sexta-feira, julho 29, 2005

mas o melhor mesmo é dormir a sesta ao som de Bright Eyes


REC

Isto hoje em dia não há nada como acordar ao som de Emily Kane (dos Art Brut, então de quem é que havia de ser, dona Ermelinda?)


NCS

quinta-feira, julho 28, 2005

nine songs


Nove concertos a acompanhar uma aventura sexual entre um trintão desencantado e uma estudante descomprometida, nove canções a expressar a evolução de uma relação a prazo - o ponto de partida para Nine Songs, um ensaio cinematográfico de Michael Winterbottom que chocou o Reino Unido devido às cenas de sexo explícito a invadir os ecrãs incomodados e que aterra hoje nos cinemas portugueses.

A abordagem crua e pouco romantizada do sexo faz lembrar visões franceses sobre a matéria já com alguns anos (lembro-me de Intimacy), neste caso desacompanhada de uma estrutura narrativa, apostando numa colagem de cenas do dia-a-dia e insistindo num registo mais low-budget e improvisado.

Ao longo de um filme que muito subtilmente dura 69 minutos, a pouca profundidade da experiência acaba por cansar, fazendo com que a mente cinéfila vá lá fora fumar um cigarro (a matutar cá para consigo que isto do sexo intelectualizado acaba por ser monótono), enquanto o corpo e o lado melómano espere ansiosamente pela próxima banda - para depois dançar de forma desajeitada na cadeira e realçar os Black Rebel Motorcycle Club na Brixton Academy e os Von Bondies. Vale pela música, cujo alinhamento deixo aqui:

Black Rebel Motorcycle Club - "Whatever Happened to My Rock´n´roll"
The Von Bondies - "C´mon C´mon"
Elbow - "Fallen Angel"
Primal Scream - "Movin´ On Up"
Dandy Warhols - "You Were the Last High"
Super Furry Animals - "Slow Life"
Franz Ferdinand - "Jacqueline"
Michael Nyman - "Debbie"
Black Rebel Motorcycle Club - "Love Burns"

REC

post sueco

por falar em nórdicos, há muito que os suecos merecem um post sobre as grandes bandas que ultimamente têm atravessado o Mar do Norte. REC

esqueçam que é Verão



Moneybrother / To Die Alone [2005]

Admito: a capa não é famosa (e foi sujeita a críticas de alguns quase famosos durante a festa, o que me magoou profundamente). Mas se tirarem o CD (de olhos fechados) terão a oportunidade de ouvir um disco que sacia a minha ânsia sazonal por momentos épicos, em que crooners suecos ebriamente melancólicos divagam sobre desencontros amorosos, devidamente acompanhados por arranjos de cordas sumptuosos e um piano com alma.

Eventualmente será um disco demasiado nórdico, difícil de ser interpretado por mentes que dormem sob céus claros. A verdade é que na Alemanha o conseguia perceber melhor, particularmente nas noites que cobriam as nuvens silenciosas.

E (como se fosse preciso mencionar) conta com a preciosa colaboração do guitarrista Jari Haapalainen e do pianista Per Ruskträsk Johansson. REC

quarta-feira, julho 27, 2005

A terceira via


a propósito da discussão que decorre aqui ao lado: neste, como em muitos outros aspectos, a minha via é a terceira. PAS

Pop Dell' Arte, hoje, no Fórum Lisboa, às 22 h. Preço: 12,50 Europas. Sei Miguel vai lá fazer uma perninha


NCS

Blur is my radar

Causa-me algum mal-estar o facto de haver gente neste blog a querer parecer que gosta mais dos Blur do que eu. Confesso.

FMS

terça-feira, julho 26, 2005

Talking with the parkingman about loud guitars

Na semana passada, tive o meu momento Billy Bragg (e não, não estive empoleirado na Fonte Luminosa a cantar música de intervenção para os metalúrgicos da CGTP). Estaciono o carro com a ajuda de um arrumador (enfim, será mais correcto dizer: estaciono o carro com o acompanhamento do esbracejar de um arrumador), que me abre amavelmente a porta enquanto escuta o som que sai da viatura e comenta "grande Sugar Kane. Os gajos nunca mais fizeram nada assim". Bragg falou com o inspector das finanças sobre poesia. Eu, com o inspector de finanças, falaria apenas por obrigações profissionais e de cidadania. Tudo o resto (política local, gastronomia bretã, células estaminais ou Sonic Youth), guardo para estes breves encontros com os meus arrumadores.

