sexta-feira, dezembro 30, 2005

E para acabar o ano em beleza, um pouco de krautrock

Foi na Alemanha Ocidental do final dos anos 60, enquanto a economia se erguia e a identidade nacional tentava renascer dos escombros da Guerra, que se deu o milagre. A primeira geração pós-Hitler, inconformada com a ausência de referências culturais próprias, cansada de consumir aquilo que vinha da América e inspirada pela vanguarda electrónica de Karl-Heinz Stockhausen, resolveu experimentar. E assim o fez. Em 1967, um grupo de alunos do conservatório de Colónia reuniu-se sob o nome de Can para, conciliando uma formação musical clássica com um instinto inovador, criar uma música diferente de tudo o que até então havia sido feito: uma música que alia método e liberdade; rigor movido a energia tribal.

O Krautrock - termo inventado com intuito depreciativo pela imprensa musical britânica - ou “rock cósmico”, mais do que um género dentro da pop, é um movimento geracional, geograficamente contido, onde a mesma atitude criativa e inovadora deu origem a bandas de distintos estilos: do rock espacial dos Tangerine Dream ao misticismo zen dos Popol Vuh, das pulsações "motorik" dos Neu ao psicadelismo comunitário dos Ammon Dül II, passando pela artilharia electrónica dos Kraftwerk ou pelo contrastes sónicos dos Faust.



Colónia, Berlim, Munique, Düseldorf, Hamburgo. Esta música feita com os instrumentos da praxe – guitarra, bateria, baixo e teclados – e com o estúdio como ferramenta essencial, explodiu por toda a Alemanha para se propagar pelo mundo, dando o mote para diversas das correntes que foram alimentando a música pop dos últimos 30 anos. Do hip-hop de Africa Bambaataa ao pós-rock de Chicago e arredores, do psicadelismo madchesteriano dos Primal Scream até LCD Soundsystem – o grande disco do ano que agora acaba.

Durante muito tempo, o Krautrock foi visto como uma bizarria, susceptível de apenas agradar a geeks japoneses ou aves raras que navegam entre o folclore dos Balcãs e o jazz escandinavo. Graças a Julian Cope (Teardrop Explodes) e ao seu livro “Krautrocksampler” (Pieper Werner Medienexp, 1996) – um dos melhores jamais escritos sobre música –, este género foi reabilitado. Em boa hora, pois é todo um mundo novo que vale a pena descobrir.


Cinco discos para começo de viagem:

Can – Monster Movie (1969)
Cosmic Jokers – Galactic Supermarket (1974)
Harmonia – De Luxe (1975)
Hamon Düll II – Yeti (1970)
Tangerine Dream – Alpha Centauri (1971)

ENP


(publicado no suplemento SARL do Jornal dos Açores)

aquilo que sempre quis confessar... e nunca me atrevi:

Eu não tenho um iPod.

REC

quinta-feira, dezembro 29, 2005

O natal dos alternativos

Lisboa anda numa onda alternativa. Quando andava à procura de casa, no início do mês, um agente imobiliário conduziu-me entre Santos e Alcântara ao som dos Magic Numbers. Ontem à noite, pude partilhar o disco dos Bloc Party entre a Estrela e a Graça com um taxista que lê o NME (e com as inevitáveis interrupções femininas e roufenhas a debitar nomes de ruas e avenidas).

REC

quarta-feira, dezembro 28, 2005

as coisas que se aprendem na arte da bricolage













Para montar uma estante da IKEA precisa-se exactamente de 40 minutos e 34 segundos, a duração do último disco dos Cardigans.

REC

E afinal, o que fica do Natal?

Obrigadinho, Lourenço.
Obrigado, Jaquim
Obrigado, Ana.











Agradecido, Richard.





