecimento de Ian Curtis. A partir daí, a redenção foi feita a dançar.
A maior parte da música decente que tem sido feita, anda a apanhar os cacos que estes rapazes deixaram. A maior parte da música que ouço serve-me também para isso. PAS



Decades

Here are the young men, a weight on their shoulders
Here are the young men - well where have they been?
We knocked on doors of Hell's darker chambers
Pushed to the limits, we dragged ourselves in

Watched from the wings as the scenes were replaying
We saw ourselves now as we never had seen
Portrayal of the traumas and degeneration
The sorrows we suffered and never were free
Where have they been --

Weary inside, now our heart's lost forever
Can't replace the fear or the thrill of the chase
These rituals showed up the door for our wanderings
Opened and shut, then slammed in our face
Where have they been --

terça-feira, março 08, 2005

Ah a santa terrinha



Antes de mais nada, uma pergunta: alguém viu os meus discos do Josh Rouse? É que já dei doze voltas à casa – inclusivamente fui ver ao armário onde costumo arrumar os bróculos, os cachecóis e os números antigos de O Dia – e não encontro o raio dos CD’s. Refiro-me a Under Cold Blue Stars e 1972. Se alguém os tiver em seu poder, é favor de os devolver de imediato. Se vierem cá trazer ao escritório até daqui a meia hora, ganham o direito a duas beijocas na testa dadas pelo meu filhote de seis meses (sei que não é irrecusável, mas é o que se arranja por agora).
Não encontro os antigos. Portanto, não posso fazer brilharetes comparativos tipo «o segundo acorde da primeira música é igual ao quarto da quinta do penúltimo álbum». Mas tenho aqui à minha frente Nashville, o último trabalho (sim, leram bem, escrevi trabalho) do cachopo. Ouvi o álbum 236,2 vezes. O meu vizinho Arnaldo – um senhor de 82 anos que é do Belenenses e anda fascinado com a “edição Pimpinha” da Maxmen – já sabe todas as músicas de cor. Chegámos à mesma conclusão (desculpem desde já os termos demasiados eruditos que vou utilizar a seguir): o álbum é porreiro. Minto: o álbum é porreirinho. Ouve-se bem do princípio ao fim. Não é do caraças. Ou seja: talvez não seja tão inatacável como aqueles dois CD’s que eu não consigo encontrar, mas um gajo quando acaba de o ouvir não tem vontade de dizer: «Ganda seca, man» ou «o chavalo não anda bem». Nashville é Josh Rouse. E – meus amigos – Josh Rouse é Josh Rouse (perdoem-me esta mania de ser tão minucioso nas apreciações).
Imaginem uma brisa agradável numa tarde em que estão 42 graus e há bicha na ponte. Aí têm o álbum. Sim, o rapaz, desde há um tempo para cá, está numa de homenagens. Homenageou no disco anterior os perigosíssimos seventies (fê-lo com extremo bom gosto; de passagem: sou fã do registo The Office do teledisco de Love Vibrations). Agora resolveu resolveu fazer uma ode à santa terrinha. À cidade do Tenessee que o viu nascer para a música - e para as cáries. Josh, agora a viver na terra de Almodovar, Bardem e de el Saramago, resolveu chorar os lugares e os sentimentos com que se fez um homenzinho. Copiou, pois, o exemplo de Tó Nando - que, quando se mudou na semana passada para a Penha de França, compôs o Fado da Picheleira.
Músicas preferidas? Winter in the Hamptons – que, segundo meio mundo e o próprio cantautor (sim, leram bem, escrevi cantautor) é um plágio de Smiths, mas que me faz lembrar imenso os Go-Betweens de 16 Lovers Lane (pausa de cinco segundos para deixar cair três lágrimas de nostalgia), Streetlights e as baladas Saturday e Sad Eyes (esta podia muito ter o subtítulo “tudo-o-que-eu-te-dou –tu-me-dás-a-mim-mix”), que no início parece – mas é que parece mesmo – o coleguinha Rufus Wainwright a cantarolar ao piano. Mas tenhamos calma. Não nos estiquemos. Porque – regressando àquele estilo pormenorizado, de que peço mais uma vez desculpa - Josh é Josh. E Rufus é Rufus. Como Ryan é, salvo indicação em contrário, Ryan. NCS