FMS

O que me apetece ouvir


Levanto-me da cadeira, arrasto a melómana carcaça até à estante (agora provisoriamente arrumada) e, depois de me sentir tentado pelos The National, por Neil Young e pelos My Morning Jacket, escolho Heroes to Zeros, dos Beta Band - que comprei em segunda mão na bendita Carbono. Ganda discalhaço, diz-me o meu filho, antes de resmungar que já não há pachorra para o CD Classical Music for Growing Minds. (A propósito, alguém já ouviu Night on Fire, o disco dos VHS or Beta; eu já ouvi falar, apenas). NCS

segunda-feira, julho 25, 2005

Mexia sobre os Arcade Fire


«(...) Uma canção pode começar com notável lirismo (como no genial Une Anée sans Lumiére) e depois descambar num louco despique de guitarras. Ou parecer uma intensíssima balada para piano e cordas (como em Crown of Love) e saltar sem aviso para um regabofe quase eurodisco que Jarvis Cocker não desdenharia (...)». (DN de hoje)
NCS

Atenção, miudagem: o gajo da Escrítica Pop faz hoje 50 anos

O punk chega aos 30 (prosa dedicada a todos os leitores que nos acusam de sermos demasiado eighties*)


Como é que um tipo de 30 (quase 31, note-se) anos pode estar tão desejoso de fazer uma moshalhada qualquer (pode ser com as senhoras do salão paroquial) ao som dos londrinos Art Brut? Outra pergunta: por que é que um tipo aos 30 anos não está em casa de cachimbo na mão a ouvir um jazzinho porreiro - um Brad Mehldau, por exemplo - ao lado do seu labrador chamado Miles?
Ninguém sabe. E ninguém parece estar verdadeiramente preocupado com isso (há outras coisas para pensar – o défice, a fuga de Campos e Cunha, o penteado do Beto). Mas essa é que é essa. Estou maluco com o rock que se anda a fazer por aí. (Penso que o rock não estará assim tão maluco comigo; digo eu).
Até estou a dar em punk – eu que nunca fui de grandes entusiasmos anárquico-musicais tipo Clash e Sex Pistols. Os Art Brut (nunca me cansarei de escrever o nome desta banda, mesmo que já comece a roçar a patologia melómana e o imperativo de internamento) deram-me vontade de, para citar Roland Barthes, partir isto tudo.
É isso. O rock está de volta. Para, mais uma vez (é essa a sua eterna missão), aparvalhar as mentes. Basicamente, guitarra, baixo e bateria - e tudo a abrir. Há o rock mais duro, mais stalonniano, mais “e se a gente pegasse fogo à carripana da professora de matemática do Zé Ricardo?” e há o rock arty (praticado por aqueles gajos com nome de arquiduque, mas que também podia assentar bem num cabeleireiro da zona da Bica do Sapato - os Franz Ferdinand).
E há, para além disso, os Bloc Party - autores de “Silent Alarm”, um disco único, a rasgar (passe a citação de Botho Strauss). Neste momento, ouço uma compilação da Les Inrockuptibles, chamada justamente Le Retour du Rock – que conta com as simpáticas presenças de, entre outros, os The Rakes, os The Walkmen e os The Parisians (tudo bandas acabadas de sair da maternidade).
Estas barulhentas agremiações lúdico-culturais chegam de várias terriolas do globo. Temos rapaziada inglesa, escocesa, americana, francesa, canadiana, sueca, australiana, etc. (não, os já extintos Parkinsons não entram na fotografia de grupo). Que explora, com frequente pintarola, a sua dimensão rude – muitas vezes, matizada por informação vária em História de arte. Como convém para a pose, aliás.
A Les Inrocks sistematiza desta maneira as influências maternais do movimento: rock n’ roll; punk; postpunk, new wave; e art-rock (falta o bailinho da Madeira e o neovira, mas pronto, se calhar não tiveram tempo para mais).
Nem tudo é bom, confesso. Sobretudo para quem tem o Best Of dos Kinks à frente e acabou de ouvir o álbum dos Libertines. Até há coisas chatas (como, lembrei-me agora, algumas passagens dos álbuns dos aclamados Kings of Leon). Mas acumula, como se costuma dizer, uma energia do caraças. E é, como não se costuma dizer (pelos menos em artigalhadas sobre música indie), uma rambóia permanente. Faço, por isso, uma perguntinha final: quem é que acompanha este senhor idoso no stage-diving?

*portanto, aos nossos filhos e às nossas mulheres

(texto publicado no SARL, suplemento do Jornal dos Açores, e depois remixado em A Capital)
NCS

Procura-se



Em CD ou LP. Pago acima do preço. ENP

sábado, julho 23, 2005

a música está nas ruas


A pastelaria TimTim, lá para os lados da Praça de Espanha, é conhecida pela fauna bem informada sobre a cena musical. Soube assim pela voz de um mastigador de rissóis que o Damon Albarn e o Graham Coxon estão a quase a voltar a ser amigos. Mais ainda, antes de o sujeito se engasgar e proferir sons pouco apetitosos, revelou que o Damon apenas lançará um novo disco dos Blur se o Graham voltar a juntar-se à malta.