CG

Inês, fui eu que tirei daí de casa o Unplugged

Penso poder dizer com alguma segurança que o meu anti-americanismo 1993/4-2000 está definitivamente ultrapassado. Voltei a ouvir os Nirvana com prazer, depois de um longo e lento processo de reaproximação, no qual teve um papel essencial a horda de imitações embaraçosas que foram surgindo. Quanto mais os Bush apareciam na TV, com aquela espécie de Jim Morrison versão Michael Hutchence à frente, mais eu achava que, na volta, talvez os Nirvana merecessem algum respeito. E, de facto, olhando desta perspectiva de dez anos passados, estão ali algumas das melhores canções pop da época. Mas também, aproveitando esse mesmo tempo que entretanto decorreu, convém colocá-las no seu devido lugar. São apenas boas melodias. Nem mais, nem menos. Porque, quanto às letras, o mínimo que se pode dizer é que foram responsáveis pelo último suspiro do lirismo da pop dos anos 80. O facto de cantar sobre drogas, ressacas, solidão e depressão não faz de Kurt Cobain um poeta dos anais. Aliás, a sua própria história, vista objectivamente e sem a bajulação do último - miserável - Gus Van Sant, faz dele apenas um dos maiores paspalhos da história da música popular.


FMS

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Coisas giras e diferentes que soube através da última Uncut (que celebra os 20 anos do lançamento de "The Queen is Dead")





Andy Rourke considera "There is a Light That Never Goes Out" a "Candle in The Wind" indie.

NCS

Coisas giras e diferentes que soube através da última Uncut (que celebra os 20 anos do lançamento de "The Queen is Dead")



Helena Christensen considera "There is a Light That Never Goes Out" a melhor canção alguma vez escrita.

NCS

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Fazer pela vida

Informa-se que, amanhã, no Frágil, a ala reaccionária do Quase Famosos (ENP, FMS e NCS) desenvolverá com mestria a arte de enfiar CDs em aparelhagens e carregar no Play. Será na festa de Natal d' O Acidental, conforme se anuncia aqui. A facção progressista, convidada para o efeito, resolveu fugir para a Alemanha ou fazer um filho que a retivesse em casa. Belas historietas. Sempre quero ver se esse tal Vicente existe mesmo.

Os QFs comunicam ainda que, na sequência do evento em questão, estão igualmente disponíveis para abrilhantar outras festas, de casamentos a baptizados, de bar mitzvahs a caçadas no Alentejo, de arraiais populares de Verão a encontros de veteranos do Ultramar.

Apareçam e tragam miúdas de esquerda. Em nome da pluralidade democrática.

FMS

Já tenho o disco dos My Morning Jacket, Ricardo!



É: "Catita 1. agradável; airoso; bonito; casquilho; chique; elegante; enfeitado; formoso; garrido; giro; janota; leino; liró; místico; peralvilho; ratinho; vistoso (...)".

Embora deixe algumas saudades da simplicidade das neilyoungadas do antigamente.


NCS

quarta-feira, dezembro 07, 2005

K

Nestas coisas há o prazer do novo. Do disco que nos surpreende e que nos deixa com um entusiasmo inicial. É verdade que acontece poucas vezes, mas, quando vem, traz a vontade de partilhar a descoberta. Há sensivelmente um ano, era isso que me fazia falar a toda a gente dos Arcade Fire. Mas há também a descoberta do “velho”, do que já ouvimos e que não acrescentando nada de novo, nos deixa com um sorriso meio pueril, de regresso ao passado. O disco dos Clientele é assim mesmo: normal, certinho, sem rasgos. Mas, uma coisa vos digo. Se gostavam dos Gene e dos Auteurs, e o facto de, nos últimos tempos, esta malta ter, num caso, desaparecido do mapa e, no outro, não ter feito nada de muito estimulante vos andava a deixar acabrunhados, o melhor que têm a fazer é mesmo ouvir “Strange Geometry” dos The Clientele. Claramente o melhor álbum de pop de guitarras limpas e escorreitas do ano. Ouçam, por exemplo, “my own face inside the trees”. A propósito, uma felizarda, essa K de que tanto falam.

terça-feira, dezembro 06, 2005

A star was born

Já nasceu o Vicente Adão e Silva.

FMS

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Saudades dos Buzzcocks, dos Clash e dos Sultans of Ping FC?





Isso passa.

FMS

quinta-feira, dezembro 01, 2005

O genuíno drum & bass


Lightning Bolt, Hypermagic Mountain, 2005 ENP