domingo, maio 21, 2006

Os amigos de Alex

O que é que um melómano criado entre quilos e quilos da melhor prosa pop cínica pode dizer do concerto dos Arctic Monkeys? Muito laconicamente - para que não se atravesse a linha do foleiro -, que há algo de verdadeiramente emocionante na circunstância dos quatro lads de Sheffield. Com a idade em que os outros ponderam se querem mesmo ser advogados, contabilistas e maquinistas da CP, Alex e os amigos viajam pelo mundo ainda meio apalermados com o que lhes aconteceu, enchendo salas, debitando algumas das melhores canções dos últimos anos, feitas de guitarradas adolescentes e letras insolitamente maduras de ritmo e observação. A inveja poder-me-ia ter dado para o ressentimento. Afinal de contas, ainda estes imberbes andavam de cueiros iguais aos do Telmo Correia e já eu tinha a colecção inteira do Ray Davies. Mas felizmente deu-me para o paternalismo. Os Arctic Monkeys são um tesouro a guardar. Do que se viu no Garage, há toda uma geração disposta a ser salva do resgate a que as inanidades dos Morangos Com Açúcar e dos D'ZRT a querem subjugar. Criançada com quinze e dessasseis anos, orgulhosa das suas t-shirts dos Strokes e dos Jam, dedicada ao mosh e ao crowd-surfing como se não houvesse amanhã. Os Arctic Monkeys é que ainda sofrem de acne mas, como se viu na Sexta, os Radiohead é que andam há dez anos a tocar punhetas. O rock é isto. Como cantavam os Public Enemy, não acreditem no hype. É muito, muito melhor.

FMS

sábado, maio 20, 2006

mais uma razão para ir a paredes de coura


Broken Social Scene confirmados. Com um cartaz destes, não parece que se concretizem os rumores que sussuravam uma eventual visita dos Bloc Party, que devem rumar à Zambujeira. REC

quinta-feira, maio 18, 2006

hoje há arctic monkeys em lisboa


(depois conta como foi, Francisco "British bands are the best" da Silva)

Mas outros concertos andam aí pelo país fora a encantar os nossos ouvidos:

- Festival Where’s The Love na Zé dos Bois (18, 19 e 20 de Maio)
- Yann Tiersen (19 de Maio, Portalegre; 20 de Maio, Famalicão, Casa das Artes)
- Dresden Dolls (23 de Maio, Famalicão, Casa das Artes)
- Kronos Quartet (24 de Maio, Porto, Casa da Música)
- Legendary Tiger Man (25 de Maio, Coimbra, Teatro Académico de Gil Vicente)
- Stuart Staples (3 de Junho, Lisboa, Santiago Alquimista)
- Ed Harcourt (11 de Junho, Lisboa, Santiago Alquimista; 12 de Junho, Porto, Cinema Batalha)

e depois ainda temos os festivais, mas isso é outra conversa. REC

quarta-feira, maio 17, 2006

está combinado, shoplifter

conforme prometido nos comentários do post abaixo citado, o Senhor shoplifter (com quem ainda não travei conhecimento) promete usar uma t-shirt dos Wedding Present em Paredes de Coura. O que nos dá a oportunidade de iniciar um movimento das pessoas que usam t-shirts dessas no dia do concerto do Morrissey. Não pode ser é esta:



Porque é a minha e já me deu uma grande alegria. E permitiu-me iniciar conversas com pessoas desconhecidas (especialmente no metro), que acreditavam mesmo que

a) a t-shirt tinha sido a minha prenda de casamento (o que seria algo triste)

b) que eu tinha sido a prenda de casamento (como se eu ficasse bem a a saltar de um bolo e, pensando bem, a ideia de oferecer pessoas pelo casamento é perversa).

REC

terça-feira, maio 16, 2006

lista de compras

coladas na porta do frigorífico, as minhas necessidades para o dia-a-dia que se avizinha:


Scott Walker - The Drift

Final Fantasy - He Poos Clouds

Espero que a minha empregada não se esqueça. REC

sexta-feira, maio 12, 2006

mais uma razão para ser feliz


No ano passado, pudemos ver os Arcade Fire. Este ano, a principal razão para peregrinarmos a Paredes de Coura chama-se Stephen Patrick Morrissey, nascido a 22 de Maio de 1959 em Manchester. O mesmo que assustou o Senhor Rodrigues, famosos barbeiro da Estrela, quando aos 14 anos apareci com uma fotografia a pedir um penteado igual.

Além disso, os Yeah Yeah Yeahs, cujo último disco (Show Your Bones) não tem parado de encantar os meus vizinhos. E ainda Bauhaus (noto uma certa antiguidade nos seus discos, mas a minha amiga Rosa gosta), Fischerspooner, !!!, Shout Out Louds e os White Rose Movement (a nova coqueluche de uma certa elite musical, mas ainda não me convenceram).

Encontramo-nos por lá entre os dias 14 e 17 de Agosto (eu sou aquele com uma t-shirt dos Wedding Present). REC

p.s. as fotografias antigas comprovam que o barbeiro não tinha jeito nenhum para penteados morrissianos

vamos lá iniciar uma polémica interna (atrasada)


Uma simples frase do Cristóvão levou vários belle e sebastianos mais convictos a abandonar os salões de chá e brandir palavras enérgicas contra a heresia cometida. Também eu franzi o sobrolho ao ouvir as primeiras músicas que o Francisco (o nosso fornecedor oficial) tinha distribuído pela malta. Comprei “The Life Pursuit” com algum receio, mas assim que me habituei a uma certa californização dos antigos nevoeiros sonoros escoceses recostei-me na cadeira e sorri. No dia 17 de Julho serei feliz a cantarolar “funny little frog”, “another sunny day”, “the blues are still blue” e, sobretudo, “mornington crescent”. Ah pois serei. REC

(muito obrigado a quem me acordou com a notícia)

segunda-feira, maio 08, 2006

The waste memory-wastes


Grant Mclennan (12 de Fevereiro de 1958 – 6 de Maio 2006)

CATTLE AND CANE

“I recall a schoolboy coming home
Through fields of cane
To a house of tin and timber
And in the sky a rain of falling cinders.
From time to time
The waste memory-wastes
(...)
I recall a bigger brighter world
A world of books
And silent times in thought
And then the railroad
The railroad takes him home
Through fields of cattle
Through fields of cane
From time to time
The waste memory-wastes
Further, longer, higher, older.”

When People Are Dead

Dive for your memory

sexta-feira, maio 05, 2006

O Estado Em que Estão


Dia 17 de Julho no Coliseu dos Recreios, os Belle and Sebastian compensam o povo português pelo péssimo serviço prestado com « The Life Pursuit».