Por falar em reuniões, os miúdos que jogam à macaca aqui em baixo no pátio não me querem emprestar o disco dos The Tears (Here Come The Tears), o novo grupo do Brett Anderson e do Bernard Butler, que não se cansam de elogiar enquanto ensaiam saltos alegres.
REC

sexta-feira, julho 22, 2005

Um dia banal na vida de um melómano lisboeta

Numa esplanada no Largo do Carmo, uma executiva trintona falava em voz alta com o namorado. Fiquei a saber que os Kasabian estão a compor o hino oficial da selecção inglesa para o Mundial de 2006 e que o João sofre de uma gastroenterite aguda.

Espreguiçado no jardim do Príncipe Real, afio os ouvidos para escutar um assistente de Direito, de porte altivo, a brandir o seu Código de Registo Civil e a discursar, entre um golo e um tremoço, sobre o novo disco dos Wilco, que será muito influenciado por música de dança e Fela Kuti.

Já no metro, sou abordado por uma turista inglesa avermelhada que, em tons lascivos, me confidencia que o John Squire já garantiu que, logo que acabar de gravar mais um dos seus discos chatos, os Stone Roses se irão voltar a reunir, enquanto mãos hábeis se esforçam por lhe roubar a carteira. Não me disse quando, porque saiu a correr atrás do larápio na estação de S. Sebastião.
REC

ainda ainda os grandes nomes

# 9 Kate Mosh


Rapazes de Berlim que passaram a juventude a assistir a muros a cair e a fugir ao Inverno em quartos sobreaquecidos ao som de Sonic Youth, Fugazi e Dinossaur Jr. Encontraram o espírito indie nas gavetas nostálgicas e andam por aí, com as suas guitarras caóticas e músicas apressadas, numa Alemanha perto de si.
REC

ainda os grandes nomes

# 8 Bulimic Orchestra


Reza a lenda que os Bulimic Orchestra foram fundados numa aldeia em Katmandu, onde Ian Johnston e Marc Barkley, cada qual em viagens solitárias à procura do seu “eu”, se conheceram e descobriram um interesse comum em música andrógina e chá nepalês. Apenas editaram um disco (“Siamese Outstandings”), que, nas palavras do cantor, pretendia ser uma banda sonora para filmes sobre a vida animal. O que explica o seu fim épico, quando declararam o fim da banda durante um concerto improvisado na aldeia dos macacos do jardim zoológico de Antuérpia.
REC

quinta-feira, julho 21, 2005

E agora só para conquistar para a causa o Francisco Gallagher da Silva



«The oddest thing about the Chameleons' comeback is that they've carried on exactly where they left off, with their devoted fanbase still intact (the Verve and the Gallaghers reputedly among its members) (...)»

(The Guardian, 3 de Agosto de 2001)
NCS

Um texto para compreender o fenómeno destes madchesterianos

Straight from the horses mouth - the inside line on The Chameleons

All notes by Mark

Once upon a time in a galaxy far, far away, I was the lead singer, bass player and co-writer in a British guitar band called 'The Chameleons'.
Although we had known each other since early childhood, we came together as a band early in1981. For me it was just something to do a few nights a week while waiting for life to happen. I expected nothing from it whatsoever, except perhaps a few laughs in good company.
It was the start of a new adventure that took me in and out of the BBC a few times; to the plush offices of London record companies and expensive, sterile recording studios with expensive, sterile record producers. To every major city in England and a few not so major. To the Highlands of Scotland. Backwards and forwards across Germany, France, Spain, Portugal, Switzerland, Holland. Across Canada and the U.S.A. Italy, Greece, Jerusalem, Monserrat and the San Remo Cafe, Drake Street, Rochdale.
Along the way I encountered Rock Gods, witches, a wizard (an' he was my friend, he was), druids, drug-dealers, UFO's, at least one genuine celestial angel, sado-masochists, poets, painters, speed demons (almost becoming one myself), very beautiful men, very beautiful women, the Devil, writers, actors, Mohammed Ali, monster hunters, Hells Angels, the reincarnated soul of an Egyptian pharaoh, and a good egg. To name just a few.
I also got to make music and records with some of the most interesting, humorous and talented people I've ever met.
It all ended in the summer of 1987 after the death of a close friend, or rather, it should have done, but didn't.
Since then, interest in the band has grown well beyond the apathy of our times. Great bands have mentioned us in the media, one celebrity even singing out the line to one of our songs recently as he collected his Brit award (Liam Gallagher of Oasis: "Is it any wonder?"). People are still keen to ask me about the group. People still seek out the records and still approach me, give me a hug or shake my hand, their eyes moistening (I eat a lot of garlic), to ask if we'll ever play again.
I didn't think so, but it goes to prove that you never know!