(texto publicado no último domingo em A Capital)

sexta-feira, março 04, 2005

Quase Famosos no Europa

A Europa não é só um velho e respeitável continente que acabou comandado por um ex-maoísta convertido ao mercado. É também uma bonita casa de diversão nocturna, ali ao Cais do Sodré, onde os Quase Famosos – sim, os autores deste blog quase anónimo - organizam uma festarola, na sexta-feira, 11 de Março, a partir das 22.30.

Promete-se tudo, inclusive a possibilidade de tentar uma coreografia “Jennifer Lopez” ao som dos Einstürzende Neubaten. Estará afixada em frente ao gira-discos uma minuciosa lista de músicas que não se podem pedir. O resto – ou seja, o sapateado e as lantejoulas - é convosco.

Para ganharem o direito a entrar, só terão de citar integralmente a letra do terceiro tema do primeiro álbum dos Felt e dizer o nome do xilofonista que colaborou com John Zorn no concerto de Zurique (17 de Fevereiro de 91). A partir daí, o céu – neste caso, a bola de espelhos e os focos – é o limite.

Será proibido falar de política, de bola e da vida sexual frustrada dos DJ’s de serviço.

Os Quase Famosos

quinta-feira, março 03, 2005

Maximilian Hecker



Sentimental, intimista, romântico, no fio da navalha para o piroso (o que sendo alemão é fácil). Mas ouve-se e depois quer-se ouvir outra vez. Como se os Radiohead voltassem a querer soar bem ou os Sigur Ros não se tivessem tornado assim como que para o chato. É o que agora ando a fazer. Alterno o Rose com o Lady Sleep e aviso toda a gente, do mesmo modo que me avisaram a mim, que é para comprar, para ouvir de manhã à noite, de mão dada com a mais que tudo, a pensar nela, ou a pensar em quem ela seria, quando não a temos. Maximilian Hecker é o nome. Se querem andar de boas relações com a vida é comprar. PAS

terça-feira, março 01, 2005

Excesso de Vitamina C (Será Tang?)

Qual tsunami, qual Papa, quais massacres de Dili, o que é Tianamen senão uma bela praça chinesa, de qualquer maneira prefiro a seca à chuva.
A solidariedade dos Quase Famosos está reservada para os casos mesmo importantes.
Com a fraca periodicidade com que consulto o e-mail, só hoje soube as notícias, deixo o conteúdo para mais esclarecimentos enquanto vou rezar um terço:
« Some of you may have heard, sad news ...5pm Orange Juice frontman suffers brain haemmorhage.
Press Association Thursday February 24, 2005: Musician Edwyn Collins is seriously ill in hospital after suffering a brain haemorrhage, his management team said today.The singer and guitarist, who fronted 80s rock art combo Orange Juice before enjoying solo success with the hit A Girl Like You, was taken ill on Sunday. A statement from his management team said: "Edwyn Collins suffered a cerebral haemorrhage on Sunday night and has been in hospital since,where doctors are trying to stabilise his condition. As soon as we`ll have more information we will let you know.".
Collins, 45, who lives in London, was working as producer on the debut album from London blues-soul three-piece Little Barrie when he was taken ill. The artist was born in Edinburgh in 1959. In 1976, he formed theNu-Sonics, which resurfaced three years later as Orange Juice. The band led the Glasgow neo-pop scene with songs like Rip It Up and earned a devoted cult following but little commercial success. Despite his trademark soulful baritone, the singer later struggled to launch a solo career and was signed briefly with Alan McGee's Elevation in 1986. After becoming a producer in the 1990s, Collins earned another shot as a performer when he signed with the small UK independent label Setanta. He then recorded his third solo effort, the album Gorgeous George, and its song, A Girl Like You, became a huge international hit in 1995.»
CG