NCS

Vamos lá ver se o Expresso faz manchete com isto

Camaleões de corrida


Quando tiver de escolher as minhas bandas preferidas (e já me disseram que isso vai acontecer no Juízo Final; neste caso, no Juízo Musical Final), serei obrigado a mencionar os Chameleons. Um dos álbuns que mais marcaram a minha juvenil existência foi Strange Times (sobretudo a triste e asfixiante Soul in Isolation). Neste momento, ouço The Fan and the Bellows (disquito que comprei há relativamente pouco tempo). Pode dizer-se que o som não é diferente de muitas bandas do pós-punk. Mas até hoje não ouvi ninguém com um vozeirão melancólico como aquele. NCS

Quem é que se lembra do baixo de José Pedro Moura nos Pop Dell'Arte?

NCS

quarta-feira, julho 20, 2005

A minha vida é feita de altos e baixo



Se tivesse de escolher um instrumento, escolhia o baixo. Para mim, é o mais importante de toda a história da música pop. Silent Alarm – o mais que cá de casa ópus #1 dos Bloc Party - é um dos mais recentes momentos altos do baixo. Um grande disco de baixo. E Gordon Moakes, o responsável pelo feito, arrisca-se a um dia entrar para o clube dos baixistas sem os quais não devia ser permitido viver, onde constam nomes como Jah Wobble, Peter Hook, Robbie Shakespeare, Bootsy Collins, Tina Weymouth ou Chris Squire. ENP

Em defesa do comércio tradicional



Caros leitores, não gastem o dinheiro todo nas fnacs ou as energias e a paciência a sacar mp3 da internet. Comprem discos. Comprem discos em lojas onde estes são tratados com respeito. Se necessário, trabalhem mais para merecê-los. Mas comprem discos em lojas de discos. Vão à Ananana, vão à flur, vão à king Size. Arruínem-se à vontade, porque estarão a investir num património que em breve se tornará raro: uma colecção de discos.ENP

Este momento não teve qualquer patrocínio.

40 anos na estrada

2005

2045

ENP

Na festa dos QF, houve quem tentasse ajustar contas


Captain Hawk e amigo

ENP

Alguém falou em festa com demasiados DJs ?




ENP

terça-feira, julho 19, 2005

Uma festa cheia de caras bonitas (VI)



À saída, confraternização entre artistas e groupies, antes da foto para a posteridade (o que é feito de si, Cristóvão Gomes?).



FMS

Uma festa cheia de caras bonitas (V)



Aqui, dois dos momentos altos da noite. Em cima, não se percebe bem o que é, mas é decerto um momento alto, pronto. Um bocado para o estúpido, claro, mas, em todo o caso, alto. Em baixo, a chegada de um dos comentadores frequentes do QF, o famoso Captain Hayeck.



FMS

Uma festa cheia de caras bonitas (IV)



Muitas foram as celebridades a marcar presença. Em cima, os Bloc Party no momento da sua chegada ao D&D. Em baixo, o DJ fotógrafo acompanhado de Dee Bee, o vocalista dos Heraldic Lovers.



FMS

Uma festa cheia de caras bonitas (III)



Apesar de, ao contrário do esperado, não ter aparecido nenhum inspector de finanças, a festa contou com a presença de outros referentes ético-sociais da comunidade, desde ilustres causídicos até a altos quadros dos órgãos de soberania.



Toda a credibilidade e consideração social de que a actividade de DJing goza está presente na expressão levemente marialva de dois dos Djs de serviço, com olhar confiante mas a denotar um certo complexo de superioridade relativamente ao comum do cidadão.

FMS

Uma festa cheia de caras bonitas (II)



Os convidados chegavam em grupos bem alegres e divertidos, por um caminho iluminado por archotes aromáticos e ao som de uma ária de Alice Cooper. Muito notada foi a presença do casal Nuno Costa Santos e Ricardo Esteves Correia (em cima), na noite em que regressaram de Espanha, onde, por razões exclusivamente fiscais, celebraram matrimónio. Questionado sobre a ausência da sua esposa oficial portuguesa, Costa Santos revelou que a opção pela dita ausência se prendeu com a possível presença na festa de inspectores de finanças, como se sabe, uma classe sempre pronta para bater o pé ao som de Wim Mertens. Nada destas manias igualitário-progressistas, portanto. Esteves Correia trazia bem visível a t-shirt que os colegas de trabalho lhe ofereceram como presente de casamento.

P.S.: Favor evitar comentários menos próprios acerca da menina da fotografia.

FMS

Uma festa cheia de caras bonitas

[Ou: Para a próxima, o DJ fotógrafo paga o que bebe, a ver se a reportagem não parece a da rentrée do Algarve feita pela Olá Semanário]



O DJ fotógrafo, antes ainda de dar uso ao cartão de consumo.

FMS

Grandes nomes

Grandes nomes

Grandes nomes

#5 ...And You Will Know Us By The Trail Of Dead



FMS

Grandes nomes

#4 The Eighties Matchbox B-Line Disaster



FMS

Grandes nomes III

#3 Brian Jonestown Massacre



Neo-psicadelismo americano do bom. O título do seu segundo disco - Their Satanic Majestie's Second Request (1996) - também é do melhor. E as capas não lhe ficam atrás. Enfim, só qualidades.ENP

O cleptodiscómano

No momento em que a luz veio abaixo, a sua esquizofrenia veio ao de cima. A sua esquizofrenia e a sua discomania. Com a sala praticamente às escuras, foi apanhado a tentar roubar os seus próprios discos. ENP

Armas de destruição massiva



"(...) It's the mass of the sound. And the fact that they never tried to balance the different elements - everyone just plays as loud as they like. If the drummer wants to be heard, he has to hit the drums harder, or the guitarist can bring in some more amps. Recently I've noticed in soundchecks that everyone tries to adjust the sound so it can accommodate the quitest sounds. The moment you try to do that the music dies. You need to go the other way , to accommodate the loudest sounds. Of course volume has an effect on the mind and on the ears. Playing something too loud is like an accident, but music needs to encompass the accidental and by trying to project or reduce the accidental to the minimum you just kill the music. (...)"*

*Keiji Haino (figura chave do white noise japonês), sobre os Blue Cheer, no último número da Wire. Os Blue Cheer foram aquilo que na época (transição 60s/70s) se chamou de um power trio. Muito melhor que os Cream e quase tão bom como a Jimi Hendrix Experience.
Quem quiser conhecer as origens do metal e do punk, deve passar por aqui. ENP

Os génios trabalham na penumbra



FMS

Je suis un autre

Antes que me comecem a fazer esperas à porta de casa para autógrafos e palmadinhas nas costas, fiquem a saber que não sou eu o Francisco Silva dos Old Jerusalem. Se fosse eu, não o poderia ter entrevistado, como fiz, algures em 2002 ou 2003, quando o rapaz apareceu lá na rádio todo de preto e de Economist enrolado debaixo do braço.

FMS

segunda-feira, julho 18, 2005

Não me emprestem discos


Não foi a primeira vez nem vai ser a última. Quis encontrar um álbum («April», o primeiro dos Old Jerusalem) no meio da tralha e não o encontrei. Ainda por cima o disco é emprestado. Por isso, antes que me dê uma fúria estival, deixo aqui registado em letra de imprensa: meus amigos, não me emprestem mais discos. Eu não mereço os CD's que vocês (generosos melómanos) me emprestam.
(Aproveito para agradecer ao wedding presentiano Ricardo Esteves Correia a ajuda que me deu na arrumação de quase toda a minha discalhada; num serão de Julho, entre cervejas e diletâncias várias, arrumámos a parte sonora da casa – ou seja, os 546 discos que estavam fora das caixas). Agora vou ter de escrever sobre «Twice the Humbling Sun», o segundo álbum deste senhor idoso de Jerusalém, sem ter o outro por perto – e assim poder realizar um zapping entre estas duas lacrimejantes obras. (Já viu a minha vida, dona Arlete?)
Antes de mais, convém notar que alguns dos meus grupos preferidos fazem noutras paragens aquilo que Francisco Silva faz nestas lusitanas terras: contar histórias num tom folky e baladeiro. O meu grupo preferido neste registo (e talvez mesmo em termos absolutos) são os bem conhecidos Red House Painters. É difícil ser tão suave e sublimemente trágico como o ressacado Koselek. (Recentemente, tive uma paixão pelos My Morning Jacket, do Kentucky – sobre os quais, curiosamente, nunca ouvi falar em Portugal).
Passemos a zona da rebentação. Depois de ouvir e reouvir «Twice the Humbling Sun», afirmo aquilo que nunca ninguém afirmou em toda a história da crítica de música: é um belo disco. É, sim senhor. E digo isto fazendo questão de anotar um dado importante: é um belo disco em qualquer parte do globo. Ou seja: não é «bom para português» (como se costuma comentar nas esquinas). É bom ponto. Tem qualidades. Comove.
O álbum começa com 180 Days – musiqueta que se afasta um pouco do registo base (faz lembrar, imaginem, os velhinhos Ultra Vivid Scene, uma banda da 4AD). O Joy of Seeing You, a segunda, ainda é também uma espécie de aquecimento. Monocórdica, a contrastar com os supostos sentimentos alegres revelados no título.
O disco (na sua linha dominante, digamos assim) só arranca mesmo à terceira. Chubby Mounds, no seu dedilhado de cordas e na sua melodia etérea, faz sonhar até a minha vizinha de baixo. Segue-se Earlier the Lake Today (a minha preferida – até na letra; «tuck your breasts inside the bra, a naughty look I know you saw»). O disco prossegue porreiraço com A Reasonable Way of Thinking Things e One, I Should Know You. Seasons é, sem dúvida, um ponto alto – na sua esvoaçante beleza melancólica. Por outras palavras: um gajo fica a pensar na vida.
A Feast of Our Communion (sim, mais uma canção sobre relações) traz-me à memória os Mojave 3. E a última, Finally for Me, recorda-me os Jesus and Mary Chain, na sua versão slow (numa construcção, digamos, mais abstracta e complexa – aliás essa abstracção das composições de Francisco Silva é uma das melhores características do grupo). E, para mim, isso é um óptimo sinal. Até porque os Old Jerusalem mantêm a sua serena originalidade no meio da catrefada de influências. NCS (o rapaz de t-shirt preta bla, bla, bla).
(texto anteriormente publicado no jornal A Capital)

PS – Entretanto, já encontrei «April» (que traz, por exemplo, Stroll, toda ela um programa de bom gosto). Estava, juntamente com o «Best Of» dos Kinks e a compilação da Les Inrockuptibles «Le Retour du Rock», dentro de um dos sofás da sala (queria ter levado para a festarola pelo menos estes dois últimos CD's). Mantenho, no entanto, o que escrevi: não me emprestem discos. Mesmo. Obrigado sou eu.

Grandes nomes II

#2 Throw that Beat in the Garbage Can


(Francisco, desculpa lá ter-te surripiado a ideia, no dia em que és duas vezes referido n´A Capital - uma delas em nome dos quasefamosos) REC

Ainda a festa


Sentimo-nos colectivamente envergonhados por estes senhores não terem sido ouvidos. PAS

domingo, julho 17, 2005

Grandes nomes

#1 The Flying Burrito Brothers



FMS

sábado, julho 16, 2005

É que a festa não foi mesmo nada uma merda, pá!



Para breve, a reportagem completa. Eu não me lembro de grande coisa. Peço ajuda aos restantes QFs.

FMS

A festa não foi uma merda, pá!

«Caros dijais quase famosos,

Venho por este meio agradecer a efeméride festiva da noite passada.

Nem mesmo em Tokyo ouvi tal selecção musical que muito agradou ao meu ouvido e aos meus ossos que se abanaram como há muito tal não acontecia.

Quando cheguei estava o rapaz de t-shirt branca, com óculos a bombar it’s the end of the world as we know it... :). Ouve um momento mais obscuro com o rapaz de t-shirt preta “bla bla bla” mas ainda assim interessante.

O momento eclético missy elliot, franz ferdinand, scissor sisters já não sei quem estava a bombar agradou à comunidade bailante.

A dupla camisa branca/t-shirt azul “wedding present” (olha lá, o outro também de óculo e t-shirt azul é teu irmão? Caramba são iguais!) foi a que mais gostei. Digo dupla porque sempre que olhava ou tava um ou o outro e já não percebia quem é que escolhia os cds. Também já não me recordo bem do alinhamento mas os Stone Roses foram o (meu) momento alto e fiquei muito triste por não terem passado Arcade Fire... Chuiff, chuiff.

Dômo Arigatô Gozaimasu e fico ansiosamente à espera da próxima.

Atenciosamente,

Sara aka Sushi Lover
»

Não me lembro de ter escutado os Stone Roses, os Scissor Sisters e a Missy Eliot, mas o Jameson estava a saber bem.

FMS (o da camisa às flores)

sexta-feira, julho 15, 2005

Vamos lá ver se a festa não vai ser uma merda, pá (rerepost para lembrar a malta - agora em itálico)

Como é sabido, as promessas não são para cumprir, mas por uma vez tem de ser: hoje, a partir das 22h, haverá regabofe dançante com o sonoro devidamente seleccionado pelos DJ’s do Quase Famosos.

Será dada entrada preferencial a grupos com coreografias ensaiadas (isto para elas). Os gajos que conseguirem imitar o sô Antony (sem os Johnsons) terão direito a bar aberto de Caprisone. Em alternativa podem entrar acompanhados pelo João Lisboa.

Esperamos gente gira e diferente. Tudo na Rua do Conde, n.º 57, na danceteria D&D. Se tiverem dificuldade em encontrar o sítio, sigam a batida esfuziante de um Wim Mertens ou quiçá de uns LCD.

(A Rua do Conde fica junto ao Largo em frente ao Museu de Arte Antiga, perto dos saudosos Stones).

Os Quase Famosos

João Pedro Gomes vai estar na área



Última hora: esse rapaz ultra-ultra-talentoso chamado João Pedro Gomes (que já lançou a sua verve em trezentos mil projectos - entre eles o mítico programa de tv Pop Off), antes de ir fazer veejaying para um sítio obscuro chamado Lux, vai passar pelo magistral D&D para pôr a rodar a imagem lá do sítio. Isso mesmo: parece que afinal a festa não vai ser uma merda, pá. NCS

quinta-feira, julho 14, 2005

Aviso importante (para além da festa)



Cuidado, pessoal: Kelly Family em Agosto na Nazaré. NCS

quarta-feira, julho 13, 2005

Vamos lá ver se a festa não vai ser uma merda, pá (repost para lembrar a malta - agora a negrito)

Como é sabido, as promessas não são para cumprir, mas por uma vez tem de ser: na próxima sexta-feira, dia 15, a partir das 22h, haverá regabofe dançante com o sonoro devidamente seleccionado pelos DJ’s do Quase Famosos.

Será dada entrada preferencial a grupos com coreografias ensaiadas (isto para elas). Os gajos que conseguirem imitar o sô Antony (sem os Johnsons) terão direito a bar aberto de Caprisone. Em alternativa podem entrar acompanhados pelo João Lisboa.

Esperamos gente gira e diferente. Tudo na Rua do Conde, n.º 57, na danceteria D&D. Se tiverem dificuldade em encontrar o sítio, sigam a batida esfuziante de um Wim Mertens ou quiçá de uns LCD.

(A Rua do Conde fica junto ao Largo em frente ao Museu de Arte Antiga, perto dos saudosos Stones).

Os Quase Famosos

The Great British Songbook?


O único Oasis que interessa - Andy Bell (que agora parece que toca baixo com os irmãos Gallagher, mas, em tempos, fez parte dos RIDE). PAS

The Great British Songbook

[Texto previamente publicado no Jornal dos Açores]



Os Oasis são de uma importância vital para grande parte da Humanidade. São-no, desde logo, para todos os que lhes coleccionam a discografia, que lhes admiram as melodias, os excessos e os dislates, que lhes invejam a pose, a aparência e o estilo de vida (deixemos, porém, a autobiografia para outro dia). E são-no também, se não mesmo principalmente, para todo um exército ocioso de jornalistas e críticos. Cada álbum novo dos Oasis é um alívio para muito braço caído com défice de criatividade e ânsia de aceitação pela classe.

Fazer a análise de um disco desta ilustre gente de Manchester, não só é tecnicamente fácil, como é profissionalmente recompensador. Fácil, porque basta decalcar da cartilha os preconceitos correntes; recompensador, um vez que criticar os Oasis está para o jornalista pop como a luta antifascista para o político pátrio: é uma espécie de etiqueta de qualidade certificada, de idoneidade para a prática do ofício. Depois de uma boa vergastada na banda dos Gallaghers, aí sim!, é só palmadinhas nas costas dos colegas mais velhos, é só sumidades a quererem oferecer ao mancebo os seus primeiros óculos de massa e o seu primeiro sobretudo rafado, é só conversas com o João Lisboa sobre os Rollerskate Skinny.

E é precisamente por o cenário ser basicamente o exposto que se estranha a benevolência com que o novo álbum dos Oasis («Don’t Believe The Truth», 2005) tem sido recebido. Salvas as devidas excepções, existem mesmo casos em que a coisa atinge o entusiasmo e até a histeria, como já não se via desde os tempos de «Definitely Maybe» (1994) e (What’s The Story) Morning Glory? (1995). Desconheço ao certo a razão para a conversão súbita. Mas desconfio.

Os Oasis foram, em meados de 90, o que apenas alguns conseguiram ser em toda a história da pop. Assim como Elvis ou os Beatles, como os Stones, Bowie ou os Nirvana, os Oasis mudaram, literalmente, a imagem de uma nação. A força das suas canções, da sua atitude hedonista, da sua confiança desbocada e da sua mentalidade hooligan sofisticada fez com que, em determinado momento, toda a Inglaterra adolescente vestisse, pensasse e falasse como Liam e Noel Gallagher, unindo-se alegremente nos hábitos de vida das lower classes. Ao contrário do que é comum dizer-se, não foi a imprensa que fez os Oasis; os Oasis, com tudo de genuíno que têm, é que foram – e são - um prato apetitosíssimo para a imprensa.

Em todo o caso, com o fim da década, a comunidade melómana passou a entreter-se com outras modas, de outras influências. Deixaram-se os sixties em paz e revisitaram-se os eighties e os últimos dias dos seventies, com toda a multidão saltitona do pós-punk, da electrónica e dos neo-românticos. O resultado foi, em grande parte, de uma enorme artificialidade e inconsequência. Muitas das bandas de que por aí hoje se fala mais não são que resquícios de catálogo que as editoras resolveram reenpacotar com cabelos e maquilhagem à Duran Duran (digam olá aos Bravery).

Perante esta efemeridade comercialóide, os Oasis são um bálsamo. E o novo álbum não engana: rock clássico sem nenhuma urgência modernizadora, canções irrepreensíveis com as influências certas (Beatles, Stones, Kinks, os Velvets) e a mesma atitude desafiadora de sempre.

Andemos por onde andarmos, é bom saber que eles continuam lá à nossa espera.

Os Oasis já não são a salvação do rock. Mas são o seu lar mais fiel.

FMS

e o anúncio da festa está dois posts abaixo

(reparei agora que tirei o lugar de destaque à rave quase-famosa de sexta-feira)

cantinho do single

(selecção de músicas soltas que se vai apanhando por aí, solitárias, sem a companhia das faixas suas colegas)

1 - The Others /Lacey [The Others]

A Grã-Bretanha volta a festejar efusivamente uma nova cena musical, que inclui Maximo Park, Kaiser Chiefs, Blogue Party e umas quantas The-bandas, mas que, ao contrários de outros hypes cirurgicamente fabricados, parece ter a força e a qualidade para não ser engolida. Os The Others são um dos nomes que representam “a geração alienada e isolada, a quem o futuro não pertence, nem o passado” (diz o vocalista, armado em sociólogo) e tem a dose suficiente de raiva e energia para fazer dançar uma sala de concertos suada. Um baterista a dar-lhe bem, um baixista extrovertido, uma guitarra estridente e um sotaque inglês proletário quanto baste - ingredientes suficientes para um single que se ouve bem em qualquer festival. Cheira-me é que o disco não traga nada de novo.

2 - Turin Brakes / They Can´t Buy The Sunshine [Jack in a Box]


O mais puro pop californiano tocado por um grupo de ingleses. Doces harmonias femininas, guitarras acústicas com laivos folk, uma aura de serenidade, entre um mergulho numa piscina banhada pelo Pacífico lá para os lados de Canterbury e uma lambidela num Solero.

REC

Vamos lá ver se a festa não vai ser uma merda, pá

Como é sabido, as promessas não são para cumprir, mas por uma vez tem de ser: na próxima sexta-feira, dia 15, a partir das 22h, haverá regabofe dançante com o sonoro devidamente seleccionado pelos DJ’s do Quase Famosos.
Será dada entrada preferencial a grupos com coreografias ensaiadas (isto para elas). Os gajos que conseguirem imitar o sô Antony (sem os Johnsons) terão direito a bar aberto de Caprisone. Em alternativa podem entrar acompanhados pelo João Lisboa. Esperamos gente gira e diferente. Tudo na Rua do Conde, n.º 57, na danceteria D&D. Se tiverem dificuldade em encontrar o sítio, sigam a batida esfuziante de um Wim Mertens ou quiçá de uns LCD.
(A Rua do Conde fica junto ao Largo em frente ao Museu de Arte Antiga, perto dos saudosos Stones).
Os Quase Famosos

terça-feira, julho 12, 2005

Party People

Não marquem nada para Sexta-Feira à noite.

FMS

eu, o malkmus e a fase adulta


Na mesma noite em que descobri que Javier Marías revela uma obsessão por médicos nocturnos (ler “Quando fui mortal”), soube que Stephen Malkmus estava a tornar-se adulto.
“face the truth” foi, dos discos que comprei ultimamente, aquele cujo celofane rasguei com mais sofreguidão enquanto me sentava junto a um casal ucraniano no metro. Não fiquei desiludido, mas também não me fez telefonar exultante a amigos, se calhar devido às grande expectativas. Malkmus afasta-se definitivamente dos ensaios pavementianos sobre devaneios guitarristas, que se encontravam ainda nos seus dois primeiros discos a solo, suaviza o seu som, a sua voz (o início de “Loud Cloud Crowd” faz mesmo lembrar Simon&Garfunkel) e opta por cenários mais melódicos, transportando um doce aroma das vastas planícies americanas para uma noite lisboeta num apartamento no Príncipe Real.
Mas as guitarras não se afastaram, tornaram-se, porém, também elas mais adultas, tiveram filhos, saíram da cidade. Não é o seu melhor disco, mas adequa-se perfeitamente a noites que se despedem quando se chega do trabalho. Acho que isto também significa crescer e Stephen Malkmus é um dos poucos músicos a quem podemos conceder a honra de se afastar dos sons que marcaram a nossa juventude. REC